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Inspetor social vê poucos abusos

Christoph Odermatt é inspetor social em Emmen, cidade no centro da Suíça. Keystone

O abuso é menor do que se imaginava. Essa é a conclusão do primeiro "inspetor social" da Suíça alemã, no seu balanço de cinco meses de atuação.

O funcionário público trabalha para a comuna de Emmen e sua função é descobrir pessoas que recebem ajuda social de forma irregular.

Emmen, uma comuna com 27.324 habitantes – 19.245 suíços e 8.079 estrangeiros – não está muito distante de Lucerna, no centro da Suíça. Essa localidade ficou conhecida em todo o país quando, em 1999, cidadãos com direito a voto recusaram todos os processos de naturalização de jovens estrangeiros nas urnas.

O único critério para a negativa foi o nome dos solicitantes que, em sua grande maioria, eram originários de países da antiga Iugoslávia.

Crítica de todas as partes da Suíça

Essa prática incomum colocou Emmen nas manchetes dos jornais e na televisão. Seus habitantes passaram a ser vistos como racistas e contrários à integração de estrangeiros. A polêmica foi tanta, que finalmente o governo cantonal fez com que as leis fossem mudadas. Agora os processos de naturalização na comuna são realizados por uma comissão e não mais nas urnas.

Porém Emmen conseguiu mais uma vez se colocar no centro das atenções. No final de 2004, seu governo instituiu um novo tipo de cargo público: o “inspetor social”, cuja principal tarefa seria controlar as pessoas que recebem ajuda social do governo, para saber se elas realmente são necessitadas. O principal objetivo da comuna era acabar com os abusos.

Confiança no sistema

Desde 1 de fevereiro, o suíço Christoph Odermatt controla as famílias da comuna que recebem a ajuda governamental. Na sua opinião, esse controle irá reforçar a confiança dos cidadãos no sistema social do país.

Agora Odermatt faz o primeiro balanço do seu trabalho: apenas sete casos de abuso foram detectados, o que corresponde apenas a um por cento do grupo de beneficiários da ajuda. O relatório foi entregue depois da checagem acurada de mais de 651 dossiês.

Falsa imagem

Os primeiros resultados do controle servem para contradizer as afirmações dos grupos mais conservadores, de que uma grande parte dos beneficiários de ajuda social são pessoas que abusam do sistema para viver sem trabalhar.

“Meu trabalho como inspetor social não é a solução de todos os males, mas serve para punir as ovelhas negras e proteger os direitos daquelas pessoas que realmente são necessitadas”, explica Odermatt.

Controle continua

Para Rolf Born, membro do governo de Emmen, os resultados trazidos pelo controle do inspetor social não são surpreendentes. A maioria dos 1.108 casos sociais recebe ajuda governamental, pois são verdadeiramente necessitados. Porém cinco meses é muito pouco para ter certeza de que não há “buracos” no sistema.

Toni Stirnimman, chefe do serviço social da comuna, confirma as conclusões do inspetor social: – “Os abusos identificados são apenas casos isolados e não um problema geral”.

Na opinião dos especialistas e políticos locais, o aumento do número de pessoas que dependem da ajuda oficial para viver deve ser freado com outras medidas.

Ceticismo

A decisão do governo de Emmen de criar um cargo de inspetor social foi recebida com ceticismo por muitos partidos e estudiosos do problema, sobretudo, pois outras comunas, como Kriens, também já houve tentativas de introduzir o mesmo cargo. Este, porém foi recusado no parlamento local pela maioria dos representantes.

Chantal Magnin, socióloga na Universidade de Berna, pesquisa atualmente a situação das pessoas que na suíça vivem de empregos precários.

Na sua opinião, a tentativa de criar formas de controle no sistema de ajuda social é “uma mudança de paradigmas, pois os direitos dos beneficiários estão sendo cada vez mais restritos”, afirma. “O Estado deixa de assumir sua responsabilidade de resolver essa questão social para simplesmente punir aqueles que um dia precisam de ajuda”.

swissinfo, Renat Künzi
traduzido por Alexander Thoele

Emmen é a primeira comuna da Suíça alemã a introduzir um “inspetor social”.
Esse cargo já existe na parte francesa do país desde 1999 (Lausanne e no cantão do Valais).
A prefeitura de Olten contrata detetives particulares para investigar beneficiários de ajuda social.

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