Houthis ameaçam atacar interesses americanos se EUA apoiar Arábia Saudita
Os houthis do Iêmen vão atacar os interesses americanos na região se os Estados Unidos apoiarem a Arábia Saudita ou intervierem no Estreito de Bab el Mandeb, advertiu um assessor militar em entrevista à AFP.
Este mês, o movimento houthi pró-Irã tomou o controle dessa passagem marítima, porta de entrada para o Mar Vermelho, em combates que deixaram centenas de mortos.
Os houthis também atacaram alvos sauditas, inclusive a capital, Riade, pela primeira vez em anos.
A Arábia Saudita, que apoia o governo do Iêmen reconhecido por boa parte da comunidade internacional, tenta conter o avanço e, segundo vários veículos de comunicação, pediu ajuda militar aos Estados Unidos e a outros países para combater os houhtis.
“Se os Estados Unidos se atreverem a intervir militarmente com suas frotas ou tentarem tomar o controle de Bab el Mandeb, isso representará uma linha vermelha tanto para eles como para qualquer outro”, disse à AFP Abed Mohamed al Thawr em entrevista na terça-feira em Saná.
O assessor militar acrescentou também que, se os Estados Unidos apoiarem a Arábia Saudita com ataques aéreos, eles vão considerar “como alvo qualquer interesse americano que se encontrar ao nosso redor e não excluiremos nada”.
Ele acrescentou que fechariam Bab el Mandeb “completamente para os navios americanos”. O bloqueio imposto pelos houthis afeta o reino saudita, principal exportador mundial de petróleo.
A guerra civil no Iêmen se intensificou com o conflito desencadeado em fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que respondeu com represálias contra as monarquias do Golfo e com o bloqueio do estreito de Ormuz.
– “Um só corpo” com o Irã –
Os houthis afirmam que a Arábia Saudita realizou centenas de ataques no Iêmen desde que os combates foram retomados em julho, mas eles, por sua vez, atacaram em várias ocasiões o país vizinho, inclusive sua capital, Riade, no sábado passado.
O movimento pró-Irã também impõe um bloqueio marítimo aos navios sauditas, o que afeta consideravelmente o maior exportador mundial de petróleo, já impactado pelas fortes restrições impostas por Teerã à navegação no Estreito de Ormuz, do outro lado da península Arábica.
Durante a entrevista à AFP, o conselheiro militar negou ter recebido instruções do Irã, mas afirma que os houthis e Teerã formam “uma aliança e um só corpo”.
“O Irã é um país amigo, aliado e irmão para nós, mas não nos dá ordens. Somos independentes em nossas decisões e em nossa soberania”, afirmou Thawr.
“Enquanto a Arábia Saudita insistir e continuar destruindo nosso país e atacando nosso povo, responderemos com mão de ferro”, acrescentou.
“Contamos com capacidade suficiente para colocar a Arábia Saudita em seu devido lugar, castigá-la e tirá-la do jogo nos campos do petróleo e da economia”, assegurou.
O Irã negou recentemente qualquer envolvimento na guerra do Iêmen. Desde o início de setembro, os combates entre as forças governamentais, apoiadas pelos aviões sauditas, e os houthis deixaram centenas de mortos no Iêmen, segundo fontes dos dois lados.
Ao todo, segundo uma estimativa da AFP baseada nessas fontes, cerca de 750 combatentes morreram, assim como dezenas de civis, principalmente em bombardeios.
A guerra no Iêmen eclodiu em 2014, quando os houthis tomaram o controle da capital, Saná, e depois de outras regiões, o que desencadeou, em 2015, a intervenção de uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita.
Em 2022, foi alcançada uma trégua, mas os combates foram retomados em julho, no rastro do conflito regional desencadeado pela ofensiva lançada em fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã.
Mais de 130.000 pessoas foram deslocadas no Iêmen desde o início de setembro, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que afirmou na terça-feira esperar novos deslocamentos em massa nos próximos meses.
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