Rubio renova aliança com Colômbia em viagem para reforçar influência dos EUA na América Latina
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, estreitou os laços com a Colômbia nesta terça-feira (8), na primeira etapa de uma viagem destinada a reforçar a influência de Washington na América Latina.
Em reunião com o novo presidente colombiano, o direitista Abelardo de la Espriella, Rubio celebrou o início de uma “nova etapa de cooperação” sem “precedentes” com um dos mais importantes aliados históricos dos Estados Unidos na região.
O chefe da diplomacia americana destacou que as relações entre Bogotá e Washington se distanciaram devido às “más decisões” do governo anterior, sob o ex-presidente esquerdista Gustavo Petro, um forte adversário de Donald Trump.
De la Espriella reiterou a Rubio seu desejo de que a Colômbia volte a se consolidar como “o principal parceiro de segurança hemisférica dos Estados Unidos”. Ele também visitará o Equador e o Peru, governados por líderes alinhados a Trump.
O presidente colombiano colocou em prática um plano de combate aos grupos armados ligados ao narcotráfico com o apoio dos Estados Unidos. Em seu primeiro mês no cargo, ordenou três bombardeios letais contra acampamentos guerrilheiros.
Rubio afirmou que há grandes chances de a Colômbia recuperar a certificação de aliada dos Estados Unidos no combate às drogas, após ter perdido esse status durante o governo de Petro, em 2025.
“Vimos no último mês mais ações concretas contra essas organizações criminosas do que possivelmente vimos em quatro anos”, declarou o secretário de Estado em entrevista à emissora RCN.
De la Espriella autorizou operações militares conjuntas com os Estados Unidos e em agosto recebeu o chefe do Comando Sul dos EUA para discutir sua estratégia de combate ao narcotráfico. Também se juntou ao Escudo das Américas, a coalizão de países liderada por Trump para combater o crime organizado na região.
Rubio informou mais cedo que o Peru aderiu à aliança, segundo um artigo de sua autoria publicado nesta terça-feira em veículos de imprensa dos países que visitará. “Estamos coordenando esforços para proteger nosso hemisfério”, escreveu.
Durante a visita, Estados Unidos e Colômbia também assinaram acordos sobre intercâmbio de minerais críticos e cooperação em energia nuclear para fins civis. Além disso, De la Espriella pediu ajuda para modernizar aviões, drones, helicópteros e equipamentos militares.
– “Ameaças” comuns –
Rubio desembarcou em Barranquilla, cidade natal da cantora Shakira, acompanhado de sua esposa, que tem raízes colombianas. De la Espriella o recebeu em uma guarnição militar onde determinou a construção de uma sede presidencial inspirada na Casa Branca.
Imerso em uma guerra aberta contra as guerrilhas, o presidente colombiano ofereceu colaboração para desarticular redes do crime transnacional. “As ameaças à segurança enfrentadas pela Colômbia são as mesmas que enfrentamos nos Estados Unidos”, afirmou Rubio.
O alto diplomata relatou ter pedido à Venezuela que tome medidas para evitar a “impunidade” dos rebeldes que atuam dos dois lados da fronteira e financiam suas atividades por meio do tráfico de drogas e da mineração ilegal.
Organizações de defesa dos direitos humanos alertam para o risco de uma escalada da violência, com a população civil ficando no meio do conflito.
O presidente, um admirador declarado de Trump, agradeceu o apoio dos Estados Unidos na reconstrução de diversas cidades colombianas após o terremoto devastador de 10 de agosto, que deixou mais de 330 mortos no país.
De la Espriella pediu aos Estados Unidos a suspensão das tarifas para facilitar as obras de reconstrução, embora o assunto não tenha sido mencionado nesta terça-feira.
– “Presença no hemisfério” –
Desde o retorno do republicano à Casa Branca, em janeiro de 2025, diversos países, incluindo Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador e Honduras, iniciaram ou confirmaram uma transição para governos conservadores.
“Não podemos estar em todos os lugares”, mas esta pequena viagem “reforçará nossa presença no hemisfério”, declarou Rubio antes de partir de Miami para Barranquilla.
A turnê de Rubio na América Latina ocorre após a captura, em janeiro, do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, e poucos dias depois do anúncio de um acordo com o governo interino da Venezuela, que outorga a Washington o controle de mais de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo do país.
Em Quito, Rubio será recebido por Noboa. Atualmente, Estados Unidos e Equador realizam operações contra embarcações supostamente ligadas às quadrilhas no Pacífico equatoriano. Em uma semana, pelo menos cinco embarcações foram afundadas nestas ações militares.
lb-jz/als/aa/fp/lm/mvv/ic