Chefe da ONU faz sua última reunião sobre o clima antes de deixar o cargo
O secretário-geral da ONU se prepara para sua última reunião sobre o clima nesta quarta-feira (23), antes de deixar o cargo, um dia depois de acusar as grandes empresas petrolíferas de tratarem a atmosfera como “um lixão a céu aberto”.
Em sua tentativa de mobilizar a comunidade internacional na luta contra o aquecimento global, António Guterres fez declarações impactantes. Ele deixará a ONU no final de dezembro, logo após a COP31, a conferência sobre o clima na Turquia.
Seu último ano no cargo foi marcado por uma série de eventos extremos: de ondas de calor e incêndios florestais recordes na Europa ao deslizamento de terra mortal causado pelo colapso de uma geleira no Nepal.
Mais recentemente, o fenômeno El Niño, que se configura como o mais intenso já registrado.
Nesse contexto, Guterres convocou uma “reunião de alto nível sobre ação climática e uma transição justa” na sede da ONU em Nova York, que deverá incluir três horas de discursos durante a Assembleia Geral desta semana.
Além do secretário-geral da ONU, os líderes da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e da Austrália, Anthony Albanese, discursarão em sua qualidade de co-organizadores da próxima conferência climática das Nações Unidas.
A Turquia presidirá e sediará a COP31 em Antália, de 9 a 20 de novembro, enquanto a Austrália ficará responsável por liderar as negociações, em virtude de um acordo político inédito.
Na terça-feira, Guterres liderou o ataque à indústria petrolífera, acusando-a de ter tratado “a atmosfera como um lixão” durante décadas e de ter “lucrado com as consequências”.
O ex-primeiro-ministro português, de 77 anos, comparou os 500 bilhões de dólares (R$ 2,5 trilhões) em lucros obtidos pelas grandes companhias petrolíferas desde o início de 2022 com os 34 bilhões de dólares (R$ 173,9 bilhões) em financiamento para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem ao aquecimento global.
Nos últimos anos, ele fez declarações igualmente contundentes sobre o estado do planeta, como referir-se à “estrada para o inferno climático” ou à “era da ebulição global”.
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