Chefão mexicano Ismael ‘El Mayo’ Zambada é condenado à prisão perpétua em Nova York
O chefão mexicano do narcotráfico Ismael “El Mayo” Zambada foi condenado, nesta segunda-feira (20), por um tribunal de Nova York, à prisão perpétua e ao confisco de US$ 15 milhões (cerca de R$ 76 bilhões) em bens por ter codirigido o Cartel de Sinaloa.
Preso nos Estados Unidos há dois anos, Zambada se declarou culpado, em agosto de 2025, de vários crimes relacionados à sua responsabilidade na liderança da organização criminosa.
Seu ex-sócio Joaquín “El Chapo” Guzmán já cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.
Diante de um tribunal do Brooklyn, vestido com uniforme de presidiário, Zambada leu uma carta em espanhol na qual reconhecia seus atos e aceitava sua sentença, conforme observou um jornalista da AFP.
“Tomo a liberdade de reconhecer perante vocês, de alguma forma, que causei danos e assumo a responsabilidade. Não me submeti a julgamento porque não nego a verdade do que aconteceu; sei que o que fiz foi errado e não há justificativa para o que fiz”, disse ele, segundo o jornal mexicano Excelsior.
El Mayo também fez um forte pedido de desculpas, afirmando que “a violência deve acabar no México e em outros lugares”, já que “muitas vidas são perdidas, famílias são destruídas” e “ninguém ganha com esse tipo de guerra”.
“Às futuras gerações, digo: escolham um caminho diferente da violência”, afirmou.
– 15 bilhões de dólares –
Aos 76 anos, “El Mayo” foi preso em um aeroporto dos Estados Unidos em 26 de julho de 2024. Ele afirma ter sido enganado para embarcar em um avião que o entregou às autoridades americanas.
Em troca da declaração de culpa, a Promotoria desistiu de pedir a pena de morte.
A sentença da prisão perpétua também inclui um confisco de bens no valor de 15 bilhões de dólares (cerca de 76 bilhões de reais).
Um comunicado do Departamento de Justiça informou que o juiz federal Brian Cogan o condenou à prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional, por seu papel como principal líder de uma “organização criminosa continuada” e por violações da legislação contra o crime organizado.
“Ismael Zambada García passou quase quatro décadas envenenando comunidades americanas para obter bilhões de dólares em lucros e ordenando o assassinato de qualquer pessoa que cruzasse seu caminho. Hoje, esse capítulo se encerra definitivamente”, declarou o procurador federal do Distrito Leste de Nova York, Joseph Nocella Jr, citado no comunicado.
Conhecido por manter um perfil discreto e evitar ser fotografado, Zambada passou décadas ascendendo na estrutura do cartel, escapando tanto da captura quanto de diversas tentativas de assassinato.
– Armadilha –
Ismael “El Mayo” Zambada foi preso ao desembarcar do avião em território americano ao mesmo tempo que Joaquín Guzmán López, um dos filhos de “El Chapo” Guzmán.
Em dezembro passado, ao se declarar culpado de tráfico de drogas em um tribunal federal de Chicago, Guzmán López admitiu ter enganado Zambada para que fosse aos Estados Unidos. O filho de “El Chapo” confessou que buscava clemência da Justiça americana.
A traição do filho de “El Chapo” contra Zambada desencadeou uma guerra interna entre as facções do Cartel de Sinaloa que, desde então, deixou mais de 1.200 mortos no México.
Outros dois filhos de Guzmán lideram a facção conhecida como “Chapitos”, considerada pelas autoridades americanas um dos principais eixos do tráfico de fentanil.
Um quarto filho de “El Chapo”, Ovidio Guzmán López, foi preso no México e extraditado para os Estados Unidos, onde também se declarou culpado por tráfico de drogas e participação em organização criminosa.
O México anunciou recentemente que conduz uma investigação para determinar se os Estados Unidos violaram sua soberania ao capturar o poderoso chefão do narcotráfico.
O FBI exibiu o avião em que o traficante viajava quando foi preso, apresentando-o como parte de uma operação da própria agência.
No entanto, na época dos fatos, a embaixada dos Estados Unidos no México havia assegurado que nenhuma agência americana participou de uma operação contra Zambada.
– Atritos diplomáticos –
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que, caso uma agência americana tenha participado da operação, tratados internacionais e a Constituição mexicana terão sido violados.
A relação bilateral com os Estados Unidos se deteriorou especialmente após a denúncia apresentada pela Justiça americana, em abril, contra o governador de Sinaloa, integrante do partido governista, acusado de manter vínculos com o cartel fundado por Zambada e Guzmán.
O governador Rubén Rocha Moya afastou-se do cargo após ser denunciado pela promotoria de Nova York, que solicita sua prisão e extradição.
A presidente mexicana insiste que sejam apresentadas provas consistentes contra ele.
A promotoria acusa Rocha Moya e outros nove atuais e ex-funcionários mexicanos de terem se associado ao Cartel de Sinaloa “para distribuir quantidades maciças de entorpecentes nos Estados Unidos”.
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