EUA analisa recente proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz
Os Estados Unidos analisam nesta terça-feira (28) a última proposta de Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, praticamente paralisado desde que começou a guerra no Oriente Médio há dois meses.
As negociações de paz entre Washington e Teerã para pôr fim a esse conflito, que abalou a economia mundial com um duplo bloqueio desse estreito vital para o trânsito de hidrocarbonetos, não deram resultados.
E os preços do petróleo voltaram a subir nesta terça-feira até seus níveis anteriores ao cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
O preço do barril de Brent para entrega em junho avançou 2,80%, chegando a 111,26 dólares. Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate (WTI), aproximou-se, no fechamento, do patamar simbólico de 100 dólares.
Em meio à alta dos preços da energia, os Emirados Árabes Unidos, um dos principais produtores de petróleo, anunciaram nesta terça-feira que abandonarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e a aliança Opep+, da qual Rússia também faz parte, a partir de 1º de maio, para proteger seu “interesse nacional”.
Segundo uma fonte próxima ao Ministério da Energia, a medida foi tomada porque Abu Dhabi — que já vinha há meses manifestando divergências dentro do cartel liderado pela Arábia Saudita — não deseja ficar submetido a cotas quando a situação no Estreito de Ormuz voltar ao normal.
Oferta “melhor do que o esperado” –
No terreno, há uma trégua frágil em vigor há quase três semanas, mas as negociações entre os beligerantes continuam estagnadas.
O presidente americano, Donald Trump, reuniu-se na segunda-feira com seus principais assessores de segurança para discutir uma nova proposta iraniana.
Segundo a CNN, Trump deu a entender que é pouco provável que aceite, apesar de, segundo seu secretário de Estado, Marco Rubio, a oferta “ser melhor” do que o esperado.
Do outro lado, o Irã considera que “os Estados Unidos já não estão em condições de ditar sua política às nações independentes”, informou a televisão estatal citando o porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei Nik.
O plano proposto prevê que o Irã flexibilize seu controle sobre o Estreito de Ormuz e que os Estados Unidos levantem seu bloqueio de retaliação aos portos iranianos, sem deixar de prosseguir negociações mais amplas, incluindo a delicada questão do programa nuclear iraniano, segundo a plataforma Axios.
Trump atacou na terça-feira o chanceler alemão, Friedrich Merz, após seus comentários de que o Irã está “humilhando” Washington na mesa de negociações.
“O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, acha que está tudo bem que o Irã tenha uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!”, disse Trump em sua rede Truth Social.
– Aposta errada? –
O Parlamento iraniano prepara uma lei que prevê colocar o Estreito de Ormuz sob a autoridade das forças armadas.
Segundo esse texto, os navios israelenses terão proibida a passagem por ali e as taxas deverão ser pagas em riais iranianos.
“Não podemos tolerar que os iranianos tentem instaurar um sistema no qual eles decidam quem pode utilizar uma via marítima internacional e quanto é preciso pagar para usá-la”, respondeu Marco Rubio à Fox News.
Ele também insistiu que querem garantir “que qualquer acordo que seja feito, qualquer entendimento que seja alcançado, seja um que os impeça definitivamente de buscar uma arma nuclear”.
Em tempos de paz, um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás passa pelo Estreito de Ormuz.
Com o estreito submetido a um duplo bloqueio, a situação na região é tensa.
O Exército dos Estados Unidos informou que a Marinha abordou um navio mercante no mar Arábico por suspeitas de que tentava violar o bloqueio americano aos portos iranianos. A embarcação foi liberada em seguida.
Para a consultora americana Doufan, o Irã “acredita que o aumento dos preços do petróleo e a escassez iminente (…) de derivados de petróleo” pressionará Donald Trump “a aceitar uma solução” diferente da “capitulação incondicional” que ele deseja.
Quanto aos americanos, a consultoria aponta que “parecem apostar, de forma equivocada segundo muitos especialistas, que um reforço do bloqueio americano aos portos iranianos leve” o regime “a aceitar (suas) principais exigências”.
Neste contexto, o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) criticou nesta terça-feira os “ataques flagrantes” do Irã contra seus membros e pediu a Teerã “iniciativas sérias para restabelecer a confiança”, ao fim de uma reunião de dirigentes da região na Arábia Saudita.
– “Conflito congelado”? –
Com as negociações em ponto morto, Catar alertou para a possibilidade de que o conflito no Golfo, desencadeado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, acabe “congelado”.
Na frente libanesa, o Ministério da Saúde disse que os ataques israelenses dessa terça-feira mataram oito pessoas, incluindo três socorristas da Defesa Civil, e deixaram dois soldados feridos no sul do país, apesar do cessar-fogo em vigor.
O Exército israelense, por sua vez, anunciou que destruiu uma ampla rede de túneis do grupo pró-iraniano Hezbollah usada por combatentes de elite no sul do Líbano.
O ministro israelense das Relações Exteriores, Gideon Saar, ressaltou que seu país “não tem ambições territoriais no Líbano”.
burx/phs/jnd/arm-hgs-jvb/erl/jc/mvv/am