Imprensa lembra da tragédia da boite “Kiss”
Da comoção nacional provocada pelo incêndio em Crans-Montana, que reacendeu memórias de tragédias semelhantes no Brasil e expôs falhas estruturais recorrentes, às histórias de sobrevivência que mostram ser possível reconstruir a vida após o trauma, a semana foi marcada por reflexões profundas sobre responsabilidade e resiliência.
Ao mesmo tempo, o noticiário econômico revelou um cenário de fortes tensões políticas em torno do acordo UE–Mercosul e destacou o Brasil como novo polo estratégico da indústria de veículos elétricos, atraindo investimentos chineses e europeus. Uma revista de imprensa que conecta drama humano, escolhas políticas e transformações globais.
Netflix lembra tragédia no Brasil
O artigo analisa a ampla repercussão do incêndio no bar Le Constellation, em Crans-Montana, que resultou na morte de cerca de 40 jovens, destacando que o tema ganhou espaço nas principais mídias suíças como a Neue Zürcher Zeitung (NZZ) e o jornal francófono Le Temps, justamente por expor falhas graves de segurança e responsabilidades institucionais.
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A cobertura suíça é relacionada diretamente à tragédia ocorrida no Brasil em 2013, retratada na série da Netflix “Todo Dia a Mesma Noite”The Endless NightLink externo“, baseada no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS), que matou 242 pessoas, em sua maioria jovens, e deixou centenas de feridos. As descrições das cenas iniciais, uso de artefatos pirotécnicos, fogo no teto com material altamente inflamável, falha na tentativa de contenção e pânico generalizado, são apresentadas como assustadoramente semelhantes às imagens recentes de Crans-Montana.
O texto ressalta que, apesar das diferenças contextuais entre a Suíça e o Brasil, os dois casos compartilham um mesmo núcleo: negligência, descuido imprudente, ausência de fiscalização eficaz, saídas de emergência inadequadas e a tendência de autoridades e responsáveis em transferirem culpas após a tragédia. Também se repetem as reações públicas e políticas, marcadas por discursos que falam em “catástrofe” em vez de assumir o erro humano e institucional.
Por fim, a análise aponta que a série brasileira funciona menos como reconstrução aprofundada e mais como expressão da indignação coletiva, enfatizando o sofrimento das vítimas e a irresponsabilidade dos envolvidos. Nesse sentido, tanto o caso brasileiro quanto o suíço são apresentados como tragédias evitáveis, unidas por falhas estruturais, omissões e pela dificuldade das sociedades em transformar comoção pública em mudanças efetivas de segurança.
Fonte: nzz.chLink externo, letemps.chLink externo, 09/01/2026 (alemão e francês)
Acordo UE-Mercosul: Mercosul divide a Europa
O artigo, publicado pelo jornal 24heures e repercutido por outras mídias suíças, trata do avanço do acordo de livre-comércio entre a União Europeia e os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai). A Comissão Europeia tenta obter o aval dos Estados-membros para assinar o tratado nos próximos dias, apostando especialmente no apoio da Itália, apesar da resistência aberta de países como França e Irlanda.
O texto destaca que o principal foco de oposição vem dos agricultores europeus, sobretudo na França, onde protestos se intensificam contra o aumento da concorrência de produtos sul-americanos. Para conter a insatisfação, Bruxelas anunciou concessões, como flexibilizações em regras agrícolas, possíveis suspensões de taxas sobre fertilizantes, restrições mais duras a pesticidas proibidos na UE e promessas de apoio financeiro no âmbito da futura Política Agrícola Comum.
Mesmo assim, o acordo continua sendo politicamente sensível. França, Irlanda e outros países mantêm objeções, alegando riscos aos padrões sanitários e ambientais e à competitividade do setor agrícola europeu. Ainda que a Comissão Europeia possa obter maioria qualificada para avançar, o artigo ressalta que a ratificação final no Parlamento Europeu tende a ser disputada, refletindo a divisão profunda em torno do tratado.
Fonte: 24heures.chLink externo, tdg.chLink externo, 08/01/2026 (francês)
“Depois de dois anos de isolamento, de repente tudo ficou tão intenso”
O artigo, publicado no contexto da forte comoção na Suíça após o incêndio na discoteca de Crans-Montana, que deixou mais de 40 mortos e cerca de 100 feridos, busca ir além do fato em si. Os autores entrevistaram duas pessoas que sofreram queimaduras gravíssimas em acidentes anteriores – Mafalda da Silva e Philipp Bosshard – para mostrar que, apesar da violência do trauma, é possível encontrar um caminho de volta à vida.
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Tragédia de Crans-Montana: imprensa suíça questiona regulamentações e medidas de segurança
Mafalda, de origem portuguesa e hoje com 25 anos, sobreviveu a uma explosão de gás na infância, que deixou queimaduras profundas no rosto, mãos e pés. Após anos de tratamentos, dezenas de cirurgias e um longo processo de reconstrução física e psicológica, ela conseguiu se reintegrar plenamente à vida, trabalha como cuidadora, publicou um livro e fala publicamente sobre sua experiência. O incêndio em Crans-Montana a atinge de forma pessoal, pois ela reconhece na tragédia a dor, o medo e a incerteza que viveu por anos.
Já Philipp Bosshard sofreu um grave acidente de trabalho há onze anos, com queimaduras em quase 90% do corpo. Depois de meses em coma, anos de hospitalização e mais de 60 cirurgias, ele retomou uma vida ativa, pratica esportes de alto rendimento e hoje apoia outras vítimas. O texto enfatiza que a recuperação é longa, marcada por dor, reabilitação e aceitação do novo corpo, mas ressalta, sobretudo para as vítimas de Crans-Montana, que, com apoio médico, psicológico e social, é possível reconstruir a vida e alcançar uma nova forma de plenitude.
Fonte: tagesanzeiger.chLink externo, watson.chLink externo, 08/01/2026 (em alemão)
Ofensiva de mobilidade no Brasil
O artigo publicado no portal Nau.ch, assinado pelo correspondente Daniel Huber, destaca que o Brasil está se consolidando rapidamente como um dos principais mercados e polos de produção de veículos elétricos do mundo. A transição já é visível nas grandes cidades, enquanto antigas fábricas, como a da Ford em Camaçari (BA), são transformadas em complexos industriais de alta tecnologia voltados à mobilidade elétrica.
O texto enfatiza que um dos maiores investidores no país é a montadora chinesa BYD, que instalou na Bahia sua maior fábrica fora da China. A unidade deverá produzir até 600 mil veículos por ano para toda a América Latina, posicionando a empresa como líder regional e confirmando a importância estratégica do Brasil para a expansão global da indústria chinesa de carros elétricos.
Ao mesmo tempo, fabricantes europeus reagem com investimentos expressivos. A Volkswagen anunciou um aporte bilionário para modernizar suas fábricas no país, enquanto a Stellantis aposta em tecnologia bio-híbrida, combinando motores elétricos e etanol. Segundo o artigo, esses movimentos geram empregos, impulsionam a infraestrutura de recarga e transformam o Brasil em um modelo de transição energética para grandes economias emergentes.
Fonte: nau.chLink externo, 04/01/2026 (alemão)
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Publicaremos nossa próxima revista da imprensa suíça em 16 de janeiro de 2026. Enquanto isso, tenha um bom fim de semana e boa leitura!
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