Ex-juiz condenado por corrupção
Franco Verda, ex-presidente de tribunal penal no sul da Suíça, à direita, foi condenado a 18 meses de prisão com direito a sursis por corrupção, depois de envolver-se com Gerardo Cuomo, italiano supostamente implicado em tráfico internacional de cigarros, de armas e de drogas. O caso repercutiu na Europa.
O caso Verda foi muito comentado, justamente porque envolveu um juiz, portanto uma pessoa encarregada de aplicar a justiça. Como presidente do tribunal de Lugano – no cantão (estado) do Ticino, sul da Suíça, perto da Itália – Franco Verda era uma personalidade respeitada, que durante 30 anos dirigiu milhares de processos.
Aos 60 anos teve porém que sentar-se no banco dos réus, acusado de corrupção passiva e violação de sigilo de função. Foi condenado a 18 meses com direito a sursis. O procurador extraordinário (Luciano Giudici) havia requerido 2 anos de cárcere.
A desonra veio com a descoberta de seus laços com o suposto mafioso Gerardo Cuomo, tido como notório traficante de cigarros. (O processo chegou a interessar a União Européia que de maneira recorrente acusa a Suíça de ser uma “plataforma” do tráfico de cigarros na Europa, fraude que implica perdas de milhares de dólares para o fisco).
Foi a imprensa que revelou a amizade entre o juiz e o suposto mafioso, Gerardo Cuomo que teria ajudado a atual esposa de Verda, Desirée Rinaldi , quando ela enfrentava dificuldades como empresária.
Cuomo recebeu sentença de 10 meses, com sursis, e expulsão de 5 anos do território suíço por cumplicidade com corrupção. Será extraditado brevemente para a Itália onde tem contas a acertar com a justiça, sob acusação de chefiar tráfico de cigarros.
O incidente que levou à prisão de Verda e Cuomo aconteceu há 2 anos. Na época, Franco Verda se ocupava de um caso envolvendo confisco de 3.2 milhões de francos pertencentes a Francesco Prudentino, considerado chefe mafioso da Sacra Corona Unita, do sul da Itália. Verda teria aceito 800 mil francos (454 mil dólares) em subornos para liberar o dinheiro confiscado.
No processo, declarações contraditórias dos dois acusados não esclareceu essas acusações.
swissinfo com agências.
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