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Novo líder do setor bancário suíço demonstra preocupação com excessos regulatórios

Giorgio Pradelli
Giorgio Pradelli: «Não podemos dar por garantido que a Suíça continuará sempre a ocupar uma posição de destaque se não aplicarmos as políticas adequadas». Keystone / Gaetan Bally

Para o novo presidente do lobby bancário do país, a Suíça corre o risco de comprometer sua posição como centro financeiro global se impuser regulamentações excessivas. A declaração ocorre no momento em que Berna inicia a maior reforma do setor desde a crise financeira.

Giorgio Pradelli, que dirige o banco EFG International, sediado em Zurique, assumirá a presidência da Associação Suíça de Bancos (SBA) no próximo mês.

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Falando como diretor executivo do EFG, Pradelli afirmou que a Suíça não pode presumir que sua importância no setor bancário global perdurará, enquanto outros centros financeiros concorrentes simplificam suas regras.

“Não podemos dar como certo que a Suíça sempre terá um papel de destaque se não aplicarmos as políticas corretas, incluindo o marco regulatório”, disse ele ao Financial Times (FT), acrescentando que as regras “precisam ser proporcionais”.

A declaração de Pradelli é um sinal de como andam as preocupações no setor financeiro: há um temor de que Berna corra o risco de exagerar nas regras ao tentar corrigir excessivamente o colapso do Credit Suisse.

Embora o UBS, que absorveu seu rival em uma aquisição patrocinada pelos cofres públicos em 2023, seja o banco mais diretamente afetado pelas novas regras propostas, as reformas abrangem todo o sistema bancário.

O pacote de medidas regulatórias proposto em agosto torna os executivos seniores responsáveis de forma mais direta por erros cometidos sob sua supervisão, enrijece as disposições sobre bônus e recuperação de valores, concede à FINMA (órgão regulador do mercado) maiores poderes de fiscalização e fortalece o planejamento para crises e o acesso à liquidez do banco central.

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O debate sobre o grau de rigor que o regime regulatório deve ter ocorre em um momento crucial para o centro financeiro do país alpino. No ano passado, Hong Kong ultrapassou a Suíça como o maior centro mundial de patrimônio offshore, de acordo com a BCG.

Os reguladores dos EUA estão reduzindo e simplificando alguns requisitos de capital, enquanto o Reino Unido adiou partes de suas reformas e buscou limitar os aumentos nos requisitos gerais de capital para manter a competitividade.

“O que vemos nos outros centros financeiros é mais uma tendência de simplificação”, disse Pradelli. “Nos EUA, pode-se até falar em desregulamentação. Portanto, precisamos estar em condições de igualdade.”

Equilíbrio certo?

O alerta do presidente da EFG foi ecoado dias antes de uma reunião crucial da comissão parlamentar sobre a parte mais controversa das reformas que afetam o UBS.

Na primeira semana de setembro, a comissão de assuntos econômicos da Câmara Alta retoma as deliberações sobre medidas  que poderiam obrigar o banco a manter cerca de US$ 20 bilhões (CHF 16,2 bilhões) a mais em capital ordinário, com os legisladores considerando alternativas que poderiam amenizar a proposta do governo.

Questionado se a Suíça havia alcançado o equilíbrio certo, Pradelli disse: “Em termos de estabilidade e proporcionalidade, acredito que estamos chegando lá. Em termos de competitividade, podemos melhorar.”

O EFG surgiu como um dos beneficiários da turbulência no setor de gestão de patrimônio suíço após o colapso do Credit Suisse. As ações subiram quase 100% desde a aquisição do outro banco pelo UBS.

O banco privado atraiu 5,7 bilhões de francos suíços (7 bilhões de dólares) em novos ativos líquidos no primeiro semestre e registrou entradas positivas por 15 semestres consecutivos. Em meio a turbulência de 2023, o EFG contratou 140 gerentes de relacionamento — o dobro de sua meta anual normal de contratações, que varia entre 50 e 70 —, um período que Pradelli descreveu como “decisivo” para o banco.

As tensões geopolíticas estavam acelerando a movimentação de patrimônios, disse ele, com clientes ricos diversificando cada vez mais suas fortunas não apenas entre investimentos e bancos, mas também entre países e centros financeiros.

“Os clientes não vão mais colocar todos os ovos na mesma cesta, nem mesmo em termos de centros financeiros”, disse ele.

Copyright The Financial Times Limited 2026
Adaptação: Clarissa Levy

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