EUA se prepara para dar adeus ao ex-presidente Jimmy Carter
Com bandeiras a meio mastro, os Estados Unidos começaram a se preparar para a despedida do falecido ex-presidente Jimmy Carter, um defensor da paz que, durante sua passagem pela Casa Branca, redefiniu as relações com a América Latina e recebeu homenagens de todo o mundo nesta segunda-feira (30).
O Centro Carter, fundação do ex-mandatário democrata, anunciou que o prêmio Nobel da Paz de 2002 faleceu “pacificamente” no domingo, aos 100 anos, em sua casa em Plains, no estado da Geórgia, “cercado por sua família”.
Carter teve uma trajetória política improvável que o levou da fazenda de amendoins de sua família ao Salão Oval. Após deixar a presidência, consolidou-se como um incansável defensor dos direitos humanos e dos oprimidos.
O presidente Joe Biden declarou 9 de janeiro como dia de luto nacional, data em que será realizado um funeral de Estado em homenagem a Carter, que liderou o país entre 1977 e 1981. Biden também ordenou que as bandeiras americanas fiquem a meio mastro por um mês, período durante o qual o republicano Donald Trump assumirá a presidência.
Biden pediu a “todos aqueles que buscam entender o que significa viver uma vida com propósito e significado” que estudem a trajetória de Carter, “um homem de princípios, fé e humildade”.
O estado da Geórgia, onde nasceu, assim como a capital americana Washington, serão palco de homenagens ao ex-presidente nos próximos dias, em diferentes eventos públicos.
No sábado, o corpo de Carter será levado em uma caravana pela cidade de Plains até a fazenda onde cresceu e depois ao Capitólio estadual em Atlanta, capital da Geórgia, conforme informado pelo Exército em um comunicado.
Seu corpo permanecerá no Centro Carter antes de ser transportado de avião, em 7 de janeiro, para Washington, onde será velado no Capitólio com uma guarda militar.
Dois dias depois, Carter será enterrado em Plains, após um funeral transmitido pela televisão na Catedral Nacional de Washington, como é tradição para chefes de Estado.
– Luta pela paz –
Os ex-presidentes americanos vivos prestaram homenagens: Barack Obama saudou Carter como uma pessoa “extraordinária”, George W. Bush como um “homem de convicções profundas”, enquanto Bill e Hillary Clinton disseram que o democrata “trabalhou incansavelmente por um mundo melhor e mais justo”.
“Embora eu estivesse profundamente em desacordo com ele filosoficamente e politicamente, também percebi que ele realmente amava e respeitava nosso país”, disse Trump no domingo em sua plataforma Truth Social, após, no passado, ter criticado veementemente o ex-presidente.
Os elogios à figura de Carter também se multiplicaram internacionalmente.
O papa Francisco destacou o compromisso de Carter com a paz, “motivado por uma profunda fé cristã”, enquanto o presidente francês Emmanuel Macron, o rei britânico Charles III e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacaram o compromisso do falecido mandatário com a defesa dos direitos humanos.
Sua esposa e fiel companheira Rosalynn faleceu no ano passado, aos 96 anos, e foi enterrada em Plains, após uma homenagem nacional.
Com o rosto abatido, Jimmy Carter participou do funeral, em uma de suas raras aparições públicas nos últimos anos.
Espera-se que o ex-presidente seja enterrado ao lado de Rosalynn após as cerimônias previstas em Washington e Atlanta, capital da Geórgia.
– Um homem que salvou “inúmeras vidas” –
Jimmy Carter foi eleito presidente em 1976, em um país ainda marcado pelo escândalo Watergate, que havia levado o republicano Richard Nixon a renunciar à Casa Branca.
Arquiteto dos Acordos de Camp David, que levaram, em março de 1979, à assinatura do tratado de paz entre Israel e Egito, o 39º presidente dos Estados Unidos foi duramente criticado em seu país durante a crise dos reféns americanos no Irã.
O anúncio em 24 de abril de 1980 do fracasso da missão militar para resgatar os reféns encerrou suas esperanças de reeleição.
Em 1982, após deixar a Casa Branca, fundou o Centro Carter para promover o desenvolvimento, a saúde e a resolução de conflitos em todo o mundo.
A fundação ajuda no combate a diversas doenças e lidera o programa contra a dracunculíase, uma doença parasitária que ocorre principalmente na África e que atualmente está quase erradicada.
O diretor da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, elogiou no domingo o ex-presidente americano por “ajudar a salvar inúmeras vidas”.
Carter deixou a vida política aos 90 anos. Em janeiro de 2021, esteve ausente da cerimônia de posse de Biden, mas o recebeu em sua casa em Plains.
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