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“Europa deve olhar para o Sul”

Chanceler suíço, Joseph Deiss e Boutros Boutros Ghali, em Friburgo Keystone Archive

Boutros Ghali, ex-secretário da ONU, defendeu na Suíça novo enfoque da Europa em relação aos imigrantes dos países do Sul, alertando contra "um novo Muro de Berlim".

Boutros Boutros Ghali, atual secretário geral da “Francophonie” (países francófonos), falava na Universidade de Friburgo, terça-feira, 16/4, por ocasião da 27a. Jornada da Europa, organizada anualmente pela entidade suíça.

Segundo ele, ambos os lados do Mediterrâneo estão “irremediavelmente ligados pela geografia e pelo espaço”.

O ex-ministro das Relações Exteriores do Egito demonstra ser exímio diplomata quando afirma: “É somente no Sul – no caso, a margem sul do Mediterrâneo -, através da solidariedade e da fraternidade, que a Europa poderá renovar o humanismo que lhe deu grandeza e irradiação universal”.

Ghali estima primordial um enfoque “positivo e global” sobre a questão da integração dos imigrantes, no sentido de evitar uma ruptura que considera desastrosa.

Destinos comuns

Para o ex-secretário geral da ONU a integração desses imigrantes é um dos desafios maiores a que se confrontam os países da Europa Ocidental.

Laços históricos, culturais geralmente privilegiados existem entre os dois lados, lembra Boutros Ghali, mas “à medida que se foi construindo, a Europa desviou o olhar dos países do Sul”.


“Europa precisa do Sul”

O ex-diplomata egípcio estima que se quiser preencher falta de mão de obra e manter a taxa de crescimento, a Europa precisa do Sul.

Segundo Ghali, até 2050, a população européia vai diminuir 17%. Em países como a Turquia, com tendência oposta, o aumento seria de 46% e a Argélia 63% .

Os países da mergem sul do Mediterrâneo teriam em meados do século 305 milhões e a Europa 339 milhões. A Europa teria que “importar” centenas de milhares de imigrantes. Só na União Européia, dos 18 milhões recenseados oficialmente, dois terços são do sul do Mediterrâneo.

E já que as duas margens “estão irremediavelmente ligadas” a integração dos que se encontram em situação fragilizada deveria ser um objetivo claro no Norte, estima o ex-secretário geral das Nações Unidas.

Rejeição

Vale lembrar que o problema da integração dos estrangeiros é um dos mais agudos em países da Europa em que a densidade de imigrantes é muito grande.

É o caso da Suíça, onde o número de estrangeiros representa cerca de 20% da população.

O País adotou como polífica oficial de abrir suas fronteiras somente a cidadãos da União Européia, facilitando também a entrada dos cidadãos dos 30 países OCDE, Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que reúne as nações mais industrializadas. Fora disso, somente grandes especialistas têm mais chances de emigrar.

Autorização para estudar também é facilitada.

swissinfo com agências.

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