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Hungria se prepara para votar em eleições legislativas, com Orbán por um fio

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A Hungria votará, no próximo domingo (12), em eleições legislativas que terão uma cobertura internacional inédita, e nas quais o primeiro-ministro nacionalista, Viktor Orbán, no poder desde 2010, não chega como favorito.

Embora o país que governa seja pequeno (9,5 milhões de habitantes), Orbán é uma referência na extrema direita internacional, tanto dentro como fora da Europa.

Ele se tornou conhecido como um firme opositor à imigração, aos direitos LGBTQIA+ e ao apoio contínuo dos países ocidentais à Ucrânia em sua guerra contra a Rússia; questões pelas quais este crítico da União Europeia, próximo da China e da Rússia, já se confrontou em várias ocasiões com Bruxelas.

No exterior, o nacionalista de 62 anos continua contando com apoios como o do governo americano de Donald Trump e de líderes latino-americanos, como o argentino Javier Milei e o chileno José Antonio Kast.

Ele recebeu Milei em março, em Budapeste, e se reuniu com Kast em fevereiro, antes que este assumisse a Presidência do Chile.

Nesta terça-feira (7), Orbán recebeu na capital húngara o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que atacou Bruxelas durante uma coletiva de imprensa.

“Eu quis enviar um sinal ao mundo inteiro, especialmente aos burocratas de Bruxelas, que fizeram tudo o que puderam para reprimir o povo da Hungria porque não gostam do líder que, na verdade, se colocou ao lado do povo da Hungria”, declarou o americano, que viajou a Budapeste para apoiar o primeiro-ministro.

A Comissão Europeia respondeu que a UE constrói com os Estados-membros “uma Europa mais forte e independente”.

No entanto, Orbán viu seu férreo controle do poder se enfraquecer, tendo o risco de perder nas legislativas de domingo.

Pesquisas independentes indicam uma possível vitória da oposição, do partido conservador Tisza, liderado por Peter Magyar. Embora nas fileiras do governo haja confiança de uma surpresa e que a coalizão formada pelo Fidesz, partido de Orbán, e pelos democratas-cristãos do KDNP sairá vitoriosa.

Os analistas esperam uma participação elevada, de até 80%, ao término de uma campanha particularmente intensa.

Nas últimas semanas, o serviço de Inteligência foi acusado de tentar sabotar o Tisza, e o chanceler húngaro, Peter Szijjarto, reconheceu que defende os interesses da Rússia na UE, tal como revelou uma investigação de meios de comunicação europeus baseada no vazamento de conversas telefônicas.

O ministro teria alinhado argumentos para tentar justificar o levantamento de sanções europeias impostas a Moscou pela invasão da Ucrânia, e teria dito ao seu homólogo russo, Serguei Lavrov: “Estou a seu serviço”.

– “Importância desproporcional” –

Orbán atacou repetidamente a Ucrânia durante a campanha e continua bloqueando um empréstimo europeu de 90 bilhões de euros (R$ 537 bilhões, na cotação atual) a Kiev, algo que o chefe de governo alemão, Friedrich Merz, qualificou como um “ato flagrante de deslealdade”.

O argumento da Hungria é de que o país deixou de receber petróleo russo através de um oleoduto que atravessa a vizinha Ucrânia, e que ficou danificado pelos bombardeios de Moscou. O governo húngaro acusa Kiev de estar demorando de propósito para repará-lo.

O premiê húngaro governa um país com menos de 10 milhões de habitantes, mas possui uma “importância desproporcional” em nível global, ressalta Jacques Rupnik, professor emérito do Sciences Po Paris.

Visto de fora, o principal ponto em jogo para a comunidade internacional é saber se a Hungria continua sendo “benevolente” aos interesses russos ou se demonstra “vontade de recompor as relações com a União Europeia”, da qual faz parte desde 2004, indica Rupnik.

– “Agora ou nunca” –

Nos últimos quatro anos, a popularidade do líder nacionalista caiu devido à estagnação econômica e a uma série de escândalos.

Seu adversário, Peter Magyar, um ex-aliado de Orbán, prometeu “uma mudança de sistema” se vencer as eleições: combater a corrupção, melhorar os serviços públicos, resgatar a qualidade democrática das instituições.

Para isso, o político de 45 anos escolheu como lema o slogan histórico dos revolucionários húngaros: “Agora ou nunca”.

Apenas cinco partidos participarão das legislativas de domingo, o menor número desde a democratização do país em 1990, após a era comunista.

Vários partidos decidiram não concorrer, para favorecer a concentração de votos na oposição e fomentar uma virada política.

Quanto ao transcurso das eleições, tem surgido temores em relação à lisura do pleito e algumas ONGs alertaram para a possível manipulação dos votos dos húngaros.

A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) mobilizou uma missão de observação eleitoral pela segunda vez consecutiva.

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