Aids assusta menos os jovens
Com a relativa eficácia dos tratamentos, que adiam a morte mas não curam, as pessoas estão mais negligentes com a prevenção. O resultado é que aumenta a contaminação, na Suíça e outros países industrializados.
A Aids está matando cada vez menos na Suíça mas justamente por isso os casos de infecção voltaram a aumentar. O mesmo fenômeno vem ocorrendo em todos os países industrializados, constata o último relatório da ONU/AIDS, divulgado por ocasião da jornada mundial de luta contra a epidemia.
Não confiar apenas no tratamento
Como o acesso às chamadas triterapias é mais fácil nos países ricos, sobretudo os jovens tendem usar menos a camisinha. A ONU/AIDS considera preocupante essa tendência de reduzir a prevenção e confiar somente nos tratamentos. Lembram que essas terapias não curam a Aids, apenas prolongam a vida.
Desde 1984, 25 mil pessoas foram contaminadas com o virus da Aids na Suíça e mais de 5 mil morreram. O número de mortos vem diminuindo constantemente mas as infecções tendem novamente a aumentar, com estimativas de 600 a 700 novos casos este ano (para uma população de 7 milhões de habitantes). Desde 1990, mais da metade das contaminações são heterossexuais.
Campanha elogiada
A nível mundial, a maior parte dos 40 milhões de pessoas contaminadas não têm acesso ao tratamento. Um terço deles não sabem que estão doentes e têm entre 15 e 24 anos, constata o relatório da ONU/AIDS. Lembra que 20 depois de identificado, o virus já causou a morte de 20 milhões de pessoas. Só este ano serão 3 milhões de mortos.
Os especialistas da ONU insistem na continuidade da prevenção mas também no acesso de todos aos tratamentos. Nesse sentido, consideram importantes as decisões tomadas este ano no âmbito da OMC, Organização Mundial do Comércio, permitindo o acesso mais amplo a patentes para produção de remédios genéricos, mais baratos.
Uma dessas especialitas da ONU, Nina Ferencic, insiste no risco de que a AIDS não seja vista como doença fatal e menciona como exemplo o lema da campanha suíça, que propõe o preservativo como proteção para todos e os medicamentos apenas como esperança de prolongar a vida.
swissinfo com agências
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