Polícia tenta dispersar bloqueios de bolsonaristas em várias rodovias do Brasil
A polícia intervinha nesta terça-feira (1º) para dispersar os bloqueios ilegais de caminhoneiros e manifestantes, revoltados com a derrota do presidente Jair Bolsonaro, que segue em silêncio dois dias após o segundo turno.
Segundo um fotógrafo da AFP, tropas de choque da Polícia Rodoviária Federal (PRF) tentaram dispersar um protesto em Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre.
“No momento, estamos com 267 pontos de interdição ativos” e outras manifestações à margem das rodovias, informou Marco Antônio Territo de Barros, diretor-executivo da PRF, que disse que mais de 300 eventos haviam sido encerrados desde o domingo.
Em São Paulo, os bloqueios nas estradas afetavam o transporte de passageiros em um importante terminal rodoviário, onde a polícia tentava negociar a saída de manifestantes com cartazes que diziam “Lula não!”
Sentados no chão, eles resistiam a sair: “Estamos aqui pelo futuro do Brasil, por nossos filhos. Queremos o bem para nosso país”, disse à AFP Jeremias Costa, um dos manifestantes.
No interior de São Paulo, caminhões transportando material do Grande Prêmio de Fórmula 1, que será disputado em novembro, foram bloqueados, segundo imagens da TV local.
E a rodovia que leva ao aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, foi bloqueada de madrugada, causando cancelamentos e atrasos em alguns voos.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, compartilhou um vídeo em que a Guarda Municipal aparece usando spray de pimenta para dispersar um grupo de manifestantes. “Aqui tem respeito às leis! Baderna não vai ser tolerada!”, escreveu no Twitter.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, aliado político de Bolsonaro, também ordenou que as forças de segurança dissolvessem os bloqueios no estado.
“A eleição já acabou, temos que assegurar o direito de todos de ir e vir, e também que as mercadorias cheguem aonde precisam para não haver desabastecimento. Vamos cumprir a lei”, tuitou Zema.
– ‘Bolsonaro, estamos contigo’ –
As intervenções policiais desta terça-feira ocorrem depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na noite de segunda a “imediata desobstrução de rodovias e vias públicas que estejam ilicitamente com o trânsito interrompido”.
Os pedidos de apoio aos bloqueios se multiplicaram no Twitter e em grupos bolsonaristas no Telegram, apurou a equipe de investigação digital da AFP. Um panfleto que circula nas redes convoca para um protesto na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, à tarde.
“O Brasil não será uma Venezuela”, diz a mensagem. E reproduz as palavras que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), dedicou uma postagem ao pai no Twitter na segunda: “Pai, estou contigo para o que der e vier”.
Desde a segunda-feira, a polícia do Distrito Federal restringiu o acesso de veículos à Praça dos Três Poderes, onde ficam o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o STF, como medida “preventiva” para possíveis manifestações convocadas pelas redes.
O assunto se tornou o mais comentado no Twitter, onde as ações são criticadas com hashtags como “terroristas do Bolsonaro”.
– Silêncio presidencial –
Dois dias após o resultado oficial, Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre a vitória apertada de Lula (50,9% a 49,1%), que foi reconhecida por vários aliados do governo, além de inúmeros chefes de Estado estrangeiros.
Durante meses, Bolsonaro questionou o sistema de votação eletrônico sem apresentar provas, despertando temores de que não aceitaria a derrota.
Às vésperas da eleição, porém, afirmou que venceria aquele que tivesse “mais votos”. “Isso é a democracia”, acrescentou.
O Supremo Tribunal Federal também ameaçou multar o diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, ou prendê-lo por “desobediência” se os bloqueios continuarem.
Vasques esteve no centro da polêmica no domingo, após a implementação de operações de controle que causaram grandes engarrafamentos e atrasaram o acesso dos eleitores aos locais de votação, principalmente no Nordeste, reduto lulista.
A polêmica aumentou quando a imprensa local informou que Vasques havia postado em seu perfil do Instagram uma mensagem pedindo votos para Bolsonaro, que depois ele apagou.