Ex-juiz no banco dos réus
Inicia-se na segunda-feira, 18 de junho, em Lugano, sul da Suíça, o julgamento de Franco Verda, ex-presidente de tribunal penal. O ex-juiz, acusado de corrupção, está envolvido com suposto traficante de armas, drogas e cigarros, Gerardo Cuomo, também julgado. O caso repercute na Europa.
Um juiz no banco dos réus é coisa rara num país pouco afetado pela corrupção corriqueira. Mas no caso Verda, que estourou há exatamente um ano, trata-se de corrupção grossa, de que a Suíça não está imune. Dadas suas dimensões, foi batizado de « Ticinogate », nome do cantão (estado) em que aconteceu e que faz fronteira com a Itália.
Franco Verda, 56 anos, era personalidade respeitada que em 30 anos de carreira presidiu milhares de processos. A desonra veio com a descoberta de seus laços com o suposto mafioso Gerardo Cuomo, acusado pela justiça italiana de orquestrar tráfico internacional de cigarros, armas e drogas.
Verda deve responder a acusação de corrupção passiva, violação do sigilo de função e obstáculo à justiça. A imprensa suíça revelou laços de amizade entre o juiz e o “mafioso” Cuomo. Por exemplo, que foi graças à atual esposa de Verda, Desirée Rinaldi, ex-advogada de Cuomo, que o então juiz conheceu o suposto traficante.
Essa amizade ficou reforçada quando Cuomo contribuiu com 350 mil francos suíços (US$197.000) para o caixa de uma firma de Desirée em dificuldades.
Mostrando sua gratidão, Verda interveio em processo de um amigo de Cuomo, o italiano Francesco Prudentino, suposto mafioso. Na sua qualidade de juiz ele ordenou que fossem descongelados 1.7 milhão de francos (US$960 mil) dos 3.2 milhões que Prudentino depositara em banco de Lugano.
Escuta telefônica estabeleceu que Verda devia receber 800 mil (US$ 450 mil) pela sua ajuda. Soma que teria sido paga por Gerardo Cuomo, que segundo a justiça italiana “não é flor que se cheira”.
No ano passado, o procurador anti-máfia de Bari, Giuseppe Scelsi, acusou Cuomo de chefiar um tráfico internacional de cigarros, armas e drogas. O acusado foi preso em maio de 2000 em Zurique. Desde que for julgado na Suíça será extraditado para a Itália.
Quanto a Franco Verda, ele passou apenas 3 semanas em prisão preventiva. Mas além de ter sido destituído do cargo, não terá direito a aposentadoria.
Resta que o processo é seguido de perto pela União Européia que de maneira recorrente acusa a Suíça de ser uma “plataforma” do tráfico de cigarros na Europa. A fraude implica perdas de milhares de dólares para o fisco.
swissinfo com agências.
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