Paraguai manifesta rejeição a declarações de Lula sobre guerra no século XIX
O Paraguai expressou nesta sexta-feira (31) ao Brasil seu “desagrado e repúdio” pelas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança, no século XIX, um episódio que afetou as relações entre os dois países vizinhos e parceiros comerciais.
O chanceler Rubén Ramírez e o vice-presidente Pedro Alliana entregaram uma nota formal ao embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes, na sede do Ministério das Relações Exteriores.
O Paraguai também reivindicou a devolução dos troféus, arquivos e documentos históricos da época que permaneceram em poder do governo brasileiro.
Lula havia dado a entender que a guerra, ocorrida entre 1864 e 1870 e que também envolveu Argentina e Uruguai, foi provocada pelo Paraguai.
“A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil”, disse há uma semana o petista, ao justificar sua intenção de aumentar o orçamento das Forças Armadas.
Uma fonte do Itamaraty disse à AFP que, durante o encontro em Assunção, o embaixador brasileiro afirmou que as declarações de Lula foram “tiradas de contexto e amplificadas”.
Segundo essa fonte, o embaixador também frisou a “histórica relação de amizade” entre os dois países.
O governo brasileiro não se manifestou sobre a devolução de troféus e arquivos da guerra.
Na nota, o governo paraguaio lamentou que tenham sido apresentados “de forma distorcida fatos históricos de singular relevância para o povo paraguaio”.
“Os acontecimentos que marcaram profundamente a história de nossos povos devem ser abordados com responsabilidade e espírito de reconciliação, com base no respeito recíproco e no reconhecimento da complexidade dos processos que determinaram seu desenvolvimento”, destacou o documento.
Lula e o presidente do Paraguai, Santiago Peña, já conversaram por telefone sobre o assunto, segundo informou o chanceler Ramírez na quinta-feira.
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