The Swiss voice in the world since 1935
Principais artigos
Democracia suíça
Newsletter
Principais artigos
Debate
Newsletter

Nova onda de calor em vários países da Europa, afetada por uma seca generalizada

afp_tickers

Após um mês de julho de temperaturas recordes, a Europa enfrenta no início de agosto uma nova onda de calor, em um contexto de seca generalizada que deixou vários dos grandes rios do continente em seu nível mais baixo.

A Europa Ocidental, continente que está aquecendo mais rapidamente em escala mundial, já sofreu desde maio quatro episódios de calor extremo, segundo o Copernicus, observatório europeu das mudanças climáticas.

Várias agências meteorológicas nacionais anunciam novas ondas de calor, após as temperaturas sem precedentes do mês passado.

A seca também está se espalhando. Quase generalizada na França e na Espanha, onde favorece incêndios devastadores, ela também afeta regiões do Reino Unido e da Alemanha.

 

– Termômetros em alta –

 

“Uma nova onda de calor extremo está prestes a avançar para o norte por grande parte do Reino Unido”, advertiu no domingo o serviço meteorológico britânico (Met Office), que prevê temperaturas de até 36ºC no leste e no sudeste da Inglaterra.

Na França, também é esperado um “novo episódio de onda de calor” na terça-feira, com máximas que chegarão a 39°C no sul, anunciou a Météo France.

O país enfrenta sua terceira onda de calor do verão, após a de junho – historicamente intensa – e a de julho, a mais prolongada (16 dias).

O último mês de julho também foi o mais quente já registrado na Espanha, ao lado de julho de 2022. A temperatura média ficou em 25,7°C, ou seja, “2,6°C acima do normal”, segundo a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet).

Países do centro da Europa, pouco habituados ao calor, registraram na semana passada recordes absolutos de temperatura, como a Eslováquia (42,2°C) e a Áustria (41,2ºC).

 

– Seca generalizada –

 

Segundo uma análise da AFP, em julho, quase todo o território metropolitano da França (95%) e praticamente toda a Suíça (99%) foram afetados pela seca.

Trata-se de dois recordes desde o início dos dados do Observatório Europeu da Seca, em 2012.

Segundo esses dados, mais da metade da superfície da União Europeia (UE) estava afetada pela seca em julho.

Três países também registraram o mês de julho mais seco de todos os tempos: Hungria (94%), Eslovênia (93%) e Áustria (91%).

Em julho, os níveis de umidade do solo “foram claramente inferiores aos de julho de 2022, o último verão marcado por uma grave seca” na Europa Ocidental, acrescentou o Copernicus.

Espanha e Inglaterra atravessaram os meses de julho mais secos desde que há registros.

Segundo as autoridades britânicas, a Inglaterra, conhecida por seu clima úmido, registrou sete semanas consecutivas com menos de 10 mm de chuva, e algumas áreas do leste e do sudeste receberam menos de 1 mm.

Como consequência, os parques verdes e extensos de Londres apresentam um aspecto seco e amarelado.

O governo declarou nesta segunda-feira que mais de 70% da Inglaterra está em situação de seca.

Na França, a seca obrigou à imposição de restrições ao uso da água em quase 70% do território continental, afirmou o Ministério da Transição Ecológica.

Em 67 dos 101 departamentos, a água só pode ser utilizada para questões prioritárias: atendimento à saúde, proteção civil, abastecimento de água potável e saneamento.

 

– Rios secos e aquecimento da água –

 

Como consequência direta do calor e da seca acumulados, as vazões dos rios estão “excepcionalmente baixas”.

A grande maioria do Reno e do Tâmisa, aproximadamente dois terços do Danúbio e longos trechos do Ródano e do Pó registraram vazões de uma escassez sem precedentes, em média, para um mês de julho nos 34 anos de medições, segundo o Copernicus.

As águas do Vístula atingiram na segunda-feira, em Varsóvia, o nível mais baixo de sua história.

Além disso, em toda a Europa, as águas do Mediterrâneo Ocidental e do oceano Atlântico registraram temperaturas excepcionalmente elevadas em julho, associadas a episódios de ondas de calor marinhas.

A temperatura média mundial na superfície dos mares atingiu 20,96°C, alertou Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas do Copernicus (C3S), ressaltando que “o principal motor desse aquecimento – como sabemos – são os gases de efeito estufa” emitidos pela humanidade.

 

– Incêndios devastadores –

 

Essas condições “favorecem uma atividade excepcional dos incêndios florestais (…) tanto em termos de área queimada quanto de emissões” de carbono, explica o Copernicus.

O incêndio na província espanhola de Ávila, que queimou cerca de 50 mil hectares no fim de julho, é considerado o maior da história recente do país.

Ao mesmo tempo, outro incêndio devastou cerca de 42 mil hectares e provocou a evacuação de mais de 220 mil pessoas no turístico departamento de Gironda, no sudoeste da França.

 

bur-fpp/cel/hgs/ahg/mab/am

Mais lidos

Os mais discutidos

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR