Escritor suíço preside academia
A construção da nova Academia das Artes em Berlim está chegando ao fim, depois de quinze anos da queda do Muro.
Desde de 2003, essa importante instituição cultural é presidida pelo escritor suíço Adolf Muschg, um dos mais prestigiados escritores em língua alemã na atualidade.
A Academia das Artes é uma instituição tradicional da sociedade alemã, que teve sua origem na Prússia, no final do século XVII, inspirada nos modelos de academia existentes em Paris e Roma.
Ela funciona como um termômetro cultural de vários setores da arte na Alemanha, entre eles arquitetura, música, literatura, artes plásticas, teatro, filme e multimídia. Sua tarefa é dar suporte e aconselhamento ao desenvolvimento da arte em todos os seus setores.
Apesar de sua atuação concentrar-se na Alemanha, seus membros são artistas de vários países, sobretudo personalidades que influenciam a arte contemporânea. Por este motivo não é estranha a eleição de um suíço para presidir suas atividades.
A escolha não poderia ter sido mais acertada, pois Adolf Muschg é um perfeito embaixador cultural, cosmopolita e profundo conhecedor das obras de Goethe e Schiller, escritores clássicos da literatura alemã.
Com o novo cargo, Muschg e sua família viram-se obrigados a dividir sua residência entre Zurique e Berlim. Na atual sede da Academia, construída nos anos 60, o escritor circula com elegância e cumprimenta a todos como um verdadeiro gentleman, uma característica que certamente contribui no desempenho de suas atividades de presidente de uma academia a serviço da cultura e que visa ultrapassar as barreiras de credo, raça e interesses políticos e sociais.
Tradição
Durante seus 300 anos de existência a Academia teve seu espaço físico fixado em diversos prédios de Berlim e somente em 1907 teve sua sede transferida para a Pariser Platz, praça onde está localizado o Portão de Brandemburgo, um dos monumentos mais importantes de Berlin e símbolo da divisão da cidade durante a guerra fria.
Em 1937 a Academia perdeu sua sede para dar lugar a uma parte da máquina administrativa do Nacional Socialismo sob o domínio de Albert Speer, o arquiteto de Hitler.
No final da guerra a maior parte dos prédios da praça foram destruídos, os restos da fachada da Academia foram retirados nos anos cinqüenta. A praça ficou praticamente vazia até a reunificação, pois era considerada zona de segurança de Berlim Oriental.
Em 1993 a Academia também foi reunificada e entre os dia 22 e 25 de maio próximos será realizado o evento de inauguração da nova sede, um prédio moderno, com fachada de vidro e vista para o parlamento alemão, Reichstag, vis-à-vis à Embaixada da França, ao lado do Hotel Adlon – hotel mais tradicional de Berlin – e incorporado a uma galeria que dá passagem ao polêmico monumento sobre o Holocausto, na região onde está sendo construída a nova embaixada dos Estados Unidos.
Segundo Muschg é muito cedo para se dizer qual efeito a mudança para a nova sede terá sobre a instituição, que continuará com o antigo edifício na região do Tiergarten e seus outros prédios em outras regiões da cidade. “O arquivo da Academia abriga documentos e obras de arte colecionadas desde o século XVII e ele requer espaço, além disso, teremos mais lugar para a realização de palestras, eventos e exposições”, completa o escritor.
Um milhão de dólares e Oscar Niemeyer
No final dos anos 50 o milionário americano Henry H. Reichhold, nascido em Berlim, doou um milhão de dólares para a construção do prédio da academia em Berlin Ocidental.
Nessa região foram construídos prédios modernos para a Interbau, uma mostra de arquitetura contemporânea que deveria fazer concorrência à construção da Stalinallee, a principal avenida de Berlin Oriental no que diz respeito à imponência da arquitetura socialista.
Entre os prédios vizinhos à Academia está um edifício de Oscar Niemeyer, que apesar das adaptações feitas pelas exigências de segurança da engenharia alemã lembra os prédios das superquadras de Brasília.
O ambiente no interior da Academia também recorda os prédios da capital brasileira o que leva o visitante a pensar na atmosfera dos anos 60. Circular pelo prédio é como se movimentar no interior de uma obra de arte.
Estúdios de televisão
De acordo com o presidente da Academia uma inovação de cunho econômico foi feita no novo edifício. Um andar da Academia foi reservado para alojar estúdios que podem ser alugados por canais de televisão durante eventos em Berlim, a idéia surgiu em virtude da localização privilegiada da sede nas redondezas do parlamento. A medida proporciona uma nova fonte de renda para a instituição que depende fundamentalmente de recursos públicos para sua existência.
O mandato de Muschg é de três anos, mas sem dúvida é um privilégio para a Suíça ter um de seus cidadãos mais ilustres a frente de uma transição histórica em uma Academia de profunda tradição na sociedade alemã.
swissinfo, Gleice Mere, Berlim
– Muschg é o terceiro suíço a presidir a Academia das Artes.
– A construção da Academia foi terminada três anos mais tarde que o prazo previsto inicialmente.
– Grande parte dos membros da Academia votou contra a reunificação da instituição que se deu oficialmente em outubro de 1993.
– Apesar de internacional a Academia não possui membros da América Latina.
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