Suspeito de atirar contra cerimônia de gala é acusado de tentativa de assassinato de Trump
O homem acusado do ataque a tiros em um evento da imprensa ao qual compareceu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi formalmente indiciado nesta segunda-feira (27) em um tribunal sob acusações de tentar assassinar o mandatário e por dois crimes relacionados a armas de fogo.
Cole Allen, de 31 anos, enfrenta uma pena que pode chegar à prisão perpétua se for considerado culpado de tentar matar Trump durante o jantar de correspondentes da Casa Branca, realizado no sábado em Washington.
Allen não se declarou culpado nem inocente na audiência em um tribunal federal na capital dos Estados Unidos. Ele permanecerá detido enquanto aguarda sua próxima comparecimento ao tribunal.
A promotoria afirmou que Allen carregava uma espingarda, uma pistola semiautomática e três facas quando tentou violar a segurança do hotel Hilton, onde ocorria o jantar.
Após uma breve troca de tiros com os agentes, ele foi detido no local. Cole nunca chegou a se aproximar de Trump ou de outros convidados que participavam do evento no hotel.
Trump publicou fotos do homem algemado no tapete do hotel, sem camisa e deitado de bruços.
A Casa Branca culpou nesta segunda-feira o “culto ao ódio da esquerda” pelo ataque e apontou para políticos democratas que têm acusado Trump de tentar acumular poderes autoritários.
– Manifesto de Allen –
Trump foi evacuado às pressas do local por agentes do Serviço Secreto dos Estados Unidos.
Imagens das câmeras de segurança mostram o homem armado tentando correr em alta velocidade além de um controle de segurança, um andar acima do salão onde ocorria a gala.
Em uma entrevista no programa 60 Minutes, da CBS, perguntaram a Donald Trump se ele temeu que houvesse vítimas enquanto a cena caótica se desenrolava.
“Não estava preocupado. Entendo a vida. Vivemos em um mundo louco”, disse Trump.
O procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, declarou no domingo à CBS que, segundo a investigação preliminar, o suspeito “tinha como alvos membros da administração”.
Sem fornecer detalhes, Trump indicou que o suspeito havia escrito um manifesto “anticristão”.
As autoridades indicaram na acusação que, pouco antes do incidente, Cole Allen enviou um e-mail a membros de sua família para explicar e se desculpar por suas ações.
Ele não mencionou Trump pelo nome. Disse: “Não vou permitir mais que um pedófilo, estuprador e traidor suje minhas mãos com seus crimes”.
Allen também afirmou que “funcionários da administração” eram seu alvo, “priorizados do mais alto ao mais baixo escalão”.
No jantar de gala estavam Trump, a primeira-dama Melania Trump, o vice-presidente JD Vance, vários membros do gabinete e destacados legisladores, além de centenas de convidados.
Meios de comunicação americanos também encontraram publicações antigas de Allen nas redes sociais nas quais ele frequentemente criticava as políticas do presidente.
— Trump contra Kimmel —
Trump exigiu na segunda-feira que a emissora ABC demita imediatamente o apresentador Jimmy Kimmel, autor, segundo ele, de um “desprezível chamado à violência” por uma piada dirigida a Melania Trump.
Em seu programa na semana passada, Kimmel disse que considerava que a primeira-dama irradiava “a aura de uma futura viúva”.
“Isso realmente foi longe demais. Jimmy Kimmel deveria ser demitido imediatamente pela Disney e pela ABC”, escreveu o presidente.
Nesta segunda-feira, Melania Trump rompeu com sua habitual discrição pública e criticou o apresentador, acusando-o na X de promover uma “retórica de ódio e violência”.
Trump foi alvo de uma tentativa de assassinato durante um comício em Butler, Pensilvânia, em 2024. Um homem armado efetuou vários disparos, matando um participante e ferindo levemente o presidente na orelha.
Meses depois, outro homem foi preso após um agente do Serviço Secreto ver o cano de um rifle emergindo entre os arbustos do perímetro do campo de golfe de West Palm Beach, onde Trump estava.
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