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Tragédia de Crans-Montana: imprensa suíça questiona regulamentações e medidas de segurança   

Pessoas de luto reúnem-se à volta de flores e velas para homenagear as vítimas do incêndio no bar e lounge "Le Constellation", em Crans-Montana, na Suíça, no domingo, 4 de janeiro de 2026. 40 pessoas perderam a vida e mais de 100 ficaram gravemente feridas no incêndio do bar "Le Constellation", na véspera de Ano Novo, na estância de Crans-Montana, nos Alpes suíços. (KEYSTONE/Jean-Christophe Bott)
Pessoas de luto juntam-se à volta de flores e velas para homenagear as vítimas do incêndio no bar e lounge Le Constellation, em Crans-Montana, a 4 de janeiro de 2026. Keystone / Jean-Christophe Bott

A falta de inspeções anuais de segurança contra incêndios, reformas realizadas pelos proprietários da casa noturna e o uso de painéis de isolamento acústico inflamáveis provocaram acusações de negligência por parte da mídia suíça.

O incêndio no bar Le Constellation, na estação de esqui de Crans-Montana, na véspera do Réveillon, causou 40 mortes e deixou 119 pessoas feridas. Com um dia de luto nacional anunciado para sexta-feira em homenagem às vítimas, as atenções agora se voltam para a identificação dos responsáveis.

A promotoria do cantão do Valais abriu uma investigação criminal contra os proprietários do bar, um casal francês. Eles são acusados de homicídio por negligência, lesão corporal por negligência e negligência ao causar uma conflagração.

Embora as autoridades enfatizem que a presunção de inocência se aplica até que uma condenação final seja proferida, a imprensa suíça já especula sobre possíveis culpados pela tragédia.

Inspeções de segurança contra incêndios

Os donos do bar estavam cumprindo as normas de segurança contra incêndio? Em uma coletiva de imprensa, o secretário de Segurança do cantão do Valais, Stéphane Ganzer, declarou que os bombeiros não tinham informações que indicassem a existência de alguma deficiência detectada durante uma inspeção. Presumia-se que as inspeções de segurança contra incêndio haviam sido realizadas.

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As inspeções de segurança contra incêndio devem ser feitas anualmente. No entanto, de acordo com o portal Watson, os proprietários do bar afirmaram que o local havia sido inspecionado apenas três vezes em dez anos. O município de Crans-Montana é a autoridade responsável por essas inspeções.

O prefeito de Crans-Montana, Nicolas Féraud, não acredita que o município seja culpado. “Estou convencido de que não houve negligência”, declarou à rádio RTS. Seria estranho que a prefeitura fosse considerada culpada de negligência, já que Crans-Montana também é autora do processo criminal contra os proprietários do bar.

Reformas sem autorização

Quando os proprietários compraram o bar em 2015, eles decidiram reformar as instalações por conta própria. De acordo com imagens deletadas obtidas pelo Blick nas redes sociais, a escada que liga o bar no porão ao térreo teria sido estreitada durante a reforma. Isso pode ter criado um gargalo que dificultou a saída dos clientes durante o incêndio.

Não está claro se a reforma do interior do bar em Crans-Montana foi autorizada, informa o jornal dominical NZZ am Sonntag. Nos últimos 11 anos, nenhum pedido de reforma foi publicado no diário oficial do cantão do Valais, onde os pedidos de alvará de construção geralmente precisam ser divulgados, escreve o jornal.

No entanto, é possível que nenhuma autorização de planejamento tenha sido exigida para a renovação, caso o trabalho tenha sido considerado insignificante. De acordo com o jornal, os regulamentos do Valais permitem essa exceção.

Painéis de teto inflamáveis

A imprensa dominical demonstrou especial interesse nos materiais de isolamento acústico usados no bar, que pegaram fogo quando expostos a faíscas de fogos de artifício comemorativos presos a garrafas de champanhe. Segundo o NZZ am Sonntag, fotos e vídeos do bar sugerem que esses painéis de isolamento foram a causa do desastre.

O jornal especulou que o material poderia ser barato e facilmente inflamável. Dois especialistas entrevistados pelo SonntagsZeitung afirmaram, com base nas imagens, que o material isolante não havia sido instalado corretamente. “Estamos investigando se o material estava de acordo com os padrões ou não. Ainda não sabemos”, disse a promotora Beatrice Pilloud.

Saídas de emergência

A imprensa também levantou questionamentos sobre as saídas de emergência, já que a maioria das pessoas deixou o local pela entrada principal do bar quando o incêndio começou. De acordo com o portal 20 Minutes, um estabelecimento que recebe mais de 100 pessoas deve ter pelo menos três saídas, e o comprimento máximo da rota de evacuação até uma saída não deve exceder 35 metros. Não está claro se esse era o caso do bar na estação de esqui.

Stéphane Ganzer declarou na sexta-feira que havia pelo menos uma outra saída. “Não há apenas uma porta, embora pareça que a maioria das pessoas tenha saído pela entrada principal quando o incêndio começou”, disse ele. Segundo o chefe da polícia local, a fumaça densa pode ter reduzido a visibilidade, o que fez com que apenas algumas pessoas conseguissem localizar essas saídas.

Ainda não há indícios de que as saídas estivessem mal sinalizadas, trancadas ou bloqueadas. O prefeito Féraud declarou ao 20 Minutes que todos os documentos, incluindo as plantas do prédio, estão com o escritório do promotor público do Valais.

Edição: Marc Leutenegger

Adaptação: Alexander Thoele, com ajuda do Deepl 

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