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Davos discute futuro da indústria 4.0

Robôs inteligentes e drones, impressoras 3D, carros autônomos, big data, linhas de produção inteligentes, tecnologia financeira, cadeia de blocos: a quarta revolução industrial chegou. O Fórum Econômico Mundial de Davos (WEF, na sigla em inglês) irá refletir sobre o potencial, as limitações e o impacto social da indústria inteligente. 

Este conteúdo foi publicado em 20. janeiro 2016 - 11:00
swissinfo.ch
Um robô serve clientes em um restaurante no Japão. Reuters

A transformação do trabalho provoca emprego ou desemprego? Ela irá aumentar ou diminuir o fosso existente entre as economias industrializadas e em desenvolvimento, entre ricos e pobres? Para empresas suíças, a nova revolução tecnológica pode aliviar as pressões causadas pelo franco valorizado?

Em declarações proferidas antes da conferência, o fundador do WEF, Klaus Schwab, conclamou os líderes mundiais a rever as políticas para se adaptar às mudanças futuras. "Ainda não estamos suficientemente preparados para essa quarta revolução industrial, que cairá sobre nós como um tsunami e mudar sistemas inteiros", disse.

"Meu temor é que se não nos prepararmos, iremos criar um mundo onde particularmente a classe média estará em vias de extinção. Isso levaria a um novo problema de exclusão social, algo que temos absolutamente de evitar."

A Suíça continua a debater sobre as possibilidades e os perigos da indústria 4.0, também anunciada como a maior transformação da economia e da sociedade desde o nascimento da internet.

Os esforços da Suíça estão sendo conduzidos pela habitual mistura de grandes atores industriais e financeiros, pequenas empresas especializadas em nichos de mercado, cuja expertise se complementa com as novas demandas tecnológicas e onde a pesquisa é impulsionada pelos institutos federais de tecnologia e outros centros de ensino. 

Oportunidade suíça

Em face disso, a indústria 4.0 é o reforço perfeito para o setor industrial exportador do país, hoje prejudicado pela forte valorização do franco, ou bancos que enfrentam os desafios provocados pelas tendências de crescente regulamentação. As linhas de produção inteligentes e as plataformas digitais de administração de fortunas parecem ser a melhor resposta à deslocalização do parque industrial para o leste da Europa ou o fechamento completo das fábricas.

O problema, como sempre, é encontrar o caminho de transformar os sonhos em realidade, particularmente para as pequenas empresas. "As pequenas e médias empresas (PMEs) têm recursos limitados", afirma Oliver Müller, diretor da Swissmechanic, em uma conferência recentemente organizada em Zurique sobre o tema da indústria 4.0. "Elas possuem muito know-how sobre os procedimentos em vigor, mas sofrem dificuldades para sair da sua zona de conforto e enfrentar algo que parece ainda desconhecido."

Esse conjunto esmagador de novas tecnologias pode ser um tiro pela culatra para empresas que escolhem a estratégia errada ou simplesmente se sobrecarregam pelo grande volume de dados projetados em sua direção, discutiu-se na conferência. 

Mas nem tudo está perdido. De acordo com a consultoria alemã Roland Berger, a Suíça está bem posicionada para se tornar uma das líderes da indústria 4.0 na Europa. Isso explica-se pelo fato das empresas suíças serem especializadas em produtos inovadores de alto valor agregado. A Suíça regularmente está nas primeiras três posições nos rankings dos estudos de inovação global.

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Em acréscimo, a Suíça (na base de 19%) é um dos poucos países europeus a ter mantido a sua base industrial desde a virada do milênio (medido pela percentagem da contribuição da indústria ao total da atividade econômica do país).

"Se as empresas suíças incorporarem a indústria 4.0 ao seu pleno potencial, elas poderiam contribuir um extra de 15 bilhões de francos de mais-valia para a economia em 2025", declarou o consultor da Roland Berger Suíça, Sven Siepen, à swissinfo.ch

Ameaça ao emprego

Todavia não é possível ignorar os desafios apresentados pela tecnologia da indústria 4.0. Delegados do WEF irão analisar o tema recorrente da segurança de dados, uma questão sensível para os bancos suíços. Davos também irá focalizar nas possíveis consequências de produzir máquinas inteligentes, com um debate para responder à questão: "E se os robôs forem às guerras?"

Mas talvez a pergunta mais pertinente para a vida cotidiana das pessoas é: como será a questão do emprego em uma era de robôs inteligentes e pontos automatizados de serviço para clientes?

Muitos estudos preveem o fim das funções exercidas por trabalhadores menos qualificados nas próximas décadas. No ano passado, a consultoria Deloitte Suíça previu que a metade dos empregos disponíveis atualmente na Suíça pode desaparecer com a automação. No topo da lista estão funções administrativas, de secretariado e na agricultura. Porém outros estudos também ressaltaram que contabilistas e pilotos têm motivos de sobra para se preocupar com o futuro. 

O sindicato Unia também teme também o fim de muitos empregos no setor varejista, de saúde e nas linhas de produção das fábricas. "Para que você necessita de pessoas para produzir determinados produtos se uma impressora em 3D pode executar tão bem o serviço como seres humanos?", questionou Vania Alleva, presidente da Unia, em dezembro. "O trabalho executado hoje em dia pelas pessoas será assumido por redes de máquinas e robôs", concluiu para os jornalistas.

A Unia também receia também que o mundo do trabalho se fragmente com mais pessoas trabalhando como freelance ou à distância (home office). Os sindicatos temem que isso poderia destruir o poder de negociação coletiva de trabalho.

Todavia, outros observadores ressaltam que a indústria 4.0, assim, como já ocorreu com outras revoluções industriais, também poderá criar empregos. Robôs precisam ser desenvolvidos e programados por profissionais especializados. Também a big data (megadados), o grande conjunto de dados armazenados, necessita ser analisado por pessoas capacitadas para poder ter alguma utilidade.

"Operários treinados na montagem manual continuarão a ser substituídos por processos automatizados, pois a Suíça não pode se dar ao luxo de descartar essas novas formas de produção", declara Sven Siepen. "Mas isso não é novidade. Algumas unidades de produção em cidades industriais como Winterthur foram fechadas, mas os níveis de emprego continuam fortes (índice de desemprego no final de 2015: 3.3%).

WEF Davos

O 46º Fórum Econômico Mundial se realiza de 20 a 23 de janeiro na estação invernal suíça de Davos. O tema do ano: "Dominando a Quarta Revolução Industrial". No evento irão participar aproximadamente 2.500 líderes do setor privado, dos governos, sociedade civil, cultura, religião e ciência.

Cerca de 40 chefes de Estados devem estar presentes, dentre eles, o primeiro-ministro David Cameron (Grã-Bretanha), vice-presidente Joe Biden (EUA), primeiro-ministro Justin Trudeau (Canada) e o primeiro-ministro Alex Tsipras (Grécia)

Outros temas tratados em Davos: segurança internacional, terrorismo, imigração e questões ambientais.

O WEF foi iniciado pelo professor alemão Klaus Schwab em 1971 em Davos, inicialmente sob o nome de "Simpósio Europeu de Administração". O objetivo era conectar líderes empresariais europeus aos seus homólogos nos Estados Unidos e encontrar formas de aumentar as conexões e solução de problemas. O fórum modificou seu nome atual em 1987, uma vez que ampliou seus horizontes para fornecer uma plataforma na busca de soluções para questões internacionais.

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