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Países africanos defendem em Santa Marta transição junto com exploração de petróleo

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Vários países africanos ricos em petróleo que participam da conferência de Santa Marta, na Colômbia, afirmaram, nesta quarta-feira (29), que vão continuar perfurando para sustentar seu desenvolvimento, uma demonstração das tensões entre a necessidade climática e a realidade econômica dos países produtores em desenvolvimento.

Enviados de quase 60 países participam nesta cidade caribenha de uma reunião inédita sobre como abandonar o petróleo, o gás e o carvão que aquecem o planeta.

A conferência coincide com a guerra no Irã e a disparada dos preços do petróleo que, nesta quarta-feira, passou de 119 dólares o barril pela primeira vez desde 2022.

Em Santa Marta, os países em desenvolvimento altamente dependentes da receita do petróleo e do gás se fizeram ouvir em meio aos apelos para abandonar os combustíveis fósseis.

“Não é uma eliminação progressiva, mas uma redução progressiva. Essa é a mensagem”, disse à AFP Onuoha Magnus Chidi, assessor do ministro de Desenvolvimento Regional da Nigéria.

“Estamos reduzindo gradualmente, e dizemos que deve haver um planejamento antecipado… Tem que ser justo para todos”, acrescentou.

Chidi ressaltou que a Nigéria – um dos principais produtores de petróleo e gás da África – terá que se preparar para a comoção que a redução da produção de combustíveis fósseis vai causar, a começar pelo próprio setor.

“As pessoas vão perder seus empregos… Como reinseri-las em outros setores?”, questionou, apontado para a necessidade de reformas da dívida e de uma assistência financeira.

O Senegal, que descobriu recentemente petróleo e gás em frente à sua costa, pediu um equilíbrio entre os objetivos climáticos e as prioridades de desenvolvimento.

“Somos conscientes dos desafios globais que uma transição requer”, declarou à AFP Serigne Momar Sarr, assessor técnico do ministério do Meio Ambiente do Senegal.

“Mas também queremos afirmar nosso direito ao desenvolvimento, com plena responsabilidade”, acrescentou.

Sarr destacou que a África responde por apenas uma pequena parte das emissões globais de gases estufa e afirmou que o Senegal seguirá usando o gás enquanto passa gradualmente para fontes de energia mais limpas.

Para a ministra espanhola de Transição Ecológica, Sara Aagesen, o fato de Santa Marta também reunir economias dependentes da produção de combustíveis fósseis é chave para “estender a ponte”.

“É fundamental porque temos um leque de situações diferentes, de experiências diferentes que queremos compartilhar e tentar acelerar”, disse a ministra à AFP.

np-app/nn/mvv/am

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