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Ted Turner, fundador e ‘alma’ da CNN, morre aos 87 anos

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Ted Turner, o empresário americano que revolucionou o panorama do jornalismo televisivo com a criação da rede CNN, pioneira na transmissão ininterrupta de notícias, morreu aos 87 anos, informou a empresa nesta quarta-feira (6).

O magnata dos meios de comunicação, filantropo e ambientalista havia revelado, em 2018, que sofria de demência com corpos de Lewy, uma doença neurodegenerativa que provoca sintomas similares aos das doenças de Parkinson e Alzheimer.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, crítico habitual das coberturas da CNN, o qualificou como “um dos maiores de todos os tempos”.

Nascido em Cincinnati, Ohio, em novembro de 1938, Robert Edward “Ted” Turner III frequentou um internato militar no Tennessee e depois a Universidade Brown, mas foi expulso antes de se formar.

Após assumir a agência de publicidade deixada pelo pai, que se suicidou, ele entrou no mundo da televisão em 1970 ao comprar um canal em Atlanta, Geórgia.

Dez anos depois, ele havia se tornado o pilar de sua rede nacional, a Turner Broadcasting System, cujos lucros lhe permitiram lançar a Cable News Network (CNN).

O primeiro canal de notícias 24 horas por dia, a CNN foi se impondo progressivamente nos Estados Unidos e logo alcançou escala internacional, acompanhando a passagem da televisão de parabólica para a TV a cabo.

Sua projeção se manifestou especialmente durante a primeira Guerra do Golfo (1990-1991), devido a uma extensa cobertura ao vivo por tecnologia via satélite.

– Rival de Murdoch –

“Ted é um gigante sobre cujos ombros nos apoiamos, e hoje vamos tirar um momento para homenageá-lo e reconhecer sua influência em nossas vidas e no mundo. Foi e sempre será a alma da CNN”, declarou Mark Thompson, presidente e diretor-executivo da emissora, em um comunicado.

O sucesso da CNN inspirou a criação de outros canais de notícias 24 horas por dia, entre eles a Fox News, fundada por Rupert Murdoch, rival de longa data de Turner, a MSNBC e muitos outros em todo o mundo.

Turner, cuja outra paixão era o esporte, também foi proprietário da equipe de beisebol Atlanta Braves, assim como dos times de basquete Atlanta Hawks e de hóquei no gelo Atlanta Thrashers. Além disso, venceu a Copa América de Vela em 1977 como timoneiro do iate americano Courageous. 

Um incidente marítimo reforçou sua rivalidade com Murdoch em 1983, quando um iate patrocinado por Murdoch colidiu com o de Turner durante a regata Sydney-Hobart, provocando o naufrágio de sua escuna.

“Seu papel pioneiro deixou uma marca indelével em nosso cenário cultural. Foi um grande americano e um amigo”, reagiu o magnata australiano em um comunicado.

“Homem do Ano” da revista Time em 1991, naquele mesmo ano ele se casou com a atriz Jane Fonda, sua terceira esposa. Eles se divorciaram uma década mais tarde, e ele atribuiu seus problemas à conversão dela ao cristianismo.

Em um comunicado, a família de Turner recordou seu “estilo direto” e seu “afetuoso senso de humor”.

“Ele encantava as pessoas com sua cordialidade e sua geral falta de presunção, apesar de muitos êxitos e de sua condição de celebridade; algo que ficava claro na resposta que dava a qualquer pessoa que se dirigisse a ele como ‘senhor Turner’: ele sempre respondia: ‘Me chame de Ted!”, afirmou o comunicado.

– Defensor do meio ambiente –

Turner também era conhecido por seus compromissos filantrópicos e ambientais.

Em 1998, doou 1 bilhão de dólares (cerca de 5 bilhões de reais na cotação atual) à ONU para criar a Fundação das Nações Unidas, focada em mudança climática, desenvolvimento sustentável, tecnologia e saúde.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, citou o empresário como “um visionário cuja convicção, generosidade e ousadia deixaram uma marca duradoura nas Nações Unidas e em nosso mundo”.

Também criou, em 1997, um fundo para a proteção de espécies ameaçadas. Em 2015, ele lançou a Ted Turner Reserves, uma iniciativa de ecoturismo que permite visitar suas propriedades no Novo México e conhecer projetos de conservação.

Sua morte ocorre no momento em que a CNN está prestes a passar para o controle da família Ellison, considerada próxima de Trump, o que gera dúvidas sobre sua independência editorial.

O presidente americano afirmou nesta quarta-feira que a CNN havia se tornado “woke”, um termo pejorativo usado para criticar o ativismo em favor das minorias, e expressou sua esperança de que, com seu novos donos, a rede retorne “à sua antiga credibilidade e glória”.

A CNN registra há muitos anos baixos índices de audiência. Sua concorrente Fox News tem uma participação de mercado televisivo muito mais significativa.

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