BCE eleva taxas de juros para 2,5% devido à inflação pela guerra no Oriente Médio
O Banco Central Europeu (BCE) aumentou suas principais taxas de juros em 25 pontos-base nesta quinta-feira (10), para 2,5%, o nível mais elevado desde 2025, para combater a inflação provocada pela guerra no Oriente Médio.
A principal taxa de referência, a taxa de depósito, subiu 0,25 ponto percentual para 2,5%, o nível mais alto desde março de 2025, ao final de uma reunião de política monetária realizada excepcionalmente em Berlim.
Este é o segundo aumento da taxa de juros neste ano.
“A perspectiva permanece altamente incerta, com riscos de alta para a inflação e riscos de baixa para o crescimento econômico”, afirmou a instituição em comunicado.
A mensagem sugere que a entidade não descarta um novo aumento das taxas nos próximos meses.
– Brent ultrapassa 100 dólares –
Após aumentar as taxas de juros em junho e mantê-las inalteradas em julho, o BCE agora enfrenta uma nova onda de inflação ligada à alta dos preços do petróleo, desencadeada pelas tensões entre Washington e Teerã e pelo conflito entre os rebeldes houthis no Iêmen e a Arábia Saudita.
O petróleo Brent ultrapassou os 100 dólares (509 reais) por barril na quarta-feira, pela primeira vez desde o final de julho, em meio a ameaças persistentes ao trânsito de energia pelos estreitos de Bab el-Mandeb e Ormuz.
Na zona do euro, fortemente dependente das importações de energia, a inflação atingiu 3,3% em agosto, seu nível mais alto em três anos e bem acima da meta de 2% do BCE.
A inflação subjacente, que exclui preços voláteis como energia e alimentos, se moderou ligeiramente para 2,4% em relação ao ano anterior.
Ao aumentar as taxas de juros, o BCE encarece o crédito, o que reduz o consumo e o investimento. O objetivo é desacelerar a demanda para conter a alta dos preços.
– Mais inflação em 2027 –
Para 2026, a instituição manteve sua previsão de inflação em 3,0%, inalterada em relação a junho, e elevou sua previsão para 2027 para 2,5%, acima da estimativa anterior de 2,3%.
O banco central também revisou ligeiramente para cima sua previsão de crescimento para este ano, para 0,9%, ante os 0,8% anteriores, após a Alemanha, a maior economia da Europa, apresentar resultados melhores do que o esperado no primeiro semestre.
As previsões reforçam a ideia de que um novo aumento das taxas não comprometeria de forma excessiva a atividade econômica.
“O Conselho de Governadores permanece aberto a um maior aperto monetário, cuja probabilidade agora parece consideravelmente maior, mesmo que os preços da energia se estabilizem nos níveis observados esta semana”, comentou Kamil Kovar, analista da Moody’s Analytics.
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