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Trump diz ao Irã que ‘é melhor ficarem espertos logo’ e aceitarem acordo nuclear

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O presidente americano, Donald Trump, alertou o Irã, nesta quarta-feira (29), que “é melhor ficarem espertos logo!” e ceder sobre seu programa nuclear para pôr fim a dois meses de guerra no Oriente Médio.

O conflito, desencadeado em 28 de fevereiro por um ataque conjunto de Israel e Estados Unidos contra Teerã, já causou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e suas repercussões continuam abalando a economia mundial.

Estagnado desde o cessar-fogo de 8 de abril, o conflito pode se prolongar indefinidamente, já que os americanos parecem se preparar para um bloqueio prolongado dos portos iranianos, em resposta ao fechamento, por parte do Irã, do Estreito de Ormuz, por onde normalmente transita cerca de um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo.

“O bloqueio é um pouco mais eficaz do que os bombardeios”, comentou o próprio Donald Trump em entrevista ao Axios.

Segundo um alto funcionário da Casa Branca, Trump mencionou a possibilidade de que o bloqueio naval dos portos iranianos seja prolongado “durante meses, se for necessário”, em um encontro com empresários do setor do petróleo.

O preço do barril de Brent do Mar do Norte ultrapassou assim os 119 dólares pela primeira vez desde 2022 durante a sessão, embora tenha encerrado mais próximo dos 118 dólares.

Os Estados Unidos querem criar “divisões internas” para “fazer colapsar” o Irã de dentro, reagiu o influente presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Bager Qalibaf, que pediu “unidade”.

Analistas temem que Teerã mantenha o bloqueio do Estreito de Ormuz.

“Isto sugere uma estagnação prolongada: os combates foram detidos em grande medida, mas não surge nenhuma solução duradoura, e o tráfego no Estreito de Ormuz segue incerto”, explicam Helge André Martinsen e Tobias Ingebrigtsen, da DNB. 

O aumento dos preços da energia ameaça mergulhar mais de 30 milhões de pessoas na pobreza em todo o mundo, advertiu, nesta quarta-feira, o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em declarações à AFP.

– Consequências –

O presidente russo, Vladimir Putin, advertiu seu par americano sobre as “consequências prejudiciais” que uma nova ação militar no Irã teria, informou nesta quarta-feira um assessor do Kremlin a jornalistas após uma conversa telefônica entre os dois líderes.

Putin “destacou as consequências inevitáveis e extremamente prejudiciais, não apenas para o Irã e seus vizinhos, mas também para toda a comunidade internacional, caso os Estados Unidos e Israel recorram mais uma vez a ações militares”, afirmou o assessor do Kremlin, Yuri Ushakov.

– “Sem esperança” –

As consequências econômicas são sentidas no Irã, onde o rial, a moeda nacional, atingiu, nesta quarta-feira, seu menor nível perante o dólar desde a criação da República Islâmica, em 1979.

Alguns moradores da capital, Teerã, estão pessimistas. 

“A ideia de voltar a viver a guerra é assustadora, mas tampouco temos esperanças quanto ao resultado das negociações”, disse à AFP Ali, um arquiteto de 52 anos, contactado por uma jornalista da AFP em Paris. 

“Vão negociar e voltam com ainda mais sanções, e os diálogos sempre giram em torno do tema nuclear: nunca se fala das pessoas, da economia ou da liberdade”, acrescenta, em alusão ao seu país, submetido a sanções internacionais há décadas.

Embora a trégua tenha sido prolongada por tempo indeterminado, o Irã e os Estados Unidos seguem sem alcançar um acordo para realizar novas negociações no Paquistão, país mediador, após uma primeira sessão infrutífera em 11 de abril. 

“O Irã não consegue se organizar. Não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor ficarem espertos logo!”, escreveu Trump em sua plataforma, Truth Social, em uma postagem acompanhada de uma imagem criada artificialmente na qual aparece com óculos escuros, segurando um fuzil e a mensagem: “Acabou o Sr. Bonzinho”.

– “Mais riscos” – 

Segundo um artigo publicado no site americano Axios e reproduzido pela agência oficial iraniana Irna, a proposta de Teerã adiaria as negociações sobre a questão nuclear. 

Mas este é um tema fundamental para Estados Unidos e Israel, que acusam a República Islâmica de querer obter a bomba atômica, o que Teerã nega.

Segundo o The Wall Street Journal (WSJ), o presidente americano considera que, mediante seu bloqueio, pode obrigar Teerã a suspender o enriquecimento de urânio durante 20 anos e, posteriormente, a aceitar restrições estritas.

O encarregado financeiro do Pentágono estimou o custo da guerra no Irã até hoje em 25 bilhões de dólares (cerca de R$ 125 bilhões), durante um comparecimento perante o Congresso, juntamente com o secretário de Defesa, Pete Hegseth. 

“Quanto vale garantir que o Irã nunca obtenha uma arma nuclear?”, perguntou Hegseth aos congressistas.

O Irã, por sua vez, critica as exigências “irracionais” de Washington e reafirma seu direito inalienável à energia nuclear civil, apesar de considerar “negociável” o nível de enriquecimento de urânio.

– Ameaça israelense – 

No front libanês, onde Israel combate o movimento pró-iraniano Hezbollah, duas pessoas, entre elas um militar, morreram nesta quarta-feira em um novo ataque israelense no sul do país, segundo o exército libanês. 

O presidente libanês, Joseph Aoun, instou Israel a “aplicar plenamente” o cessar-fogo que entrou em vigor em 17 de abril antes de iniciar negociações diretas.

Em um Líbano mergulhado há anos em uma grave crise econômica, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) advertiu que 1,2 milhão de pessoas (de uma população entre 4 e 5 milhões) estão ameaçadas pela insegurança alimentar aguda.

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