Boletim sobre o Coronavírus na Suíça

Estudantes trajando máscaras de proteção em uma sala da Universidade de Zurique. Keystone / Alexandra Wey

Meio ano depois que o novo coronavírus chegou na Suíça, a pandemia ainda não foi superada. Os casos de contaminação aumentam, causando o receio de uma segunda "onda". Alguns países consideram o país como região de risco.

Este conteúdo foi publicado em 17. setembro 2020 - 08:52

Informações recentes:

  • De acordo com sua própria definição, a Suíça é hoje dos um dos países de risco devido à pandemia do novo coronavírus, no qual uma estadia obriga muitos estrangeiros a ficarem de quarentena ao retornar aos seus países.

  • Segundo o Depto. Federal de Saúde Pública (BAG, na sigla em alemão), o critério para essa qualificação é um valor de 60 novas infecções por 100 mil habitantes durante 14 dias,

  • O BAG definiu vários países como áreas de risco elevado de infecção. Qualquer pessoa que entre na Suíça proveniente desses países deve ficar dez dias em quarentena. AQUI está a lista constantemente atualizada pelas autoridades.

  • O governo federal da Suíça não quer acrescentar países vizinhos à lista de países, mas apenas regiões. Em princípio exclui regiões fronteiriças da lista, levando em consideração o grande número de trabalhadores fronteiriços originários delas.

  • O cantão de Vaud reage à alta incidência de infecções: discotecas foram fechadas e o uso de máscaras passou a ser obrigatório em prédios da administração municipal. Eventos privados com mais de 100 pessoas foram proibidos.

  • Uma reportagem realizada pelo canal de televisão RTS na parte francófona do país mostra que são realizados menos testes na Suíça do que nos países vizinhos ou nos EUA.

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Ajuda financeira

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O ministro suíço das Finanças, Ueli Maurer, ressaltou que os planos de ajuda e resgate executados pelo governo poderiam resultar em um déficit de até 40 bilhões de francos nos caixas públicos em 2020. Vários institutos de pesquisa e bancos preveem uma recessão no ano, seguida por uma recuperação a partir de 2021 caso seja encontrada uma solução para o problema criado pela pandemia

No total, o governo direcionou 65 bilhões de francos para apoiar as atividades economicas após a paralisação temporária durante o "lockdown. Em 3 de abril, o governo anunciou que disponibilizou 40 bilhões de francos em empréstimos de emergência para empresas em dificuldades. Desde então, apresentou um plano para oferecer empréstimos adicionais que totalizam até 154 milhões para startups. O Parlamento federal aprovou o pacote de resgate.

Situação atual

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Cerca de 47 mil pessoas já testaram positivo ao vírus e pouco mais de dois mil morreram na Suíça, que tem uma população de 8,5 milhões de habitantes. Os cantões do Ticino, Vaud, Genebra e Valais têm sido as regiões mais atingidas do país - e os principais focos desde o início da da pandemia.

O bloqueio e as restrições rigorosas tiveram um impacto dramático, achatando a curva e permitindo que as autoridades facilitassem as medidas de abrandamento passo a passo. De seu pico em março, o número de novos casos caiu para cerca de uma dúzia no início de junho, juntamente com uma queda nos casos hospitalares e mortes.

Mas desde meados de junho, o número de novos casos começou a aumentar lentamente em diferentes partes do país. Por exemplo, duas escolas foram fechadas nos cantões de Vaud e Jura depois que os professores deram positivo. Centenas de pessoas ficaram de quarentena em Zurique e Olten depois de freqüentarem clubes noturnos visitados por vários indivíduos que foram infectados. Cerca de um em cada dez novos casos são de pessoas retornando de países em risco.

Desde a flexibilização do bloqueio, o transporte público retornou ao horário padrão. Entretanto, o número de passageiros permanece abaixo do normal.

A decisão do governo de volta à normalidade é baseada em uma série de fatores e recomendações de especialistas, no qual a economia também teve um papel.

Desde 22 de junho está permitida a realização de eventos privados e públicos com a participação de até mil pessoas. Porém a condição é que o rastreamento de contatos seja garantido. Restaurantes que recebem grupos de quatro ou mais pessoas devem registrar o número de telefone de uma delas para possibilitar o rastreamento no caso de um surto de coronavírus. Representantes de empresários da noite discutem a possibilidade de obrigar frequentadores dos estabelecimentos de utilizar o aplicativo de rastreamento SwissCovid ou máscaras de proteção.

Eventos com mais de mil pessoas, sobretudo festivais e eventos esportivos, continuam proibidos até o final de agosto. Muitos dos maiores eventos do país cancelados.

Desde a flexibilização do lockdown, os transportes públicos voltaram a funcionar normalmente. Entretanto, o número de passageiros permanece abaixo do normal.

Em 1º de julho, o governo anunciou que, a partir de 6 de julho, os passageiros dos transportes públicos suíços terão que usar máscaras faciais. A exigência de máscaras se aplica a qualquer pessoa com 12 anos ou mais. Ela se aplica em trens, bondes e ônibus, ferrovias e bondinhos de montanha e em barcos turísticos. A Companhia Ferroviária Federal Suíça disse que os condutores solicitarão a quem não usar máscara que saia do trem e quem se recusar será multado.

Com milhares de testes sendo realizados por dia, a Suíça tem uma das mais altas taxas de testes per capita do mundo. O governo adotou uma estratégia de testes estendida juntamente com um conceito de rastreamento de contatos, enquanto facilitava as medidas de distanciamento social.

Restrições de viagem 

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O Ministério da Saúde (BAG) mantém uma lista, onde descreve as medidas atuais tomadas para evitar uma segunda onda da pandemia.

Após um pico em março e a queda crescente no número de contaminações diárias, elas voltaram a subir nas últimas duas semanas, chegando a alcançar a média de 100 casos diários.

As autoridades sanitárias consideram que o aumento do número de infecções seja, em parte, explicado pela chegada de viajantes vindos de destinos em países com risco elevado de contaminação.

Sérvia e Kosovo foram incluídos na lista devido ao grande número de migrantes originários destes países estabelecidos na Suíça. Muitos costumam viajar nos meses quentes para visitar parentes e retornam com o vírus.

Swisscovid

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O aplicativo Swisscovid lançado em junho pelo Departamento Federal de Saúde Pública (BAG) é um instrumento utilizado monitorar a pandemia através de um sistema de rastreamento de contatos. O usuário pode então ser avisado caso tenha tido um contato próximo com pessoas contaminadas nos últimos dias.

O aplicativo é gratuito e pode ser baixado no App Store do iPhone ou no Play Store para aparelhos Android.

Como funciona?

O aplicativo envia cadeias de números gerados aleatoriamente por bluetooth aos celulares onde o aplicativo também está instalado e que estão dentro de um raio de 1,5 metros. O aparelho do usuário também recebe códigos gerados por esses celulares e os armazena por 14 dias. As cadeias de números geradas aleatoriamente não permitem revelar a identidade da pessoa ou registrar dados pessoais do smartphone. Se o proprietário do celular, cujo código estiver armazenado no meu celular, receber um teste positivo, o aplicativo me avisa que posso também ter sido infectado. Os usuários só podem acionar um alarme se receberem um código do médico confirmando o resultado positivo do teste. Assim o sistema evita alarmes falsos.

Quais foram as medidas já tomadas pelo governo federal?

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Kai Reusser / swissinfo.ch

Desde 27 de abril, as medidas contra o coronavírus foram gradualmente flexibilizadas em toda a Suíça. 

Os hospitais, clínicas médicas, dentistas, fisioterapeutas e massagistas retomaram suas atividades normais. Algumas empresas puderam reabrir, desde que a segurança dos clientes e empregados fosse garantida: cabeleireiros, salões de massagens, salões de tatuagens, salões de beleza, lojas de bricolagem, centros de jardinagem, hortos e floristas.

As pessoas fora da família imediata de uma pessoa falecida puderam novamente assistir ao funeral. As lojas de produtos alimentares que vendem outras mercadorias puderam reabrir todas as suas áreas de vendas.

Desde 11 de maio, foram reabertas as escolas do ensino fundamental, junto com todas as lojas e mercados. Museus e bibliotecas também reabriram. Os restaurantes podem atender grupos de quatro pessoas, assim como os pais com filhos. As academias de ginástica e treinos esportivos reiniciaram. O transporte público voltou ao horário normal.

A partir de 6 de junho, reabertura de escolas do ensino médio e profissionalizante, além de universidades e outras instituições de ensino superior.

Ajuda econômica emergencial

No total, governos federal e estaduais investiram várias dezenas de bilhões de francos para ajudar a economia de forma rápida e não burocrática. A prioridade foi garantir que os trabalhadores das empresas em dificuldade continuassem a receber seus salários e apoiar a cultura e o esporte.


Onde posso encontrar mais informações sobre o Coronavírus?

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swissinfo.ch mantém este artigo atualizado diariamente com o número de casos confirmados e as novas medidas tomadas pelas autoridades cantonais e federais. Outras fontes:

  • A maioria dos cantões (estados) tem seus próprios websites com informações sobre a situação local. A lista das páginas locais pode ser vista AQUI.
  • AQUI mais informações sobre o coronavírus 
  • Vários países impuseram restrições à entrada de pessoas vindas da Suíça.  Clique AQUI para obter informações sobre as fronteiras.

O Departamento Federal de Saúde: atualizações ao vivo da situação nacional, bem como recomendações, medidas de segurança pública e detalhes dos próximos anúncios.

A Organização Mundial da Saúde (OMS): informação sobre a origem e natureza da Covid-19, assim como a situação no mundo (que a OMS atualmente rotula como "epidemia") e conselhos de viagem.

O Ministério suíço das Relações Exteriores: informações sobre os passos a serem seguidos pelos cidadãos suíços que vão ao exterior.

A Universidade Johns Hopkins: um mapa global que rastreia o número de casos e mortes por país; os números podem ser ligeiramente diferentes do mapa da swissinfo.ch acima devido a atrasos no tempo e/ou diferentes métodos de definição de casos "confirmados".

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