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Por que a Suíça é o paraíso dos banhos de rio nas cidades?

uma mulher no rio Aar, com o Palácio Federal ao fundo
Uma mulher no rio Aar, com o Palácio Federal ao fundo. Keystone / Anthony Anex

Nos dias quentes de verão, não é raro ver os rios que cruzam cidades suíças repletos de banhistas, que frequentemente se deixam levar pelas águas frescas do Aar, do Reno e do Ródano. Essa prática, que é perfeitamente normal para os suíços e suíças, muitas vezes surpreende os turistas. De onde vem essa cultura urbana de se banhar em águas correntes?

“O [rio] Aar, que desce dos Alpes, desenha uma longa curva ao redor do coração da capital suíça e talvez seja o melhor rio do mundo para se banhar”, relatou com empolgação o canal americano CNN, há alguns anos. É comum encontrarmos esse tipo de elogio e imagens espetaculares nas redes sociais.

O banho no Aar é uma instituição para os cidadãos e cidadãs de Berna. A população pode debater várias questões: política, o desempenho do [time de futebol de Berna] Young Boys e as regras de acesso aos espaços reservados para mulheres nas piscinas fluviais de Marzili, ao longo do Aar. Mas, quando se trata do “seu” rio, todo mundo concorda: não há nada mais bonito no verão.

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Two men playing with a ball in a river

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Cultura

Nadar nos rios das cidades vira moda na Suíça

Este conteúdo foi publicado em A exposição analisa o desenvolvimento histórico dos banhos de rio e permite que os visitantes vivenciem um mergulho nessas quatro cidades da perspectiva de um banhista em uma instalação visual. A mostra ‘Swim City’ também expõe projetos contemporâneos de banhos de rios urbanos da Europa e dos EUA, como ‘Flussbad’ em Berlim, ‘POOL IS COOL’…

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A cidade não hesita em lhe destinar recursos. Apenas à renovação da pequena piscina fluvial do bairro da Lorraine deverão ser destinados 22 milhões de francos suíços. A maioria da população aprovou esse gasto. A única polêmica foi o fato de a piscina da Lorraine precisar ficar fechada durante uma estação.

Os cursos d’água urbanos próprios para banho são menos comuns na Suíça francófona. Em Genebra, no entanto, pontos de saída equipados com plataformas flutuantes foram instalados a partir da ponte Sous-Terre para os banhistas que nadam no Ródano. Nadadoras e nadadores ambiciosos podem continuar até a barragem de Verbois, mas há perigo a partir de onde o Ródano e o Arve se encontram.

Lugares de banho para moradores e moradoras

A história dos banhos fluviais urbanos na Suíça remonta ao início do século 19, uma época na qual muitas casas não possuíam nem banheiro nem água corrente. As pessoas se banhavam nos rios principalmente para se lavarem. Foi assim que surgiram os “Kastenbäder”, uma espécie de balneário de madeira elevado sobre estacas, cujos tanques eram abastecidos pelas águas do rio.

A partir do final do século 19, quando a natação passou cada vez mais a ser considerada benéfica para a saúde, muitos outros balneários fluviais surgiram. Alguns desses estabelecimentos marcam a paisagem urbana até hoje.  Além do Lorrainebad, em Berna, destacam-se o Schwäbis, em Thun, e o Untere Letten, em Zurique.

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Mädchen im Wasserregen vor Schwimmbecken

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Cultura

Piscinas históricas na Suíça

Este conteúdo foi publicado em Não há quem não gosta de estar próximo da água. Antes da construção das piscinas públicas, a população se refrescava no verão nadando nos rios e lagos do país. Logo as autoridades proibiram o banho sem roupas. E nas piscinas construídas pelo governo, rígidas regras separavam homens e mulheres.  As piscinas públicas começaram a surgir…

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Uma virada a partir dos anos 1960

Com a industrialização, no entanto, a qualidade da água de inúmeros rios se deteriorou. Na metade do século 20, vários cursos d’água eram considerados poluídos e o banho não era mais possível em diversos pontos.

Foi apenas com a construção de estações de tratamento modernas e a adoção de leis mais rígidas sobre a proteção das águas que a situação começou a se reverter nos anos de 1960 e 1970. Acontecimentos como o acidente químico de Schweizerhalle em 1986 reforçaram a vontade política de limpar sistematicamente os cursos d’água.

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Jovens nadando no rio Aare, na cidade de Thun.

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Soluções para o clima

No passado era arriscado nadar nos lagos e rios da Suíça

Este conteúdo foi publicado em Os rios, riachos e lagos na Suíça são limpos e servem até como espaço de lazer. A qualidade de suas águas é exemplar. Muitos não imaginam que o banho nesses lugares era proibido no passado. Apenas 15% da população suíça estava ligada à rede de tratamento de águas até os anos 1960. O esgoto caseiro e industrial, muitas…

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A Suíça como modelo

Em outros lugares da Europa, o processo foi diferente. O banho em cursos d’água praticamente desapareceu da paisagem urbana. Foi apenas recentemente que a situação mudou. Paris, por exemplo, após um século de proibição, reabre pontualmente alguns trechos do Sena para banho, quando as análises regulares da água são favoráveis, e criou três locais de banho fluvial.

Em Munique, a qualidade da água do rio Isar melhorou consideravelmente graças às medidas de renaturalização e a uma maior proteção dos cursos d’água. Em Viena, o Neue Donau, ao longo da ilha do Danúbio, tornou-se um local muito procurado.

Rede mundial

Mais de 120 cidades de 40 países fazem parte da Swimmable Cities AllianceLink externo [Aliança das Cidades Balneáveis, em tradução livre], uma rede mundial em plena expansão. Ela reúne especialistas em urbanismo, proteção das águas e saúde pública, além de membros da sociedade civil.

Essa rede internacional está engajada em transformar os cursos d’água urbanos poluídos ou inacessíveis em lugares balneáveis. Com rios limpos, infraestruturas de qualidade e uma cultura do banho enraizada há décadas, a Suíça serve como modelo. As cidades de Basileia, Berna e Zurique são citadas regularmente como pioneiras.

A próxima grande reunião da Aliança, nos dias 11 e 12 de agosto, será realizada na Basileia. Antes do início do fórum, os delegados e delegadas se deixarão levar pela correnteza do Reno para descobrir, eles mesmos, a cultura suíça de banhos em cursos d’água.

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River recreation

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Demografia

Nadando nos rios suíços

Este conteúdo foi publicado em No verão, patrulhas cruzam o Reno dez horas por dia. Bombeiros, guardas de fronteira e polícia dividem o trabalho. O objetivo é, não só agir rapidamente em caso de emergência, mas também prevenir acidentes pois o rio pode ser perigoso.   Nas cidades os rios tem perigos especiais. Em Berna, capital suíça, num dia quente,…

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Adaptação: Clarice Dominguez

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