Brasil não é ‘republiqueta’, diz Lula após EUA designar PCC e CV como terroristas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta sexta-feira (29), que o Brasil não aceita ser tratado como “republiqueta”, depois que o governo dos Estados Unidos designou PCC e CV, as duas maiores facções criminosas do país, como organizações terroristas.
“Não aceitamos ser tratados como moleques, como republiqueta”, disse Lula durante um evento oficial em Sergipe.
Apesar da oposição da administração Lula, o governo americano designou, na quinta-feira, os grupos criminosos Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
“Não brinquem com a soberania desse país, não brinquem com a nossa democracia”, advertiu Lula.
O presidente, que tentará a reeleição em outubro, tinha reiterado sua oposição a esta medida durante visita este mês ao mandatário americano, Donald Trump, na Casa Branca.
O Brasil combate há anos o PCC e o CV, as facções mais poderosas do crime organizado e do narcotráfico no país desde que surgiram nos presídios de Rio de Janeiro e São Paulo.
A decisão do governo americano ocorreu dois dias depois de Trump receber em caráter privado o principal adversário de Lula nas eleições de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
Flávio Bolsonaro assegurou ter pedido a Trump para tomar esta medida.
Com o retorno do republicano à Casa Branca, em janeiro de 2025, os Estados Unidos começaram a designar como terroristas grupos criminosos, como os cartéis mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nova Geração, ou o Tren de Aragua venezuelano.
Esta designação permite, na avaliação de Washington, estender todo tipo de operações – policiais, de inteligência e contra-insurgência – aos líderes destas quadrilhas e seus interesses em todo o mundo.
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