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Livro investiga o que faz alguém ser suíço de verdade

Queijo ou pepita de ouro?
Queijo ou pepita de ouro? Capa ambígua do livro "Quanto da Suíça há em você?" Benjamin Güdel / zvg

O livro "Quanto de Suíça há em você"?, do cientista político Markus Freitag, usa 52 perguntas provocativas e dados de pesquisas para explorar, com ironia, o que poderia definir uma identidade suíça. Fomos testá-lo.

Naturalmente, existe o passaporte suíço e a cidadania. Eles tornam uma pessoa cidadã suíça. Mas isso faz dela uma verdadeira suíça ou um verdadeiro suíço?

Essa questão é complexa e tão delicada que talvez seja melhor abordá-la com uma pitada de ironia. Afinal, armadilhas surgem por toda parte. Tudo começa já com a distinção entre os chamados “suíços de papel” (Papierli-Schweizer) e os demais, isto é, as verdadeiras suíças e os verdadeiros suíços. Mas, ainda é permitido levantar essa questão?

Quanto há de Suíça em si?
O que faz com que um homem ou uma mulher seja suíço ou suíça? O novo livro convida-nos a fazer um teste e a verificar por nós próprios se cumprimos os critérios da «Swissness». zvg

Sim, desde que se saiba como fazê-lo. O livro “Quanto de Suíça existe em você?” encontra uma maneira surpreendentemente descomplicada de investigar o que há de autenticamente suíço. Ao mesmo tempo, mantém um duplo sentido em muitos aspectos, inclusive na própria capa. À primeira vista, o queijo preso ao garfo de fondue parece apenas um pedaço de queijo; olhando novamente, revela-se um relevo derretido da Suíça – ou será, afinal, uma pepita de ouro?

52 perguntas provocativas

Em termos de conteúdo, as 52 perguntas provocativas analisam, de forma objetiva, resultados de pesquisas de opinião, ou seja, as respostas da população suíça às mais diversas perguntas. Atualmente, existem inúmeras pesquisas comparativas entre países. Aparentemente, toda nação sente a necessidade de descobrir o que, em comparação com as demais, constitui sua verdadeira identidade. Assim, a base de dados é ampla.

Existem perguntas simples, como: “Você é feliz?” E há outras mais elaboradas e ligadas a valores: “Você confia no governo? Interessa-se por política? E qual é sua relação com o trabalho?” Cada pergunta é seguida de um breve texto que, de maneira envolvente e sutil, convida as leitoras e os leitores a refletir sobre sua própria posição.

Tudo fundamentado cientificamente

As conclusões que podem ser extraídas do conjunto das respostas são, ainda assim, bastante reveladoras. Muitas vezes, elas também correspondem àquilo que muitos provavelmente consideram tipicamente suíço.

O autor, Markus Freitag, é professor de Ciência Política na Universidade de Berna. Sua trajetória lhe confere determinadas perspectivas. Por um lado, ele chegou à Suíça como alemão e posteriormente se naturalizou suíço. Por isso, desenvolveu uma sensibilidade para tudo aquilo que é necessário para integrar-se a esse país. Por outro lado, baseia-se em um amplo conjunto de conhecimentos e pesquisas, todos cientificamente fundamentados.

Markus Freitag
Autor: Markus Freitag. zvg

Neste livro, nada é inventado ou afirmado sem fundamento. Trata-se de uma obra de não ficção e, ainda assim, as perguntas são provocativas. Você é gmögig? (pessoa querida, agradável, fácil de lidar, em tradução livre) Você acredita em teorias da conspiração? Você é daqueles que vivem para as associações/clubes? Você é uma criança do (supermercado) Migros ou do Coop? As perguntas conduzem com precisão a conclusões que – frequentemente por contraste com outros países – revelam muito sobre o caráter da população suíça, supondo-se que tal caráter realmente exista.

Um exemplo concreto: as suíças e os suíços são trabalhadores? Sem dúvida. “Na Suíça, quase 70% das pessoas consideram que o trabalho representa uma obrigação para com a sociedade. E pouco mais da metade está convencida de que as pessoas se tornam preguiçosas quando não trabalham.” Essa é a resposta apresentada no livro.

As suíças e os suíços são adaptáveis? Em comparação com a França, certamente. Lá, quase 50% dos participantes de uma pesquisa populacional concordam com a afirmação de que frequentemente se sentem estrangeiros em seu próprio país. Na Suíça, apenas cerca de um quarto compartilha dessa opinião.

Amor suíço pelo compromisso

E quais critérios uma verdadeira suíça ou um verdadeiro suíço deve preencher, na opinião das próprias suíças e suíços? A resposta apresentada no livro é a seguinte:

“Em praticamente toda a Europa, o respeito às instituições e às leis nacionais é considerado um requisito fundamental para que alguém seja reconhecido como um verdadeiro membro da nação. Na Suíça, assim como em muitos outros países, mais de 90% da população considera isso indispensável. O mesmo vale para o domínio de um dos idiomas nacionais.”

Sobre o conhecido apreço suíço pelo compromisso, o autor escreve: “Enquanto dois alemães com ideias quase idênticas insistem repetidamente nas pequenas diferenças que existem entre eles, dois suíços ou duas suíças ainda conseguem encontrar muitos pontos em comum, mesmo quando suas opiniões estão muito distantes uma da outra.”

Quem define o que é suíço?

Após a leitura, descobrimos também que apenas cerca de um décimo da população da Suíça ainda mantém uma relação realmente próxima com sua vizinhança. Entre 60% e 70% das pessoas interessam-se pela política. Mais de 90% se consideram felizes e 70% afirmam estar muito satisfeitas com a vida em geral.

Nesse ponto, torna-se igualmente evidente que as perguntas apresentadas pelo livro não poderiam servir como perguntas de um processo de naturalização. Afinal, a maior parte das pesquisas que fundamentam os textos foi realizada entre a população residente na Suíça. Assim, os resultados também incluem as respostas dos mais de 40% das pessoas que vivem no país, mas que são estrangeiras ou são classificadas nas estatísticas como pessoas com histórico migratório.

Isso está em sintonia com o próprio país, pois, como escreve o autor: “Quem atribui grande valor à tolerância carrega muito da essência suíça.”

Nisso reside também a pequena revolução proposta pelo livro. O que é suíço é definido por todos aqueles que vivem na Suíça – e não pelos descendentes dos habitantes originários.

Adaptação: Flávia C. Nepomuceno dos Santos

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Moderador: Melanie Eichenberger

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