Brasil enfrenta as ‘big techs’, e empresas suíças lucram no país
TikTok e Discord na mira da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), novas leis para aerolinhas em defesa dos passageiros, e os bons ventos (e lucros) de empresas suíças no Brasil. Nossa Revista de Imprensa desta semana oferece um resumo das principais notícias. Confira.
Na mesma semana em que a Meta, detentora do Facebook e do Instagram, foi penalizada em quase US$ 18 bilhões, no Brasil o TikTok e a plataforma Discord foram multados também por mal gerenciamento de dados de menores. Leia o nosso resumo abaixo.
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Em defesa das crianças
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) do Brasil aplicou uma multa equivalente a cerca de 25,5 milhões de euros à ByteDance, operadora do TikTok. O TikTok teria processado dados pessoais de crianças e adolescentes sem base legal suficiente e não teria tomado medidas adequadas para impedir isso. As acusações dizem respeito tanto ao uso da plataforma de vídeos curtos sem cadastro quanto às contas cadastradas. No total, a agência constatou cinco violações da Lei de Proteção de Dados do Brasil.
Além da multa, a ByteDance deve excluir os dados coletados ilegalmente e implementar um plano para melhorar a proteção de crianças e adolescentes. Para usuários menores de 16 anos, serão aplicadas configurações mais rigorosas de proteção de dados. Além disso, o controle parental e a proteção contra conteúdos inadequados deverão ser aprimorados.
No caso de uso sem cadastro, a publicidade e as mensagens diretas deverão ser suprimidas, e a personalização do conteúdo deverá ser restringida. A ByteDance pode recorrer da decisão no prazo de dez dias úteis.
Também em outros países, o TikTok está sob pressão devido à questão da proteção de crianças e adolescentes. A Comissão Europeia acusa a plataforma, por exemplo, de não proteger suficientemente os menores contra riscos como o cyberbullying — nos EUA, o TikTok chegou a um acordo há poucos dias no valor de 400 milhões de dólares devido a acusações de ter coletado dados de crianças sem o consentimento dos pais.
Discord-âncias
Na quarta-feira, o governo brasileiro anunciou que entrou com uma ação judicial para obter a condenação da Discord ao pagamento de cerca de 80 milhões de euros por “danos morais coletivos”, considerando insuficiente a proteção aos menores na plataforma americana.
Popular entre os jovens, a rede social está na mira das autoridades brasileiras desde a morte de uma adolescente de 13 anos em julho. Ela teria sido incitada a cometer suicídio durante uma transmissão ao vivo. Em 17 de agosto, a plataforma foi obrigada a atender a uma exigência da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) de suspender essas transmissões ao vivo até segunda ordem.
Em um comunicado, o governo brasileiro explicou ter recorrido à Justiça após negociações infrutíferas com a Discord, cujas propostas “não foram consideradas suficientes para eliminar os riscos identificados”. Segundo o governo, a rede “continua apresentando falhas nos mecanismos de verificação de idade e de proteção dos usuários contra riscos graves”. O governo cita o caso da adolescente que morreu em julho. No início de agosto, cinco adolescentes e um maior de idade foram presos em conexão com esse caso.
País ultraconectado, o Brasil adotou uma postura firme em relação às redes sociais nos últimos anos. Assim, tomou medidas severas contra a desinformação e aprovou uma lei que obriga as plataformas a vincular as contas de menores de 16 anos às de seus pais e a verificar a idade dos usuários.
Fontes: cash.chLink externo, 25.08.2026 (alemão); BlickLink externo, 27.08.2026 (francês)
O Brasil dos sonhos suíços
As operações no Brasil de multinacionais suíças continuam de vento em popa. Além da Nestlé e das farmacêuticas Novartis e Roche, que lideram seus respectivos setores no país, a subsidiária brasileira da Emmi, gigante do setor de laticíneos, também vem crescendo fortementeLink externo nos últimos anos.
Nessa semana, a agroquímica Syngenta também publicou seus resultados do semestre, e o Brasil salvou o balanço da empresa. O faturamento do grupo caiu 2% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 12,2 bilhões. A taxas de câmbio constantes, as vendas teriam recuado até 7% – a queda resultou principalmente da redução do comércio de grãos na China, que apresenta margens de lucro baixas.
O faturamento da Syngenta com sementes totalizou 2,5 bilhões de dólares no primeiro semestre, 1% a mais do que no ano anterior. O principal impulsionador do crescimento foi o Brasil, com um aumento de 18% no faturamento, enquanto na América do Norte houve uma queda de 13%. A Syngenta atribui isso à redução das áreas plantadas com milho nos EUA.
Já a Burckhardt obteve dois contratos para o Complexo Energético de Boaventura no Brasil. A fabricante de compressores fornecerá seis conjuntos de compressores PL2 e serviços associados para o grande projeto da Petrobras. Os equipamentos serão utilizados no processamento de gás, bem como em novas unidades de refino e de lubrificantes, conforme informou a empresa na quinta-feira.
Enquanto isso, o setor de tecnologia suíço — o maior setor industrial do país, com cerca de 330 mil empregados — procura desesperadamente novos mercados para compensar as perdas com a guerra de tarifas dos EUA.
Os números mais recentes da indústria parecem, à primeira vista, promissores. De janeiro a junho, o setor registrou um aumento de 12,1% nas encomendas recebidas em comparação com o ano anterior. O faturamento (+2,5%) e as exportações (+1,7%) também apresentaram um ligeiro aumento. No entanto, a alegria é moderada. O presidente da Swissmem, Martin Hirzel, modera as expectativas e ressalta que esse crescimento é impulsionado principalmente pelas grandes empresas. A taxa de utilização da capacidade, de 81,1%, continua significativamente abaixo da média de longo prazo.
O setor de tecnologia suíço tinha grandes planos para a região do Mercosul, que inclui Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. No entanto, o acordo está paralisado porque o Senado suíço acionou o freio de emergência. Os agricultores suíços temem a concorrência agrícola barata do exterior, enquanto setores de esquerda criticam que as questões ambientais e de proteção climática tenham sido negligenciadas no acordo.
Fontes: Cash.chLink externo e Cash.chLink externo, 27.08.2026 (alemão); SRFLink externo, 24.08.2026 (alemão)
Lucros aéreos…
No primeiro semestre de 2026, o Aeroporto de Zurique registrou aumento no faturamento e nos lucros. O aumento no número de passageiros em Zurique e o forte crescimento dos negócios internacionais no Brasil impulsionaram os resultados. As receitas do setor não aeronáutico — que abrange, principalmente, os rendimentos provenientes de imóveis, lojas e negócios internacionais — aumentaram 5%, atingindo 328,4 milhões de francos.
No Brasil, a empresa tem participação nos aeroportos de Natal, Florianópolis e, até a semana passada, também no de Belo Horizonte. A Flughafen Zürich AG está vendendo sua participação para a empresa mexicana Aeropuerto de Cancún, uma subsidiária do Grupo ASUR. A venda está alinhada à estratégia de, no futuro, focar em participações majoritárias com responsabilidade operacional.
Fontes: Nau.chLink externo, em 28.08.2026; Tages AnzeigerLink externo, 22.08.2026
… mas novas regras no ar
Devido ao excesso de reclamações e processos contra companhias aéreas, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) pretende revisar suas normas relativas aos direitos dos passageiros. Uma nova versão da chamada Resolução 400 deverá ser publicada até o final de agosto ou, o mais tardar, em setembro. O objetivo é, entre outras coisas, reduzir o elevado número de ações judiciais contra companhias aéreas no Brasil.
As obrigações atuais das companhias aéreas em caso de atrasos e cancelamentos devem, em princípio, ser mantidas. No entanto, a distinção entre a assistência obrigatória aos passageiros e possíveis pedidos de indenização por danos no âmbito do direito civil deverá ser regulamentada de forma mais clara.
Para isso, a agência pretende diferenciar mais claramente se uma perturbação foi causada pela companhia aérea ou se decorre de circunstâncias externas. Problemas com tripulações, aeronaves ou sistemas de TI poderiam, assim, ser tratados de maneira diferente do que, por exemplo, cancelamentos causados por condições climáticas.
Fonte: AerotelegraphLink externo, 22.08.2026 (alemão)
Cinema: Fukushima vista pelo olhar de uma brasileira
Disputando um dos prêmios máximos do último Festival Internacional de Cinema de Locarno com um filme grosso modo categorizado como “experimental”, a cineasta brasileira Ana Vaz causou e levou para casa ume menção especial do júri.
Seu longa-metragem Hanabi levou dez anos para ser realizado e não faz a mínima questão de seguir a cartilha narrativa do cinema mainstream. Swissinfo conversou com Ana Vaz durante o festival sobre o filme e, acima de tudo, sobre fazer cinema. Confira:
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Ana Vaz leva trauma de Fukushima ao cinema
>>Outros assuntos noticiados na Suíça:
Exumação de um DC-8 enterrado na AmazôniaLink externo (23/08)
A resistência da Europa aos planos de Gianni Infantino tem motivos históricos Link externo(28/08)
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Publicaremos nossa próxima revista da imprensa suíça em 4 de setembro. Enquanto isso, tenha um bom fim de semana e boa leitura!
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