Guerra no Oriente Médio se intensifica com ataque de Israel ao Líbano
A guerra no Oriente Médio, desencadeada por ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã, foi ampliada nesta segunda-feira (2) com uma nova frente no Líbano, em represália a disparos do movimento pró-iraniano Hezbollah e o impacto de um dronte sobre uma base britânica no Chipre.
A República Islâmica lançou contra-ataques desde o sábado, tomando como alvo as bases militares americanas e o território israelense. Os mísseis do país, no entanto, também atingiram infraestruturas civis, como edifícios residenciais, hotéis, refinarias, portos e aeroportos em várias monarquias do Golfo consideradas um refúgio de paz no Oriente Médio.
A guerra provocou cenas de caos aéreo, com centenas de voos cancelados, e deixou o estratégico Estreito de Ormuz praticamente paralisado, além de gerar uma disparada dos preços do petróleo e do gás.
Apesar dos ultimatos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, anunciou, nesta segunda, ter atacado 500 alvos americanos e israelenses.
Entre eles estão o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o quartel-general do comandante da Força Aérea.
– Bombardeios com ‘centenas de aviões” –
O Exército israelense afirmou um “ataque de envergadura” no “coração de Teerã” e bombardeios simultâneos “com centenas de aviões” no Irã e também no Líbano.
O porta-voz militar, Effie Defrin, advertiu que o Hezbollah pagará “caro” por lançar “uma salva de mísseis e de drones” contra Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, na operação das forças americanas e israelenses.
O Exército israelense anunciou que matou o chefe dos serviços de inteligência do grupo, Hussein Moukalled.
Este foi o primeiro ataque do Hezbollah a Israel desde o cessar-fogo de novembro de 2024, que acabou com mais de um ano de guerra entre as partes.
O governo libanês, que não deseja ver o país arrastado para o conflito, proibiu as atividades militares do Hezbollah e ordenou que o grupo entregue as armas.
Jornalistas da AFP observaram a fuga de muitas famílias do sul do país, algumas delas com colchões amarrados ao teto de veículos.
As autoridades libanesas anunciaram um balanço de pelo menos 31 mortos. No Irã, o Crescente Vermelho local afirmou que pelo menos 555 pessoas morreram desde o início da guerra.
A AFP não conseguiu verificar os números de vítimas com fontes independentes.
Em resposta, Teerã lança mísseis contra diversos países da região, incluindo vários que abrigam bases americanas.
No Kuwait, uma coluna de fumaça era observada na embaixada dos Estados Unidos e três aviões militares americanos caíram, sem provocar vítimas, devido a um erro das defesas antiaéreas locais.
Explosões sacodem há três dias cidades como Doha, Abu Dhabi e Dubai. Mas também atingem infraestruturas de energia, como uma gigantesca refinaria de petróleo saudita ou instalações de gás no Catar, que forçaram a suspensão da produção de gás natural liquefeito.
– “Muitos dias” –
Nada indica que as armas serão silenciadas. Israel afirma que a operação no Irã vai durar “o tempo que for necessário”. O Exército do país afirmou que os ataques no Líbano podem prosseguir por “muitos dias”, mas, no momento, não vê motivos para uma “invasão”.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, não descartou, nesta segunda-feira, o envio de tropas ao Irã e indicou que a guerra poderia durar até “seis semanas”. “Pode durar menos. Pode durar mais”, afirmou.
Até o momento, quatro militares americanos tiveram suas mortes confirmadas, mas Trump reconhece que o número pode aumentar.
Embora o republicano tenha incitado os iranianos a se rebelarem, o chefe do Pentágono procurou diferenciar a operação das intervenções no Iraque e no Afeganistão, afirmando que esta guerra não é uma tentativa de construir a democracia no Irã.
“Sem regras de engajamento estúpidas, sem atoleiros de construção nacional, sem exercícios de construção democrática”, disse Hegseth.
A guerra no Oriente Médio atingiu nesta segunda-feira o território europeu.
Uma base britânica foi atingida por dois drones iranianos no Chipre, após a decisão de Londres de autorizar Washington a usar seus complexos militares contra o Irã.
Após o ataque, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, assegurou que as bases militares britânicas no país mediterrâneo “não são utilizadas pelos bombardeiros americanos”.
Em um comunicado conjunto, França, Reino Unido e Alemanha ameaçaram adotar “medidas defensivas” para proteger seus interesses e os dos “aliados na região”, além de “destruir a capacidade do Irã de “lançar mísseis e drones”.
O presidente francês, Emmanuel Macron, alertou que o conflito corre o risco de se alastrar para as fronteiras europeias.
“A guerra traz e continuará trazendo instabilidade e uma possível conflagração às nossas fronteiras, com as capacidades nucleares e de mísseis balísticos do Irã ainda intactas”, afirmou.
– Três “opções” –
O futuro do Irã é uma incógnita. Trump declarou ao NYT que tem “três opções muito boas” para governar o Irã, mas afirmou que não revelaria os nomes “no momento”.
Atualmente, o país é comandado por um triunvirato de forma provisória, à espera, segundo Teerã, da eleição do sucessor de Khamenei.
O Irã nomeou nesta segunda-feira um general da Guarda Revolucionária, Majid Ebnelreza, como ministro interino da Defesa, após a morte de seu antecessor nos ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Trump chamou o Irã a “depor as armas” em troca de imunidade total.
“Não negociaremos com os Estados Unidos”, respondeu na rede social X o poderoso chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani.
Poucas horas depois, Larijani afirmou que o “Irã, ao contrário dos Estados Unidos, se preparou para uma guerra longa”.
– Sem limite –
Muitos iranianos comemoraram a morte de Khamenei, mas o anúncio do falecimento do líder supremo também provocou manifestações de protesto.
“Compreendemos que não há absolutamente nenhuma forma de reformar este regime sem uma intervenção estrangeira”, declarou à AFP uma moradora de Teerã.
Em janeiro, o regime reprimiu com extrema violência um grande movimento de protesto. Segundo várias ONGs, milhares de pessoas morreram na repressão.
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