Genebra internacional

Genebra continua o centro do mundo?

Nova Iorque, Nairóbi, Viena, Genebra: no mundo da governança global, a competição se acirra. Ao serem escolhidas para abrigar uma organização internacional, se tornam centros de decisão de assuntos globais. E junto com elas vêm funcionários graduados, expertise, capital e redes de contatos.

Este conteúdo foi publicado em 05. junho 2020 - 14:48
Skizzomat (ilustração)

Genebra, a cidade global, continua atraindo novas organizações, encontros, iniciativas e debates. As estatísticas são a prova: só nos últimos três anos se instalaram mais de 90 ONGs. O número de funcionários internacionais também cresce na ordem de 2 a 3% ao ano. Em 2019 chegaram 34 mil.

"É difícil atender a demanda, o que mostra o interesse das organizações internacionais em Genebra", explica Julien Beauvallet, chefe do serviço de acolhimento do cantão de Genebra (CAGI, na sigla em francês).

O interesse é um paradoxo. Afinal, poucas cidades no mundo têm um custo de vida tão elevado como Genebra. Muitos funcionários já discutem a possibilidade de transferência para outras capitais.  

O "custo-Genebra" é o principal obstáculo para ONGs e outras organizações internacionais, pois têm orçamentos limitados. "Rapidamente você chega a custos na casa dos seis dígitos", lamenta Beauvallet.

As pressões financeiras são uma enorme preocupação para as organizações internacionais em Genebra. A situação se agravou devido à pandemia do coronavírus, que testou os limites do sistema multilateral. Agências das Nações Unidas, organizações internacionais e ONGs têm se esforçado para reagir às restrições. Enquanto isso, o destino das ONGs com problemas financeiros não está claro, e dependerá em grande parte dos doadores, segundo o cantão.

A tendência é de que as grandes agências internacionais transfiram recursos para locais mais baratos, porém a atratividade de Genebra continua forte por outros motivos.

Uma delas é que doadores, tomadores de decisão e especialistas já estão presentes. Genebra não é apenas a sede das Nações Unidas na Europa e de 36 organizações internacionais, mas também de mais de 700 ongs, institutos de pesquisa e 179 missões diplomáticas.

A Organização Mundial do Comércio (OMC), baseada também na cidade, é presidida, inclusive, por um diplomata brasileiro.

Mais recentemente, equipes de investigadores da justiça internacional e especialistas da ONU se reuniram em Genebra para coletar e preservar provas, preparar possíveis processos por crimes contra a humanidade cometidos em países como a Síria e Birmânia. 

Outra razão é um esforço suíço para garantir que a cidade continue a ser um centro de elaboração de políticas globais.

Os suíços passaram a posicionar Genebra como um centro global de especialização em paz, segurança e desarmamento, clima, saúde e questões digitais. 

"O mundo em que vivemos é cada vez mais interdependente, o que justifica a importância crescente da cooperação internacional. Genebra se tornou o local ideal para quem deseja participar coletivamente da construção de um mundo melhor", declarou Olivier Coutau, responsável no governo cantonal por relações internacionais.

Governança digital, segurança cibernética, inteligência artificial e outras inovações são alguns dos temas tratados em Genebra através de iniciativas lançadas também pela Suíça: Instituto de Paz Cibernética, a Fundação Suíça da Iniciativa Digital e a Fundação de Genebra para Antecipação Científica e Diplomática. 

Talvez tenha sido a elevada concentração de universidades de ponta, centros de pesquisa e pessoal com nível elevado de formação que levaram uma empresa como Facebook a instalar nela um centro para cuidar da sua criptomoeda.

Paralelamente a Suíça ajudou a montar vinte plataformas de coordenação para explorar as redes locais da cidade. Uma delas é a Rede Ambiental de Genebra, o Lab SDG e a Plataforma de Manutenção da Paz de Genebra, que reúne atores relevantes dos setores público e privado, sociedade civil e universidades.

A Universidade de Genebra, por sua vez, criou o Centro de Negócios e Direitos Humanos, o primeiro centro de formação de executivos especializado no diálogo e pesquisas relacionadas aos direitos humanos.

Paz, direitos humanos e a justiça internacional continuam os principais focos. De Genebra, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (UNHRC, na sigla em inglês) é parte do corpo de apoio à Assembleia Geral das Nações Unidas.

Já o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR) é um órgão das Nações Unidas que, graças ao apoio de inúmeras ONGs e acadêmicos, se dedica à promoção e proteção dos direitos humanos no mundo.

“Enquanto a ONU e o sistema internacional estiverem abertos à sociedade civil, haverá esse efeito de atração aqui em Genebra”, diz Beauvallet.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo