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Associar a economia à solução de conflitos

As matérias primas, entre elas os minérios, são fontes de conflio, segundo a ONU. Keystone

Um estudo das Nações Unidas co-financiado pela Suíça incita as grandes empresas a participarem de maneira significativa na resolução de conflitos.

«Enabling Economies of Peace» define as diretivas de estímulo às empresas do setor de matérias-primas nas regiões em crise.

O estudo intitulado Enabling Economies of Peace (Promover Economias de Paz), foi apresentado quinta-feira (28.4) nas Nações Unidas, em Nova York. Ele parte do princípio de que o comércio de matérias-primas (petróleo, minérios, gaz etc.) é a principal causa de conflitos ou pelo menos os influenciam de maneira dramática.

“Nos últimos anos, um número crescente de empresas perceberam que é de seu próprio interesse adotar práticas que levem em consideração os conflitos para reduzir os riscos que correm no mercado global”, afirmou Georg Kell, responsável do “Global Compact”, o pacto mundial da ONU.

O objetivo da operação, portanto, é definir as regras que estimulem a economia de maneira pacífica.

Associar a economia

Por isso, representantes da economia privada devem participar das discussões sobre a utilização das matérias-primas, explicou Peter Maurer, embaixador suíço junto às Nações Unidas, em Nova York, quando da apresentação do estudo.

Maurer mencionou a Comissão pelo Estímulo à Paz, a ser criada no contexto de reforma da ONU. Ela deverá tratar da colaboração com a economia privada, afirmou o embaixador.

Peter Niggli, diretor da Comunidade de Trabalho das Obras de Ajuda suíças, reconheceu que o fato de associar a economia às discussões “pode ter efeitos positivos em favor da resolução de conflitos e da paz”.

Mas ele faz reservas críticas. “Esse programa não é obrigatório e certas empresas se servem dele para melhorar sua imagem de marca, sem fazer muito esforço”.

Pacto mundial

O estudo foi encomendado pelo programa da ONU “Global Compact”. Ele indica também como os governos e as organizações internacionais podem utilizar o setor privado na gestão de “conflitos sensíveis”.

“Global Compact” é um pacto mundial lançado pelo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, em 1999, no Fórum Econômico de Davos, nos Alpes suíços.

A idéia é levar empresas privadas do mundo inteiro a adotarem, voluntáriamente, dez princípios de base nas áreas de direitos humanos, normas de trabalho, proteção do meio ambiente e luta contra a corrupção.

Cerca de 2 mil empresas assinaram o pacto até agora. Entre elas estão 16 grandes empresas suíças como ABB, Adecco, Holcim, Crédito Suíço, UBS, Novartis e Nestlé.

swissinfo com agências.

O pacto mundial foi lançado no Fórum Econômico Mundial de Davos em 1999 pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Cerca de 2 mil empresas já assinaram o pacto, entre elas 16 suíças como ABB, Adecco, Crédito Suíço, Holcim, Novartis, Nestlé e UBS.

– O pacto mundial visa favorecer as “boas práticas corporativas”. São dez regras éticas que as empresas podem respeitar, se quiserem, para uma globalização mais harmoniosa.

– Essas regras são baseadas na Convenção da Organização Internacional do Trabalho, dos princípios da Eco Rio 92 e na luta contra a corrupção.

– O mecanismo é voluntário e nenhum tipo de controle ou sanção está previsto.

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