Voto por correio, o fóssil de 324 milhões de anos, e a promessa de Trump: US$ 5.000
Bem-vindos à nossa análise da cobertura da imprensa suíça sobre os principais acontecimentos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras, acompanhamos como s mídia suíça noticia e interpreta três temas de destaque da atualidade norte-americana — na política, na economia e na ciência.
Ainda falta um mês e meio para as eleições de meio-termo nos EUA, mas o clima político já está acalorado. Na semana passada, o presidente Donald Trump prometeu dar US$ 5.000 a cada adulto americano caso os republicanos vençam, e na segunda-feira a Suprema Corte decidiu que ele não poderia restringir o uso do voto por correspondência (mais popular entre os democratas do que entre os republicanos). Como era de se esperar, os jornais suíços estão consternados com o comportamento “desesperado” de Trump.
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A Suprema Corte dos EUA bloqueou a tentativa do presidente Donald Trump de alterar o sistema de votação por correspondência em seu benefício. “Um bom dia para a democracia e um dia ruim para Trump”, segundo um artigo publicado no Tages-Anzeiger, que alertou, no entanto, que Trump já causou danos consideráveis.
“Essa é, naturalmente, a única decisão correta”, declarou o artigo de opinião na terça-feira, um dia após o tribunal ter negado a introdução de uma regra do Serviço Postal dos EUA que restringia o uso de cédulas eleitorais enviadas pelo correio nas eleições de meio de mandato em novembro.
No entanto, o jornal afirmou que há poucos motivos para comemorar. “Faltam menos de 50 dias para as eleições de meio de mandato. E se a intenção de Trump desde o início era agravar o caos antes das eleições e semear mais dúvidas sobre a legitimidade do processo eleitoral, então ele provavelmente já conseguiu isso de qualquer maneira”, escreveu o jornal.
O Tages-Anzeiger observou que cerca de um terço dos eleitores americanos costuma votar pelo correio – e esse grupo inclui um número significativamente maior de apoiadores democratas.
“Tal interferência no processo eleitoral é repreensível pela simples razão de que, de acordo com a Constituição, não é o atual ocupante da Casa Branca, mas os estados que são responsáveis pelas eleições”, explicou o jornal de Zurique.
“Os juízes da Suprema Corte deveriam, portanto, ter posto um fim ao ataque de Trump ao sistema eleitoral muito antes e de forma muito mais contundente. Afinal, sob nenhuma circunstância um país que se autodenomina democracia pode alterar as regras de uma eleição enquanto ela já está em andamento.”
Quanto ao que acontecerá a seguir, o Tages-Anzeiger estava bastante certo de que Trump não abandonaria repentinamente sua campanha contra o sistema eleitoral americano. “Este presidente só aceita um resultado eleitoral se ele declarar que ele e seus comparsas são os vencedores. Trump provavelmente ameaçará autoridades eleitorais e oponentes e fará com que o maior número possível de distritos eleitorais seja redesenhado em favor de seu partido.”
No entanto, o jornal viu uma “mensagem de esperança” em todo o episódio. “Não é assim que se comporta um homem que está confiante em seu apoio”, concluiu. “É assim que se comporta alguém que percebe que as pessoas estão abandonando-o em massa.”
Donald Trump prometeu dar a cada adulto americano US$ 5.000 (CHF 4.000) caso os republicanos vençam as eleições de meio de mandato em novembro. “Puro desespero”, afirmou um jornal suíço. “Um mau presságio para os republicanos”, disse outro.
“Desta vez, Donald Trump é o político mais honesto do mundo” foi a manchete chamativa de um editorial do NZZ am Sonntag, a edição dominical do diário zuriquenho. “O que parece ser um escândalo é simplesmente uma forma transparente de compra de votos, uma prática que está se tornando comum nas democracias ao redor do mundo”, afirmou o jornal.
“Os eleitores, abalados pela alta vertiginosa dos preços do petróleo, estão virando as costas para ele, com Trump sendo considerado, antes das eleições de meio de mandato, mais impopular do que quase qualquer presidente anterior”, afirmava o editorial. “No entanto, graças a essa crise, ele ainda pode entrar para a história – ainda que sem querer – como o político mais honesto do mundo. Por puro desespero, ele quer pagar US$ 5.000 a cada americano se seus republicanos vencerem as eleições de meio de mandato e impedirem o comunismo.”
A emissora pública suíça RTS pegou sua calculadora. “Considerando que há cerca de 270 milhões de adultos nos Estados Unidos, essa medida custaria cerca de US$ 1,35 trilhão”, afirmou na quinta-feira, um dia após o anúncio de Trump na convenção do partido.
“A magnitude e a audácia dessa compra de votos podem ser historicamente sem precedentes”, continuou o NZZ am Sonntag. “Mas ele está expondo um fenômeno que está se tornando rotina nas democracias ao redor do mundo. Comprar eleitores é a nova maneira de persuadi-los. As políticas só são consideradas aceitáveis se deixarem imediatamente as pessoas com mais dinheiro no bolso – uma exigência que, dadas as modestas taxas de crescimento nos países industrializados, sobrecarrega a capacidade de qualquer Estado de atendê-la.”
O jornal 24heures, de Lausanne, lembrou aos seus leitores que ainda há um longo caminho a percorrer antes que o dinheiro chegue aos bolsos dos americanos. “Primeiro, porque a viabilidade jurídica da proposta está longe de ser garantida. Segundo, porque, como diz o ditado, as promessas só vinculam quem as ouve, e esta não é a primeira vez que Trump faz tais ofertas para atrair futuros eleitores, ofertas essas que acabam não se concretizando.”
O portal de notícias Schweiz Heute mostrou-se igualmente cético. “Para quem acredita na promessa de US$ 5.000 de Trump, a má notícia é que é improvável que venham a ver esse dinheiro. E mesmo que vejam, serão eles mesmos que pagarão por isso. O fato de o presidente dos EUA acreditar que precisa recorrer a essa medida é um mau presságio para os republicanos na reta final para as eleições de meio de mandato.”
Há décadas, pesquisadores vêm tentando desvendar como os insetos fizeram a transição da água para a terra pela primeira vez. Um fóssil encontrado no Texas excepcionalmente bem preservado, com 324 milhões de anos, traz as respostas, segundo reportagem da emissora pública suíça SRF.
O fóssil mais antigo e indiscutível de hexápodes (animais de seis patas) tem cerca de 405 milhões de anos. No entanto, ao longo dos cerca de 80 milhões de anos seguintes, quase não se conhecia a existência de fósseis confiáveis, o que resultou na chamada “lacuna dos hexápodes”, explicou a SRF na sexta-feira. Faltavam evidências diretas desse período sobre como os primeiros insetos se adaptaram gradualmente da vida na água para a vida em terra firme e como sua estrutura corporal mudou nesse processo.
“É justamente essa lacuna de conhecimento que agora foi em parte preenchida”, afirmou a SRF. “Uma equipe internacional examinou um fóssil excepcionalmente bem preservado encontrado em um nódulo de calcário. Ele foi descoberto ainda em 1985, no oeste do Texas. Tem cerca de 324 milhões de anos – e, portanto, marca o fim da lacuna dos hexápodes.”
O animal fossilizado é um híbrido de crustáceo e inseto. Os pesquisadores o batizaram de Chosha praecursor, que significa “precursor dos insetos”. O fóssil retrata uma fêmea adulta, sem asas: com pouco mais de três centímetros de comprimento, com um filamento terminal – um apêndice fino, semelhante a um fio, na extremidade inferior do filamento dorsal – e dois filamentos caudais medindo pouco menos de cinco centímetros. Ele apresenta características típicas de insetos, como um ovipositor e seis patas.
“Ao mesmo tempo, ele possui algo que nenhum inseto vivo tem hoje: um abdômen semelhante ao de um crustáceo”, afirmou a SRF. “Nove dos 11 segmentos abdominais apresentam apêndices em forma de remo, como é comum em crustáceos. Esses apêndices podem ter sido usados, em algum momento, para nadar ou até mesmo como brânquias.”
Seus apêndices abdominais em forma de remo não desapareceram completamente, mas estão apenas parcialmente reduzidos — um estágio intermediário. “Como os apêndices não eram mais necessários em terra, eles degeneraram”, explicou a SRF. “A transição da água para a terra não foi, portanto, um salto evolutivo abrupto, como se supunha há muito tempo. Trata-se, na verdade, de uma longa fase de transição anfíbia – os primeiros insetos viveram, assim, por milhões de anos em zonas ribeirinhas úmidas e águas rasas, e em seus arredores.”
A SRF concluiu que o *Chosha praecursor* não apenas fornece uma peça que faltava no quebra-cabeça da árvore genealógica dos insetos, mas também oferece novos insights sobre como os nadadores de múltiplas patas da pré-história se tornaram os habitantes terrestres de seis patas que hoje habitam todos os cantos da Terra.
A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada na quinta-feira, 17 de setembro de 2026. Até lá!
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Adaptação: Eduardo Simantob
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