Combate ao racismo deve incluir Internet
O racismo na Internet é considerado um bicho de sete cabeças. Mesmo assim a Suíça acha indispensável incluir esse tema na Conferência Mundial sobre Racismo, prevista na África do Sul em 2001. Conferência preparada atualmente em Genebra.
Realiza-se atualmente em Genebra um seminário internacional de especialistas que preparam a Conferência da ONU sobre Racismo, programada para o ano que vem, na Africa do Sul. Os debates em Genebra concentram principalmente em como oferecer a vítimas de atos racistas meios de se defenderem.
Representantes da Suíça insistem em que na conferência sul-africana figure em destaque a questão do racismo na Internet. A ministra suíça do Interior e Assuntos Sociais, Ruth Dreifuss, já havia tocado no assunto na recente conferência de Estocolmo sobre o Holocausto, lançando apelo a uma colaboração internacional contra sites da Internet que revelem tendências, opiniões ou divulguem manifestos racistas.
No seminário de Genebra dá-se particular atenção a esse tema nesta quinta-feira. O jurista suíço, David Rosenthal, autor de um estudo sobre o assunto, realça que a xenofobia na grande rede mundial de computadores deve ser combatida através de um código internacional de conduta. Um código que deveria ser respeitado por todos os fornecedores de acesso à Internet e pelas empresas de telecomunicações.
No encontro de Genebra vem se insistindo de fato na necessidade de todos os países disporem de um verdadeiro arsenal jurídico de combate aoa racismo. Mas um dos principais obstáculos apontados é o que se considera uma interpretação generosa da liberdade de expressão nos Estados Unidos, país onde justamente se encontra a maioria dos provedores com sites racistas. (Sites que se multiplicam em progressão quase geométrica na Net. Em 1995 existiria apenas 1, em março de 1999 contavam-se 1400 e 4 meses depois já eram 2100).
O representante suíço no encontro em Genebra, David Rosenthal, propõe que se processem na Europa fornecedores de acesso dos Estados Unidos. Eles certamente não poderiam ser forçados a comparecer nos tribunais europeus mas as empresas que dirigem sofreriam desgate de imagem importante.
Resta que no momento governos como os da Suíça se limitam a exigir que se bloqueiem acesso a sites com propaganda racista. O ideal visado é bloqueá-la na fonte. (gb)
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