Espanha inicia controles fronteiriços com a Itália após crise migratória
Os agentes espanhóis iniciaram neste sábado (8) os controles temporários nas fronteiras para viajantes procedentes da Itália, uma decisão adotada em resposta às medidas semelhantes impostas por Roma após a entrada maciça de migrantes em Ceuta no final de julho.
Estes controles em conexões aéreas e marítimas estão sendo realizados “de forma aleatória”, centrados especialmente “nos passageiros que sejam cidadãos nacionais de países terceiros”, especificou neste sábado o Ministério do Interior.
Nos voos inspecionados, os agentes efetuam o controle na saída da passarela que leva ao exterior do avião, sem causar desvios no fluxo de passageiros, ressaltou.
“Não vejo muito a palavra diplomacia utilizada nestas decisões, nem por parte do governo italiano nem pelo governo espanhol”, afirmou à AFPTV Maria Celeste Grillo, uma turista italiana de 36 anos recém-chegada ao aeroporto de Madri-Barajas, na capital espanhola.
Embora não tenha visto controles na chegada de seu voo, considerou “triste” a implementação destas medidas.
O governo espanhol, presidido pelo socialista Pedro Sánchez, anunciou estas ações na sexta-feira, depois que a Itália rejeitou o ultimato lançado horas antes exigindo o fim dos controles impostos após a crise de Ceuta.
A medida na Espanha passou a valer à 0h00 de sábado (19h de sexta-feira em Brasília) e se prolongarão, em princípio, até à 0h00 de 7 de setembro, indicou o ministério.
As autoridades espanholas justificaram a ação pela “persistente pressão migratória irregular” enfrentada pela Itália, onde chegam milhares de migrantes por via marítima todos os anos.
Roma fechou temporariamente para a Espanha o espaço Schengen, a zona de livre circulação da União Europeia, após a chegada de cerca de 72.000 migrantes ao enclave espanhol no norte da África vindos do vizinho Marrocos no fim de julho.
O Executivo da primeira-ministra de extrema direita Giorgia Meloni justificou então a medida como “uma decisão necessária para proteger a segurança” de seus cidadãos “e defender as fronteiras da Europa”.
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