EUA analisam proposta do Irã para reabertura do Estreito de Ormuz
A Casa Branca anunciou que está analisando a proposta mais recente do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, uma via crucial para o comércio de combustíveis, dois meses após o início da guerra no Oriente Médio.
As negociações de paz entre Washington e Teerã para acabar com o conflito, que abalou a economia mundial com um bloqueio duplo do estreito vital para o trânsito de hidrocarbonetos, não apresentaram resultados até o momento.
Contudo, uma trégua frágil está em vigor há quase três semanas.
O presidente Donald Trump se reuniu na segunda-feira com seus principais conselheiros de segurança para discutir a nova proposta iraniana, depois que a República Islâmica enviou “mensagens escritas” a Washington com a ajuda do país mediador, o Paquistão, informou a agência de notícias Fars.
O plano contemplaria a flexibilização por parte do Irã de seu controle sobre o Estreito de Ormuz e fim do bloqueio de retaliação dos Estados Unidos aos portos iranianos, sem interromper as negociações mais amplas, incluindo a delicada questão do programa nuclear iraniano.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou em entrevista coletiva que a oferta estava “sendo discutida”.
“Os Estados Unidos já não estão em condições de ditar sua política às nações independentes”, declarou o porta-voz do Ministério da Defesa do Irã, Reza Talaei Nik, segundo a televisão estatal.
Ele acrescentou que Washington terá que “aceitar que deve abandonar suas exigências ilegais e irracionais”.
Ao ser questionado sobre os termos da proposta do Irã, o secretário de Estado Marco Rubio disse ao canal Fox News que era “melhor” do que Washington pensava que “iriam apresentar”, mas questionou a sinceridade do plano.
“Temos que garantir que qualquer acordo que seja feito, qualquer acordo que seja alcançado, seja um que impeça definitivamente que desenvolvam uma arma nuclear a qualquer momento”, afirmou.
– “Exigências excessivas” –
O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, culpou na segunda-feira as “exigências excessivas” de Washington pelo fracasso das negociações de paz durante uma visita à Rússia, onde o presidente Vladimir Putin prometeu o apoio de Moscou para acabar com a guerra.
Araghchi desembarcou em São Petersburgo após visitar Omã e Paquistão.
Islamabad recebeu a primeira rodada de negociações entre as duas partes, que fracassaram, e a visita de Araghchi no fim de semana havia suscitado esperanças de novos diálogos.
Trump, no entanto, cancelou a viagem prevista de seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner. “Eles podem nos ligar”, justificou o republicano ao canal Fox News, ao assegurar que o cancelamento não implica um retorno às hostilidades.
Teerã exige “garantias críveis” para sua segurança antes de uma normalização no Golfo, disse o embaixador iraniano Amir Iravani durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU.
O Parlamento iraniano prepara uma lei que pretende colocar o Estreito de Ormuz sob a autoridade das Forças Armadas.
Segundo o texto, os navios israelenses serão proibidos de passar pela via estratégica e os pedágios deverão ser pagos na moeda iraniana.
“Não podemos tolerar que os iranianos tentem instaurar um sistema em que eles decidam quem pode utilizar uma via marítima internacional e quanto deve ser pago a eles para utilizá-la”, disse Rubio ao canal Fox News.
Em períodos de paz, 20% das exportações mundiais de petróleo e gás passam pelo Estreito de Ormuz.
Apesar do bloqueio, um navio cargado com 132.890 metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL) atravessou o Estreito de Ormuz em abril, o que não acontecia desde o início da guerra, segundo dados da empresa de rastreamento marítimo Kpler consultados nesta terça-feira pela AFP.
O metaneiro Mubaraz, controlado pela Adnoc, a empresa petrolífera nacional dos Emirados Árabes Unidos, pode ter atravessado o estreito “no fim de semana de 18-19 de abril, quando vários navios, entre eles sete metaneiros, tentaram passar, embora a data ainda não esteja confirmada”, afirmou Charles Costerousse, analista da Kpler, em um comunicado.
– Situação “assustadora” –
Em Teerã, “a situação se tornou assustadora”, contou Farshad, um empresário de 41 anos. “As pessoas estão consternadas porque não têm dinheiro para comprar nada, nem para comer”, disse à AFP.
Iniciada com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, a guerra no Oriente Médio provocou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano.
O diretor do Mossad, o serviço secreto externo de Israel, elogiou os êxitos de seus agentes e chamou de “revolucionárias” as operações efetuadas nos dois países.
O balanço de um dos episódios mais dramáticos do conflito, um bombardeio no primeiro dia da guerra contra uma escola em Minab, no sul do Irã, foi revisado para 155 mortos (entre eles 120 crianças), contra 175 anunciados anteriormente, informou a televisão estatal iraniana.
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