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Mais de mil pessoas já foram detidas em protestos contra mineradora canadense no Panamá

Pessoa se defende com um guarda-chuva do lançamento de material antidistúrbio da polícia, durante os protestos contra a mineradora canadense First Quantum Minerals, em 25 de outubro de 2023, na Cidade do Panamá afp_tickers

Os protestos que acontecem no Panamá há quatro semanas contra uma mineradora canadense deixaram mais de mil detidos, informou nesta sexta-feira (17) a polícia panamenha.

“No total, 1.156 pessoas foram detidas […] por cometerem atos de vandalismo e danos a propriedades públicas e privadas durante as manifestações”, disse em nota a Polícia Nacional, que detalhou que 151 são menores de idade.

A polícia também afirmou que foram vandalizados 63 estabelecimentos comerciais e 19 instituições, além de estações de metrô, caixas eletrônicos e dependências policiais.

Duas pessoas morreram por disparos de um advogado panamenho-americano nos bloqueios de estradas, e pelo menos uma atropelada por um veículo.

O Panamá completa hoje quatro semanas de protestos contra o contrato firmado entre o Estado e a companhia canadense First Quantum Minerals (FQM), que permite à multinacional operar por 40 anos a maior mina de cobre a céu aberto da América Central, situada no Caribe panamenho.

Esse contrato, aprovado em 20 de outubro pelo Congresso, substitui um acordo de 1997, declarado inconstitucional por ter sido firmado sem licitação nem consulta popular. Os manifestantes garantem que o novo pacto tem os mesmos problemas e que a mina já provocou danos ao meio-ambiente.

“Vamos ficar nas ruas até recuperarmos a soberania, a autodeterminação e a dignidade do país”, afirmou Saúl Méndez, secretário-geral do sindicato da construção, um dos grupos que convocaram os protestos.

Segundo uma entidade patronal, os protestos e bloqueios de estradas já causam perdas superiores a 1,7 bilhão de dólares (R$ 8,3 bilhão).

O Congresso aprovou neste mês uma moratória da mineração de metais para reduzir a insatisfação popular e deixou nas mãos da Suprema Corte de Justiça o futuro do contrato.

O governo e a mineradora garantem que o novo contrato fornece aportes mínimos anuais ao Estado de 375 milhões de dólares (R$ 1,8 bilhão), dez vezes mais que o acordo inicial, que a mina é responsável por 5% do Produto Interno Bruto (PIB) panamenho e gera aproximadamente 50.000 empregos diretos e indiretos.

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