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TSE anuncia acordo com Telegram para combater desinformação nas eleições

Depois de ter algumas publicações no YouTube, Twitter e Facebook removidas por desinformação, o presidente Bolsonaro - que tem 45 milhões de seguidores somados nas redes sociais e várias investigações abertas por disseminação de informações falsas - está concentrando sua militância digital no Telegram afp_tickers

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou nesta sexta-feira (25) que a plataforma de mensagens Telegram aderiu ao acordo já firmado com outras empresas para combater a desinformação durante as eleições de outubro.

De acordo com o TSE, o objetivo do Programa de Enfrentamento à Desinformação é “combater fake news relacionadas especialmente ao sistema eletrônico de votação e a todas as fases do processo eleitoral”.

O Telegram, um aplicativo que havia se tornado terreno fértil para a desinformação e é muito utilizado pelo presidente Jair Bolsonaro e grupos bolsonaristas, está sob pressão judicial no Brasil há meses.

O TSE tentava há algum tempo entrar em contato com a empresa, que já foi alvo de proibição ou restrições em países como Índia e Rússia, em busca de sua adesão ao programa, como fizeram em fevereiro Twitter, TikTok, Facebook, WhatsApp, Google, Instagram, YouTube e Kwai.

Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio do Telegram, aplicativo que mais cresce no país e está instalado em 53% dos celulares brasileiros, por não responder a sucessivas demandas judiciais.

A decisão acabou não sendo colocada em prática, já que a empresa acabou cedendo aos pedidos do STF para reverter a suspensão, entre eles remover uma publicação de agosto de 2021 em que Bolsonaro questionava a confiabilidade das urnas e nomear um representante legal no Brasil.

Nesta sexta, em reunião em Brasília, o TSE propôs ao novo representante do Telegram o ingresso no acordo.

As redes sociais foram uma peça-chave da campanha eleitoral de Bolsonaro em 2018. O próprio presidente fez uma campanha muito ativa nas redes, assim como muitos de seus seguidores, que divulgaram informações falsas sobre os adversários.

Bolsonaro é atualmente alvo de várias investigações por disseminar notícias falsas. Há meses, ele tenta concentrar seus seguidores no Telegram, onde tem mais de um milhão de seguidores e um grande número de grupos de apoio, depois que plataformas como YouTube, Twitter e Facebook tomaram medidas contra algumas de suas postagens.

Ao contrário de outros aplicativos, o Telegram permite grupos de até 200 mil pessoas e canais sem limite de usuários, além de ter uma moderação de conteúdos escassa, de forma que o potencial de viralização de algo é quase infinito.

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