Arábia Saudita acusa houthis de ataque contra Meca
A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita afirmou, nesta quarta-feira (16), ter destruído um drone lançado em direção à cidade sagrada de Meca pelos houthis do Iêmen, grupo apoiado pelo Irã que negou o ataque.
Depois de anos de calma em sua guerra civil, o Iêmen foi arrastado em julho para o conflito regional, desencadeado no fim de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Os houthis, que enfrentam o governo reconhecido pela comunidade internacional e apoiado pela Arábia Saudita, tomaram na semana passada o controle da costa iemenita próxima ao Mar Vermelho, reforçando seu domínio sobre o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb.
A defesa aérea saudita destruiu na terça-feira “um drone hostil lançado pela milícia terrorista houthi antes que ingressasse no espaço aéreo restrito da capital sagrada” do islã.
“A segurança das duas mesquitas sagradas e de seus visitantes constitui uma linha vermelha”, advertiu a coalizão liderada pela Arábia Saudita que respalda o governo iemenita.
O Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita denunciou um “ataque terrorista covarde”.
“Vi algumas pessoas que entraram em pânico e correram até a janela para ver o que tinha acontecido”, declarou à AFP um morador de Meca que pediu para não ser identificado. “Acho que o sistema de alarme criou o pânico. A vida segue normalmente em Meca, já houve outros incidentes na cidade, este não é o primeiro”, acrescentou.
A Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) condenou “os ataques atrozes” que “profanam a santidade dos lugares sagrados e das mesquitas, e ferem os sentimentos dos muçulmanos de todo o mundo”.
O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Fahmy, afirmou que “atentar contra a segurança de Meca e contra o caráter sagrado dos lugares santos do islã constitui um fato de extrema gravidade”.
– Petróleo volta a subir –
Os acontecimentos mais recentes voltaram a provocar uma alta expressiva dos preços do petróleo. O Brent, referência internacional do petróleo bruto, era negociado nesta quarta-feira a 107,57 dólares por barril durante a sessão na Europa, quase 80% acima do nível anterior ao início da guerra em fevereiro.
Os houthis, que intensificaram os ataques contra a Arábia Saudita no início de setembro, negaram ter atacado a cidade sagrada. “As acusações sobre o suposto ataque contra Meca são uma mentira batida, já utilizada anteriormente, que já não engana ninguém”, escreveu na rede social X um dos líderes do grupo, Hazm al-Assad.
As autoridades sauditas emitiram na manhã de terça-feira um alerta aéreo para Meca, o primeiro do tipo para o destino religioso que recebe milhões de peregrinos todos os anos.
A embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita recomendou nesta quarta-feira aos cidadãos americanos que reconsiderem qualquer viagem ao país e evitem uma aproximação da fronteira com o Iêmen.
O Estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Europa à Ásia pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez, se tornou crucial para a Arábia Saudita, principal exportador mundial de petróleo, desde que o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica.
O fechamento da via teria consequências “catastróficas”, admitiu nesta terça-feira o Ministério das Relações Exteriores do Catar.
Os houthis, no entanto, afirmam que não existe nenhuma ameaça à navegação no estreito, exceto para os navios sauditas.
Enquanto aumenta a pressão sobre a Arábia Saudita, ameaçada nos dois estreitos e alvo de ataques contra suas infraestruturas petrolíferas, os houthis anunciaram nesta quarta-feira que derrubaram um avião de combate saudita e acusaram o país de ter executado 450 ataques aéreos contra o país vizinho nesta semana.
Também anunciaram que atacaram uma instalação petrolífera e uma base militar na Arábia Saudita com mísseis e drones.
A Arábia Saudita também sofreu a interrupção de seu oleoduto Leste-Oeste, que permite evitar o Estreito de Ormuz, após ataques de drones procedentes do Iraque, segundo as autoridades.
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