EUA adverte que ‘não terminou’ campanha contra Irã, após aumento dos ataques
Os Estados Unidos “não terminaram” sua campanha contra o Irã, advertiu nesta terça-feira (21) o presidente Donald Trump, duas semanas após a retomada das hostilidades no Oriente Médio, que ameaçam se estender ao Mar Vermelho.
As forças americanas lançaram às 23h GMT uma nova série de bombardeios contra o Irã, pela 11ª noite consecutiva, segundo o Comando Central dos Estados Unidos no Oriente Médio (Centcom). Pouco depois, a imprensa estatal iraniana anunciou a ativação do sistema de defesa aérea em Teerã e reportou explosões no noroeste e sul do país e na cidade de Bushehr, que abriga uma usina nuclear.
A pressão sobre a economia global cresce, com o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã. Pouco antes dos bombardeios desta noite, os Estados Unidos ressaltaram que não haviam terminado sua campanha contra a república islâmica.
O presidente americano afirmou que o Irã precisará de mais de 20 anos para se recuperar dos danos causados. “Se saíssemos agora, o Irã levaria 20, 25 anos para se reconstruir.”
Trump informou que suas forças atacarão em breve um complexo nuclear subterrâneo conhecido como Montanha Pickaxe, próximo a Natanz, onde os serviços de inteligência ocidentais suspeitam de que o Irã esteja construindo uma instalação de enriquecimento de urânio não declarada. Teerã respondeu com ataques contra Jordânia, Kuwait e Bahrein, aliados do governo americano.
Os rebeldes houthis, que controlam amplas regiões do Iêmen, anunciaram ontem um “bloqueio marítimo” contra a Arábia Saudita, também aliada dos Estados Unidos. Trump advertiu hoje que tomará medidas caso os houthis levem esse anúncio adiante.
A Arábia Saudita e os houthis trocaram disparos na semana passada pela primeira vez em anos, colocando em risco a trégua de 2022, mas os rebeldes vêm se mantendo à margem desde que Israel e os Estados Unidos atacaram o Irã em fevereiro.
A consultoria Vanguard Tech identificou hoje dois navios que deram meia-volta no Mar Vermelho depois de serem carregados em um porto saudita, após advertências dos rebeldes iemenitas.
– ‘Pressão psicológica’ –
Na outra extremidade da Península Arábica, os bombardeios que recomeçaram no último dia 7 atingiram níveis sem precedentes desde o primeiro cessar-fogo acordado em abril e reforçado em meados de junho por um protocolo que deveria levar ao fim da guerra.
O número de militares americanos mortos chega a 17, e quase 100 ficaram feridos, informou o Pentágono ontem. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse hoje a senadores americanos que a guerra já custou US$ 37,5 bilhões (R$ 191 bilhões).
Assim como no começo dos bombardeios, em 28 de fevereiro, o Irã respondeu com ataques a aliados de Washington no Golfo e no Oriente Médio, como Síria, Jordânia e Iraque. “O inimigo deve se preparar para ondas de drones e ataques de mísseis ainda mais decisivos e poderosos”, alertou hoje a Guarda Revolucionária, segundo a qual suas forças destruíram sistemas de defesa antiaérea e instalações de radares no Bahrein e Kuwait.
O funcionário kuwaitiano Naser al-Dhafiride disse que os ataques e o medo de apagões nesse país, muito quente, geram “uma pressão psicológica imensa” sobre a população.
– Pedido de moderação –
Não há sinais de um avanço diplomático concreto, apesar da visita ao Paquistão, mediador do conflito, do ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni. Durante o encontro, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, “pediu a todas as partes para agir com moderação e se abster de tomar medidas que possam desestabilizar ainda mais a região”.
Os ataques americanos deixaram 50 mortos e mais de 500 feridos no lado iraniano desde a retomada dos combates, segundo o último balanço oficial, divulgado sexta-feira.
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