Onda de calor avança na Europa
Roma se juntou, nesta terça-feira (23), às cidades europeias em alerta vermelho, assim como Paris, diante de uma onda de calor que se intensifica e aumenta a preocupação com a saúde das pessoas mais vulneráveis.
Trata-se da segunda onda de calor para milhões de europeus em menos de um mês e pode prosseguir até o fim de semana. Segundo o consenso científico, a mudança climática provocada pela atividade humana torna mais intensos os fenômenos meteorológicos extremos.
Suas consequências são múltiplas: mortes por calor e por afogamento, maior vigilância em hospitais e casas de repouso; trens, aulas e eventos ao ar livre suspensos, uma usina nuclear paralisada…
Sébastien Léas, meteorologista do instituto francês Météo-France, explicou à AFP que uma massa de ar muito frio situada perto de Portugal “atua como uma bomba de calor” e envia o ar quente do norte da África.
– Série de recordes –
A França viveu nesta terça-feira sua jornada mais quente desde 1947, quando começaram as medições meteorológicas, informou a Météo-France, ao anunciar uma temperatura média de 29,8°C.
Para a Météo-France, a atual onda de calor é comparável à de agosto de 2003, quando cerca de 15 mil pessoas morreram em duas semanas.
“Ela deve superá-la em termos de intensidade máxima. Sua duração ainda é incerta”, informou o órgão.
A Torre Eiffel e o Louvre, dois dos monumentos mais visitados do mundo, decidiram antecipar seu horário de fechamento para as 16h00.
O calor levou outro ponto turístico muito frequentado, o Monte Saint-Michel, no oeste da França, a recomendar que os turistas adiem suas visitas.
Uma parte do sul do Reino Unido também se encontra em alerta vermelho e o recorde histórico de 35,6ºC para um mês de junho, registrado pela última vez em Southampton em 1976, pode até ser superado, segundo o órgão britânico Met Office.
Quase toda a Espanha também está em alerta por onda de calor, especialmente áreas da Andaluzia, do País Basco e da Cantábria.
A Itália declarou nesta terça-feira o nível máximo de alerta por calor em 15 cidades, entre elas Roma e Milão.
– Afogamentos –
A onda de calor já deixou mortos na França. Dois irmãos de 2 e 4 anos foram encontrados sem vida na segunda-feira dentro de um carro, e três idosos morreram em suas casas.
Além disso, quase 40 pessoas morreram afogadas desde 18 de junho, “principalmente jovens”, indicou o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu.
Rios, piscinas, canais, lagos: os europeus procuram lugares com água para se refrescar. Em Bruxelas, muitos optaram por uma fonte no Parque do Cinquentenário.
“E se, no futuro, tivermos que viver esse tipo de situação dia após dia?”, refletiu Blanka Holmes, uma jovem de 25 anos.
– Pessoas vulneráveis –
Autoridades recomendam que pessoas vulneráveis, como crianças, gestantes, pessoas doentes e idosos, redobrem a vigilância. E à população em geral, que se hidrate, vista roupas leves e limite os deslocamentos.
A Federação Internacional da Cruz Vermelha alertou que, para milhares de pessoas na Europa, as temperaturas extremas podem “virar rapidamente uma questão de vida ou morte”.
Embora Barcelona não esteja, por enquanto, nas zonas com temperaturas mais extremas, José Farré, de 76 anos, aproveitou o fato de fazer menos calor nas primeiras horas da manhã para fazer compras e voltar rápido para casa, com ar-condicionado.
“Sou cardiopata, sou diabético e sinto muito isso”, lamentou que está muito mais difícil dormir e, para ele, por sua condição médica, até respirar.
Para as pessoas em situação de rua, permanecer na sombra é crucial: “Quando você está do lado de fora assim, sofre um pouco mais. Na verdade, você não tem muita opção”, explicou à AFP Damien, que vive nas ruas de Bordeaux, no sudoeste da França.
Na capital da Espanha, a Prefeitura de Madri oferece um “abrigo climático” para pessoas em situação de rua e vulneráveis, funcionando nas horas de mais calor e que fornece água, alimentos e instalações de higiene.
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