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Reforma tributária pode levar mais mulheres ao trabalho na Suíça?

Mais pessoas empregadas com tributação individual
Vários estudos estimam que a reforma poderá resultar em 12 000 a 20 000 empregos equivalentes a tempo integral adicionais em todo o país. IMAGO/Westend61

Defensores da tributação individual afirmam que, se os casais casados deixassem de ser tributados em conjunto, mais mulheres ingressariam no mercado de trabalho. A proposta será submetida a referendo nacional em 8 de março. A seguir, um panorama dos principais argumentos e estimativas.

No sistema atual, os casais casados são tributados em conjunto. Seus rendimentos são somados e tributados como uma unidade. Por causa da progressividade do imposto, isso pode resultar em uma carga tributária maior do que se cada cônjuge fosse tributado individualmente.

A estrutura tributária atual costuma afetar mais o cônjuge que ganha menos, que na maioria das vezes é a mulher. Qualquer renda adicional pode ser em grande parte absorvida por impostos mais altos. Quando há crianças, e é necessário organizar e custear seu cuidado, o segundo rendimento geralmente se torna pouco vantajoso.

O que argumentam os defensores da tributação individual?

Os defensores da tributação individual acreditam que eliminar a desvantagem fiscal permitiria que mais esposas e mães ingressassem no mercado de trabalho ou aumentassem sua carga horária.

Embora as consequências não possam ser previstas com exatidão, vários estudos estimam que a reforma poderia gerar entre 12.000 e 20.000 empregos equivalentes a tempo integral em todo o país.

A análise mais recente (IWP, Brandt, 2025Link externo) estima cerca de 16.000 vagas adicionais equivalentes a tempo integral. Esse número combina 15.000 pessoas ingressando no mercado de trabalho pela primeira vez com o aumento da carga horária entre aquelas que já trabalham em meio período.

Estudos anteriores encomendados pela Ecoplan (2019)Link externo e pelo Ministério da Economia suíço (2022)Link externo chegaram a conclusões semelhantes. Todos os estudos atribuem a maior parte do aumento potencial às mulheres, já que elas têm maior probabilidade de trabalhar em meio período ou não trabalhar.

A premissa subjacente é que a redução da tributação aumenta o retorno financeiro do trabalho. A teoria econômica sugere que as pessoas tendem a trabalhar mais quando mantêm uma maior parte de sua renda após os impostos. O efeito exato varia conforme as premissas adotadas, o que explica as diferenças entre as estimativas. O que mais importa, no entanto, é a ordem de grandeza, que é amplamente consistente entre os estudos.

Tempo ou dinheiro?

Um argumento contrário é que pessoas que precisariam trabalhar menos para manter a mesma renda poderiam, em vez disso, optar por mais tempo livre ou dedicar-se a cuidados não remunerados. Ainda assim, todos os estudos concluem que, em geral, cortes de impostos tendem a levar mais pessoas a trabalhar ou a aumentar sua carga horária.

Resta saber se isso continuará sendo verdadeiro no futuro. Tendências recentes indicam que muitas pessoas estão cada vez mais valorizando o tempo em vez da renda, especialmente em setores onde os salários já são elevados.

O potencial de mão-de-obra já é majoritariamente utilizado?

A participação feminina na força de trabalho na Suíça (80%) já é alta para os padrões internacionais. Combinada aos salários relativamente elevados, essa situação permite que muitas famílias optem pelo trabalho em meio período. A tendência forte e persistente ao emprego parcial reflete essa realidade.

Existem empregos suficientes?

Qualquer aumento na disponibilidade de trabalhadores também precisaria ser absorvido pelo mercado de trabalho. Isso depende de fatores como qualificações, demanda por trabalho, estrutura das empresas e o contexto econômico de modo geral.

Qual é a dimensão do efeito?

A tributação individual em nível federal provavelmente incentivaria uma maior participação feminina no mercado de trabalho. O tamanho exato do efeito, porém, permanece incerto. Um aumento de 10.000 a 20.000 empregos em um mercado com cerca de 4,5 milhões de vagas seria significativo, mas não transformaria fundamentalmente o mercado de trabalho suíço.

Adaptação: Clarice Dominguez/fh

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