Chefe da ONU pede “coordenação global” sobre os riscos da IA
O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou, nesta quarta-feira (16), a realização de uma “coordenação global” sobre a inteligência artificial (IA) e alertou para uma “corrida ao abismo” diante das múltiplas manifestações que pedem a regulamentação desta tecnologia em rápida evolução.
“A ação em nível nacional é essencial. Mas uma coordenação global também é indispensável”, disse Guterres em uma coletiva de imprensa, na qual alertou que “a IA não respeita fronteiras e tampouco seus riscos”.
“Os governos devem assumir suas responsabilidades. A primeira responsabilidade de qualquer governo é proteger seus cidadãos, inclusive contra as ameaças relacionadas à inteligência artificial”, disse o chefe das Nações Unidas.
Guterres acrescentou que este será “um tema de discussão” na Assembleia Geral da ONU, que será realizada na próxima semana em Nova York.
“A inteligência artificial tem um potencial enorme para acelerar o desenvolvimento sustentável, melhorar o aprendizado, fortalecer os sistemas de saúde, impulsionar a resiliência climática e muito mais”, afirmou.
“Mas um número crescente daqueles que a desenvolvem está soando o alarme, advertindo que o avanço está ocorrendo mais rápido do que a nossa compreensão dos riscos”, acrescentou.
“O mundo não pode se dar ao luxo de uma corrida rumo ao abismo em matéria de segurança da IA”, alertou Guterres, que deixará o cargo em 31 de dezembro.
Ivonne A-Baki, diplomata equatoriano-libanesa nomeada por Tonga para suceder a Guterres, pediu, nesta quarta-feira, que a IA seja regulamentada como as armas nucleares.
“Estamos quase à beira de uma Terceira Guerra Mundial… E é a mais perigosa. Desta vez não será somente o perigo nuclear, mas também a IA”, declarou à AFP A-Baki, cujos laços estreitos com o presidente americano, Donald Trump, forjados durante várias etapas como embaixadora do Equador em Washington, poderiam ajudá-la a se destacar entre os oito candidatos a chefiar a ONU.
A-Baki destacou que um acordo sobre o futuro da IA entre Washington e Pequim seria essencial para proteger a humanidade.
“O presidente Trump e o presidente Xi Jinping (…) não deveriam competir. Deveriam cooperar”, sentenciou.
Os apelos por uma melhor regulamentação da IA se multiplicaram nas últimas semanas após uma série de incidentes e advertências de vários diretores de empresas do setor.
Nesta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que reuniria grandes atores do setor para apoiar os esforços voltados a desacelerar o desenvolvimento dos modelos mais potentes.
Na véspera, OpenAI, Anthropic e Google DeepMind anunciaram que trabalham na criação de um órgão de supervisão dos riscos associados a essa tecnologia.
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