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Após crise em Ceuta, UE busca reconstruir consensos

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Os europeus procuraram, nesta terça-feira (4), fazer as pazes e aprender com a crise migratória de Ceuta e suas tensões diplomáticas.

A chegada de dezenas de milhares de pessoas ao enclave espanhol no norte da África desafiou a resiliência da Europa, mas a Comissão Europeia “superou” esta prova, afirmou Magnus Brunner, comissário europeu para Questões Migratórias. 

Este episódio “nos testou: em primeiro lugar, em termos de rapidez de ação; em segundo, em termos de solidariedade; mas também na nossa capacidade de resistir à desinformação”, declarou após uma reunião dos ministros do Interior dos 27 países da União Europeia. 

Durante esta reunião, que durou mais de três horas, os Estados-membros “expressaram com unanimidade a sua profunda solidariedade com a Espanha”, segundo um relatório inicial da reunião.

Contudo, sublinharam que a comunicação em tempos de crise “poderia melhorar” e “deveria ser mais consistente”, uma forma discreta, em linguagem diplomática, de salientar que a coordenação europeia neste assunto esteve longe do ideal. 

Desde a disseminação de imagens virais de migrantes atravessando a fronteira a pé ou a nado, surgiram dois lados: de um, a Espanha, e do outro, os Estados-membros da UE que defendem uma política migratória muito firme, como Itália e Dinamarca. 

Estes últimos lamentaram que a “imigração descontrolada” constitua “uma ameaça à Europa”. 

Exigiram, então, a exclusão da Espanha do Espaço Schengen, a zona de livre circulação na Europa, um pedido politicamente explosivo, legalmente impossível segundo a legislação europeia, e que provocou a ira de Madri.

– Cartas de todas as frentes –

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, cujo governo defende uma abordagem mais aberta à imigração, respondeu com uma carta aos líderes das instituições europeias. 

Nessa carta, o líder espanhol criticou duramente a atitude “egoísta” desses países da UE e solicitou uma reunião de emergência.

Poucas horas depois, chegou uma contra-carta de 22 países, liderados por Itália, Dinamarca, Alemanha e Hungria, também solicitando uma videoconferência de emergência, mas com um objetivo bem diferente: continuar defendendo sua posição sobre a imigração.

A França não aderiu a essa iniciativa por considerar que equivale a instrumentalizar a situação no enclave espanhol. Ressaltou que a grande maioria dos migrantes que cruzaram a fronteira já havia sido devolvida a Marrocos. 

O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, declarou nesta terça-feira, após a reunião, que das “72.000 pessoas (…) que entraram irregularmente”, 70.000 já haviam deixado o país.

Segundo um representante do governo local de Ceuta, 2.500 migrantes ainda estavam no território na segunda-feira.

– “Muito satisfeito” –

Segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, seus homólogos europeus concordaram, durante a reunião desta terça-feira, que “a questão do Espaço Schengen não era realmente o problema, mas sim a solução”. 

Grande-Marlaska, por sua vez, afirmou que a área de livre circulação “nunca esteve em perigo” durante a crise. 

Enquanto isso, o ministro da Imigração e Integração da Dinamarca, Morten Bodskov, declarou após a reunião que estava “muito satisfeito com a rapidez com que a Espanha agiu, mobilizando, entre outros, a polícia e o exército”.

“Mas esses eventos demonstram que é absolutamente essencial que mantenhamos o controle das fronteiras da União Europeia”, acrescentou. 

Diversos Estados-membros questionam os sinais enviados por Madri à luz de algumas decisões recentes. Eles acreditam que seu amplo programa de regularização de imigrantes pode ter dado a impressão de que “as portas estavam abertas”. 

Um alto funcionário marroquino disse à AFP que Rabat havia alertado a Espanha sobre os riscos migratórios decorrentes de uma recente decisão do Supremo Tribunal que estipulava que o retorno imediato de um migrante não se aplicaria a pessoas que chegassem por mar.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou a realização da reunião e defendeu uma “resposta europeia comum” para “reforçar as fronteiras”.

cjc/ec/ahg-erl/pb/aa/fp-jc

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