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Bancos em transformação: do balcão ao aplicativo

Um antigo balcão de banco
Durante muito tempo, uma parte integrante do quotidiano: a visita ao balcão do Banco Cantonal de Zurique. e-pics

Quem hoje faz uma transferência bancária ou consulta a sua carteira de investimentos utiliza naturalmente o celular. Esse procedimento aparentemente simples é o resultado de uma longa evolução: em poucas décadas, o cotidiano financeiro suíço deslocou-se do guichê físico dos caixas para o bolso (digital).

swissinfo.ch publica regularmente artigos provenientes do blog do Museu Nacional da SuíçaLink externo, dedicados a assuntos históricos. Esses artigos estão sempre disponíveis em alemão e, geralmente, também em francês e inglês.

Há apenas algumas décadas, ir ao banco fazia parte do cotidiano. O contato pessoal era o elemento central. As operações bancárias estavam ligadas a um local físico, dependiam do horário de funcionamento e eram fortemente baseadas na confiança na instituição. Na Suíça, a rotina de pagamentos tinha uma característica peculiar: o salário era depositado na conta bancária, o dinheiro em espécie era sacado no caixa do banco e, em seguida, as contas do dia a dia eram pagas em dinheiro no balcão dos Correios.

Hoje, essa ida à agência praticamente desapareceu. Os serviços bancários estão disponíveis a qualquer momento, independentemente do lugar e da hora. Ao mesmo tempo, a relação com o banco tornou-se significativamente mais anônima.

Um olhar para o passado mostra até onde remonta a atividade bancária na Suíça. Já na Idade Média, comerciantes itinerantes emprestavam dinheiro e transformavam-se, assim, em banqueiros estabelecidos. Nas cidades suíças surgiam casas de câmbio que trocavam moedas, concediam créditos e, em parte, já desempenhavam funções semelhantes às de um banco central. A partir do século 18 surgiram os primeiros bancos privados e, no século 19 iniciou-se a formação do moderno mercado financeiro suíço: com as “SparkassenLink externo” (Caixas Econômicas), os bancos cantonais e os grandes bancos. Entre 1895 e 1910 foram criados mais de 100 novas instituições bancárias no país.

Os balcões do Banco Cantonal de Zurique por volta de 1900
Sala de balcões do Banco Cantonal de Zurique, na parte superior da Bahnhofstrasse, por volta de 1900. Os balcões estão dispostos entre as colunas e, no centro, encontram-se os postos de trabalho para os clientes. Zentralbibliothek Zürich

Primeiros passos rumo à digitalização

O caminho até o banco móvel não começou com o telefone celular, mas com as primeiras iniciativas de autoatendimento. Já na década de 1960, os bancos experimentavam novas formas de acesso: em Zurique, o Schweizerische Kreditanstalt (antigo Credit Suisse) inaugurou, em junho de 1962, um chamado Auto-Bank, no qual os clientes podiam realizar operações diretamente do automóvel.

Mulher no seu carro, no balcão do banco
Uma cliente no balcão automóvel do Schweizerische Kreditanstalt, na St. Peter-Strasse, em Zurique, em 1962. e-pics

Um possível precursor dos pagamentos sem dinheiro em espécie surgiu ainda antes: com o primeiro cartão de crédito de uso universal, lançado em 1950, tornou-se possível pagar em diferentes estabelecimentos sem utilizar dinheiro vivo. Esse cartão, do Diners Club, era aceito em 27 restaurantes de Nova York. Diferentemente do saque em dinheiro, esse sistema baseava-se em crédito: o valor era pago posteriormente.

No final da década de 1960 ocorreu um avanço decisivo no autoatendimento: em 1967 entrou em funcionamento, em Zurique, o primeiro Bancomat. Pela primeira vez, era possível sacar dinheiro 24 horas por dia, independentemente do caixa no banco. Com isso, uma parte essencial das operações bancárias saiu dos guichês de atendimento e passou para a máquina.

Mulher a levantar dinheiro num multibanco
Primeiro multibanco da Sociedade Bancária Suíça na Bahnhofstrasse, em Zurique, fotografado a 8 de novembro de 1967. Keystone

Quase ao mesmo tempo desenvolveu-se uma segunda lógica de cartões: o cartão de débito. Os primeiros projetos-piloto começaram na década de 1960. Ao contrário do cartão de crédito, ele acessa diretamente a conta bancária, e os pagamentos são debitados imediatamente. Na Europa, a origem do cartão de débito remonta ao Eurocheque-Karte, conhecido como EC-Karte.

Originalmente, o cartão EC, introduzido em 1978, servia apenas como cartão de garantia de cheques, permitindo comparar a assinatura e o número do cartão. A partir de 1985, sua função foi ampliada, passando também a permitir saques em caixas eletrônicos. Juntamente com o Bancomat, ele lançou as bases de um sistema de pagamentos cada vez mais automatizado e, posteriormente, digital.

Fotografia publicitária dos Eurocheques e do cartão EC do Crédit Suisse, por volta de 1982.
Fotografia publicitária dos Eurocheques e do «cartão EC» do Swiss Credit Institute, por volta de 1982. Musée national suisse

Paralelamente, na década de 1980 começaram as primeiras experiências digitais no setor bancário. O sistema VideotexLink externo (Correios Suíços, PTT) serviu de base para as primeiras ofertas de telebanking: por meio de terminais especiais, era possível consultar informações e realizar as primeiras transações bancárias. Assim, pela primeira vez, as operações bancárias deixaram o caixa físico e entraram no espaço eletrônico.

Publicidade em Videotex da década de 1980.
«Não posso pagar as minhas contas em casa?» Anúncios de videotex dos anos 80. Musée de la communication

Com a chegada da internet, o e-banking (banco digital) finalmente se consolidou: no final da década de 1990, os bancos suíços levaram seus serviços para a World Wide Web.

O Credit Suisse foi o primeiro a lançar um sistema completo de internet banking, em abril de 1997. Cinco meses depois, seguiu-se o Zürcher Kantonalbank. O computador tornou-se o novo caixa bancário da sala de estar, e as agências físicas passaram a perder importância de forma crescente.

O «Direct Net», o primeiro site de banca eletrónica da Suíça, foi lançado em abril de 1997. Captura de ecrã da página inicial.
O «Direct Net», o primeiro serviço de banca eletrónica da Suíça, entrou em funcionamento em abril de 1997. Captura de ecrã da página inicial. Blick.ch

O banco móvel

A transformação decisiva veio com o smartphone: desde a década de 2010, o banco passou definitivamente para o bolso. Consultas de saldo, pagamentos e investimentos são realizados em qualquer lugar, muitas vezes em questão de segundos.

Essa evolução também se reflete no comportamento dos clientes: os saques em dinheiro diminuem, enquanto os pagamentos móveis e os acessos por aplicativos aumentam fortemente. Ao mesmo tempo, surge um novo protagonista no mercado: os neobancos, que oferecem serviços totalmente digitais, sem rede de agências e, na maioria dos casos, a custos mais baixos. Eles representam uma nova geração de serviços bancários, caracterizada pela simplicidade, rapidez e mobilidade.

As agências do UBS em 1979
Não foi há muito tempo, mas mesmo assim é uma imagem de tempos passados: o átrio de atendimento da Schweizerische Bankgesellschaft (hoje UBS), em 1979. e-pics

Especialmente na Suíça, esse mercado desenvolveu-se de forma dinâmica nos últimos anos. Provedores como Neon, Zak e Yuh ganharam rapidamente importância e conquistaram um amplo público digitalmente conectado. Ao mesmo tempo, também se evidencia a dinâmica desse segmento jovem: algumas ofertas consolidam-se com sucesso e tornam-se rentáveis, enquanto outras desaparecem, adaptam seu modelo de negócios ou se reposicionam. Assim, o mercado bancário suíço vive uma faseLink externo de crescimento, experimentação e consolidação e permanece em constante transformação.

Antes, a consultoria personalizada ocupava o centro da relação bancária. Hoje, grande parte da interação ocorre de forma digital, muitas vezes sem qualquer contato humano direto. Algoritmos assumem tarefas que antes eram desempenhadas por consultores financeiros, como as decisões de investimento por meio dos chamados conselheiros robôs. Ao mesmo tempo, surgem novas questões: quem administra nossos dados? A quem confiamos nosso dinheiro? E qual é o papel das empresas globais de tecnologia no sistema financeiro?

Adaptação: Flávia C. Nepomuceno dos Santos

Andrea Weidemann dirige o Museu Suíço das FinançasLink externo.

Link para o artigo original publicado no blog do Museu Nacional SuíçoLink externo

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