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EUA e Irã chegam a acordo-quadro sujeito a aprovação de Trump

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Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo-quadro para frear a guerra no Oriente Médio, que já dura quatro meses. O documento ainda precisa da aprovação do presidente Donald Trump, informaram nesta quinta-feira (28) à AFP fontes americanas.

O anúncio foi feito após os dois países se acusarem mutuamente de violar um cessar-fogo, o que evidencia a instabilidade das negociações para conter o conflito regional, que eclodiu em 28 de fevereiro, com bombardeios de Israel e Estados Unidos contra o Irã.

As fontes americanas confirmaram uma informação publicada inicialmente pelo portal de notícias Axios, segundo a qual as partes chegaram a um memorando de entendimento para prorrogar a trégua e iniciar negociações sobre o programa nuclear do Irã.

Segundo essa proposta, o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz não teria restrições, o Irã removeria todas as minas em 30 dias e os Estados Unidos levantariam seu bloqueio naval se o trânsito comercial fosse retomado, informou o Axios.

Mas a agência de notícias iraniana Tasnim, que citou uma fonte próxima dos negociadores de Teerã, negou que o texto estivesse finalizado e ressaltou que qualquer acordo será informado ao Paquistão, que atua como mediador.

Fontes iranianas citadas pela imprensa local disseram que um eventual acordo só será considerado fechado quando for anunciado por Teerã, e não unilateralmente pelo governo americano.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, disse no fim desta noite que Donald Trump ainda não estava pronto para aprovar o memorando de entendimento, embora as negociações tivessem avançado. “Estamos indo e vindo sobre algumas questões de redação.”

As informações foram divulgadas pouco depois das hostilidades mais graves desde a implementação do cessar-fogo, em 8 de abril. Forças americanas realizaram bombardeios na cidade de Bandar Abbas e a Guarda Revolucionária anunciou um ataque em represália contra uma base dos Estados Unidos.

O Kuwait, aliado de Washington, condenou um ataque com drones e mísseis atribuído ao Irã contra o seu território, o que considerou “uma escalada perigosa”. Já o Exército americano descreveu a ofensiva como uma “violação flagrante do cessar-fogo”.

As forças iranianas fizeram disparos de advertência contra quatro embarcações que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, informou nesta quinta-feira a TV estatal (Irib).

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou as “violações contínuas do cessar-fogo” por parte dos Estados Unidos, e seu porta-voz, Esmaeil Baqaei, assegurou que Teerã “tomará todas as medidas necessárias para defender sua soberania nacional”.

– “Inferno” –

Moradores de Teerã expressaram preocupação. Mahtab, uma cabeleireira de 62 anos, disse estar aliviada porque sua filha conseguiu deixar o país, já que viver ali “é um inferno” Seu filho, contou com tristeza, é obrigado a “viver um dia de cada vez”, sem nenhuma perspectiva de futuro.

Um ponto-chave do acordo proposto é restabelecer totalmente a navegação no Estreito de Ormuz, praticamente fechado pelo Irã e por onde, antes da guerra, transitava um quinto das exportações globais de hidrocarbonetos.

Os mercados permaneceram voláteis. O petróleo do tipo Brent caiu após subir cerca de 2,5%, enquanto Wall Street fechou em alta, apesar da queda da maioria das bolsas europeias e asiáticas.

O impacto econômico da guerra tornou-se mais difícil de ignorar, e analistas alertam que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pode manter os preços da energia elevados e tornar a inflação incontrolável.

O secretário americano do Tesouro, Scott Bessent, ameaçou hoje sancionar Omã caso o país colabore com o Irã em um sistema de pedágios no estreito.

– Ataques no Líbano –

Em outra frente ativa, os bombardeios e combates entre Israel e o grupo pró-Irã Hezbollah prosseguiam no Líbano, apesar de outro cessar-fogo, em vigor desde 17 de abril.

O Exército israelense afirmou hoje que realizou um ataque na região de Beirute, que atingiu um apartamento ao sul da capital, segundo as Forças Armadas libanesas.

A AFPTV registrou imagens de uma coluna de fumaça saindo de uma área próxima ao subúrbio do sul de Beirute, um reduto do Hezbollah.

O Ministério da Saúde do Líbano informou que o ataque na região de Beirute matou três pessoas e deixou 15 feridos. Na véspera, havia divulgado que 3.269 pessoas morreram em ataques israelenses desde o começo da guerra, em março.

bur/smw/ube/roc/ega/arm/lb/pb/avl/lm/aa/mvv/am-lb/ic

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