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Economia do Brasil cresceu 2,3% em 2025 mas perde força

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A economia do Brasil cresceu 2,3% em 2025, uma desaceleração na comparação com o ano anterior, no contexto de uma política monetária restritiva, segundo dados oficiais divulgados nesta terça-feira (3).

A desaceleração se explica principalmente pelas taxas de juros persistentemente altas, que atingem os investimentos, e pelo consumo das famílias, que chegou ao seu teto, segundo o economista André Perfeito, da firma Garantia Capital.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 3,4% em 2024, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No quarto trimestre do ano passado, a economia avançou 0,1% em relação ao trimestre anterior.

O índice que mede o desempenho da economia brasileira está de acordo com as expectativas do mercado, segundo as estimativas de instituições financeiras consultadas pelo jornal econômico Valor.

“O PIB ficou estável em relação ao terceiro trimestre, mesmo com a queda nos investimentos, por conta da estabilidade do consumo das famílias e do crescimento no consumo do governo”, afirmou Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais do IBGE.

Ela acrescentou que o crescimento da economia foi impulsionado pelas atividades “menos afetadas pela política monetária contracionista”.

O setor agropecuário liderou o crescimento com uma alta de 11,7%, estimulado por safras recorde de milho (23,6%) e soja (14,6%). A extração de petróleo e gás também contribuiu consideravelmente dentro do setor industrial.

– Desemprego baixo, juros altos –

A cifra do PIB “não é ruim”, diz à AFP Perfeito, mas, com o desemprego em seu menor nível desde 2012, “crescer só 2,3% é muito pouco, […] não dá para comemorar”.

Para o economista, um dos maiores problemas é que as famílias gastaram no ano passado muito menos do que em 2024 devido ao seu endividamento, que se explica pelas altas taxas de juros. O consumo das famílias em 2025 cresceu 1,3%, ante 5,1% do ano anterior.

O Banco Central manteve a taxa básica de juros, a Selic, sem alterações em janeiro pela quinta vez consecutiva, a 15%, em um esforço para conter a inflação, que continua próxima do intervalo de tolerância da meta oficial.

O BC, no entanto, antecipou uma possível redução a partir de março, condicionada à evolução dos preços e ao “contexto externo incerto”, em referência às tensões comerciais globais e à política econômica dos Estados Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou diversas vezes que as taxas de juros elevadas afetam a economia.

– Tarifas e inflação –

A economia do Brasil também enfrentou, em 2025, as tarifas americanas de até 50% sobre vários produtos, que entraram em vigor em agosto.

Desde então, Washington anunciou isenções para diversos setores, incluindo carne bovina e café, dos quais o Brasil é o maior produtor e exportador mundial.

O país registrou em janeiro uma inflação acumulada em 12 meses de 4,44%, uma leve alta na comparação com dezembro.

O Banco Central estabelece a meta de inflação em 3%, com um intervalo de tolerância de mais ou menos 1,5 ponto percentual.

ll/app/mel/fp/jc/ic/am

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