Israel relembra as vítimas de 7 de outubro antes das eleições
Israel homenageia, nesta quarta-feira (7), as vítimas do ataque lançado há três anos pelo movimento islamista palestino Hamas, uma comemoração marcada pela tensão política antes das eleições deste mês e por novos bombardeios na Faixa de Gaza.
Em Reim, onde em 7 de outubro ocorria o festival de música eletrônica Nova — invadido ao amanhecer por milicianos islamistas —, familiares das vítimas fizeram um minuto de silêncio às 06h29 (00h29 no horário de Brasília), horário exato em que começou o ataque a partir de Gaza no dia mais sangrento do Estado de Israel desde sua criação.
“Foi o minuto em que nossas vidas mudaram para sempre”, disse à AFP Katia Zohar, mãe de Bar, assassinada aos 23 anos junto com outras 360 pessoas naquele festival, a poucos quilômetros da Faixa de Gaza.
“Lembro de tudo”, acrescentou. “Do momento em que ela me ligou para que eu fosse buscá-la, porque havia mísseis voando (…), e depois quando ligou da estrada, gritando que estavam atirando nela”.
“Sinto muita falta dele”, afirmou, por sua vez, Anna Davitashvili, de 53 anos, ao lembrar de seu filho mais velho, Shaun, morto aos 25 anos junto com amigos no festival Nova.
Também foi observado um momento de silêncio no kibutz Kfar Aza, onde 64 pessoas foram mortas e 18, sequestradas durante o cerco mortal.
As cerimônias foram realizadas este ano em plena campanha eleitoral, antes das eleições de 27 de outubro, que se anunciam muito acirradas.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou, em um comunicado, que este é um dia no qual “o povo se une na lembrança”.
“Concluímos a missão: estamos aqui e faremos todos os assassinos prestar contas”, afirmou.
As pesquisas antecipam uma disputa difícil para Netanyahu, que nos últimos três anos também lançou campanhas maciças no Líbano e no Irã, e também interveio na Síria.
Um de seus adversários é Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro que o critica por não ter evitado os ataques.
“Foi um fracasso colossal do Estado de Israel, que foi fundado para defender os judeus na nossa terra”, declarou a jornalistas no local do festival Nova.
– Trauma nacional –
Na manhã de sábado, 7 de outubro de 2023, coincidindo com uma festividade judaica, centenas de combatentes palestinos cruzaram a fronteira após lançarem uma robusta salva de foguetes a partir de Gaza.
Armados com fuzis e granadas, eles massacraram famílias em comunidades agrícolas e atacaram delegacias e bases do exército, em um dia que deixou 1.221 mortos, segundo um levantamento da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
Os membros do Hamas também fizeram 251 reféns e os levaram para Gaza; 44 deles já estavam mortos.
Este ataque marcou profundamente Israel e gerou um trauma nacional em um país que sempre se orgulhou de proteger suas fronteiras apesar das adversidades.
O Hamas, que permanece presente em Gaza apesar das promessas incessantes de Netanyahu de eliminar o movimento, divulgou um comunicado apresentando o 7 de outubro como “um dia glorioso na história do nosso povo”.
O movimento afirmou ter “derrubado o mito do exército invencível” e declarou que a ofensiva de um ano atrás foi “a resposta natural e a culminação de décadas de sofrimento amargo”.
– Segurança reforçada –
Os eventos são realizados com segurança reforçada a três semanas das eleições gerais em Israel e uma semana depois do frustrado ataque contra um avião que saiu de Dubai com destino a Tel Aviv.
As comemorações ganharam este ano uma dimensão especial também por serem as primeiras desde a entrada em vigor do cessar-fogo em Gaza, em outubro do ano passado.
O território palestino foi reduzido a escombros e mergulhou em uma imensa crise humanitária após mais de dois anos de hostilidades israelenses, que deixaram mais de 74.000 mortos, segundo dados das autoridades do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
Segundo as autoridades do território palestino, pelo menos três pessoas morreram nesta quarta-feira em ataques israelenses noturnos no local. O exército israelense afirmou que dois dos mortos eram “terroristas” do Hamas.
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