Saúde da Terra debatida em Joanesburgo
Durante dez dias a Cúpula Mundial s/ Desenvolvimento Sustentável deve fazer um diagnóstico e buscar remédios para um planeta que continua piorando.
Participam 65 mil delegados do mundo inteiro.
Poluição crescente do ar e das águas, desmatamentos indiscriminados, recuo da biodiversidade, aumento da pobreza, falta de recursos básicos, – como fornecimento de água e saneamento elementar -, são alguns dos temas abordados na cidade sul-africana de Joanesburgo.
Dez anos depois da Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, persiste um certo ceticismo quanto ao interesse e a vontade política de conciliar desenvolvimento econômico, combate à pobreza e preservação do meio ambiente, metas do famoso “desenvolvimento sustentável”.
Constatações
“A comunidade internacional deve reconhecer que a situação hoje é pior que em 1992”, diz Walter Fust, diretor da Direção do Desenvolvimento e Cooperação (DDC), braço humanitário do governo suíço.
Um dos sinais de que as declarações e promessas da Cúpula de 1992 teriam fracassado, o WWF International (Fundo Mundial de Proteção à Natureza), em seu inventário sobre o planeta, estima que desde então a biodiversidade diminuiu 22%.
E Madeleine Bolliger, da Comunidade de Trabalho das Obras de Ajuda Mútua da Suíça, considera que “os anos 90 trouxeram mais que nunca ao mundo mais injustiça, mais pobreza e mais conflitos”.
O vice-diretor da Cooperação Suíça, Serge Chappatte, constata que o “suflê do Rio murchou”, mas afirma que “o desenvolvimento duradouro necessariamente leva tempo”.
Otimismo
O chefe da delegação suíça em Joanesburgo, o chanceler Joseph Deiss, pondera que “devemos entender que quando se discute com tantos países, é muito difícil encontrar soluções aceitáveis para todos”.
E o ministro dá o exemplo de uma escalada de montanha: “são os mais lentos que ditam o ritmo”.
Por seu lado Walter Fust, da DDC, constata que “naturalmente não será possível resolver todos os problemas da Terra em Joanesburgo. Mas é possível conscientizar as delegações dos problemas enfrentados pelo planeta”.
EUA na berlinda
Uma das críticas recorrentes é a ausência de George W. Bush na atual Cúpula Mundial. O presidente norte-americano preferiu enviar seu Secretário de Estado, Colin Powell.
“É lamentável que os EUA não se impliquem no processo”, afirma o chefe da Secretaria do Meio Ambiente da Suíça, Philippe Roch.
E depois de ter constatado a relutância dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, em 1992, Roch denuncia a falta de vontade do País de “se submeter a acordos multilaterais”, realçando que “eles preferem reger o mundo por conta própria”.
Mas estima que se os Estados Unidos – responsáveis por cerca de 25% dos gases que contribuem para o efeito estufa – são “os mais fortes do mundo, eles têm também lições a aprender de outros”.
Para intervém
E Georg Schwede, diretor do WWF Switzerland acha que não se deve esperar pelos Estados Unidos. Se eles continuam a recusar engajamento em questões que dizem respeito ao futuro do planeta “temos então que procurar outros parceiros internacionais”.
Enquanto isso, no Vaticano, o Papa, inquieto com o desfecho da conferência sul-africana, adverte: “Os homens foram designados por Deus para administrar a Terra, para cultivá-la e tomar conta dela”.
João Paulo II, que falava no Vaticano, aguardaria com interesse soluções práticas para o problema da injustiça, pobreza e da fome, preservando na medida do possível a natureza.
swissinfo
Suíça defende:
exploração e proteção de águas doces
desenvolvimento social e luta contra a pobreza
registro do desenvolvimento sustentável, segundo normas previstas na OMC
desenvolvimento sustentável nas regiões de montanha
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